Da sofreguidão à paixão
Da incerteza à cadência dos gestos
Do nervosismo ao encaixe das bocas
Dos olhos cerrados aos semicerrados
Do único desejo ao que não mais vejo
A certeza de uma coisa
Que reitero, sim
Inesquecíveis foram os momentos
Que passaram nesse ínterim
Do primeiro
Ao último beijo
É tempo da festa em que só entra muito amor e muita alegria!
Chegou aquele momento sempre cheio de expectativas.
Que faz o coração bater mais forte,
Com tanta animação e diversão total.
É o tempo em que tudo mundo é igual,
Todos festejam juntos esquecendo qualquer condição.
Aquela época em que a brincadeira e a folia entram em cena,
Fazendo com que qualquer sentimento ruim desapareça.
Sentir a emoção da música invadindo o peito,
E conviver tudo isso com os amigos, não há melhor jeito!
Pode chegar carregado de coisas boas,
Seja muito bem-vindo meu tão esperado Carnaval!
Quando o nosso filho Julinho tinha seis anos, estávamos atravessando um período de má situação financeira e só podíamos comprar o indispensável para viver. Alguns dias antes do Natal, dissemos a ele que não poderíamos comprar presentes nas lojas, para nenhum de nós.
Mas com imaginação e amor poderíamos brincar de presentear uns aos outros.
Assim, nós combinamos que cada um desenharia o presente que gostaríamos de dar aos outros da família. A ideia agradou e a partir desse dia começamos a trabalhar em segredo com muita alegria e sorrisos misteriosos.
Um carro verde para o papai. Uma pulseira e uns brincos para mim. Para o Julinho os presentes eram aqueles que recortávamos de algumas revistas. Os melhores presentes para ele foram um tenda de brincar de índio e uma piscina de plástico, desenhadas pelo papai.
O presente melhor do papai para mim foi a nossa casa dos sonhos, pintada à aquarela, branca, com janelas verdes e touceiras de flores no jardim. E o papai recebeu um punhado de versos meus, inspirados nas coisas tristes e acontecimentos alegres das nossas vidas.
Naturalmente não esperávamos nenhum "melhor presente" do Julinho. Mas, com gritinhos de alegria, ele entregou um desenho grande, feito por ele, com lápis de cor, dentro da mais pura "técnica surrealista". Era sem dúvida um grupo de três pessoas rindo: um homem, uma mulher e um menininho. Tinham seus braços entrelaçados uns nos outros de tal forma que pareciam uma só pessoa. Embaixo do desenho, ele escreveu apenas uma palavra: "Nós".
Foi, sem dúvida, um Natal de Amor.
Lembra quando éramos jovens e parecíamos todos tão promissores? Tínhamos a vida toda pela frente e pensávamos que com dedicação e sorte podíamos ser o que quiséssemos. Podíamos até desistir daquilo que queríamos e mudar de direção porque nós tínhamos tempo.
Os anos passaram, olhamos para trás e vemos que muitos daqueles sonhos e daquele sentimento de poder que a juventude nos traz ficaram pelo caminho. O futuro chegou e já não somos tão promissores como antes. E o futuro também já não nos promete muito. O tempo passou e o que nós queríamos para nós se perdeu entre um e outro dia em que era preciso quebrar pedras.
A vida, afinal, não é fácil como imaginávamos. É bom lembrar do frescor daqueles tempos, mas mesmo que nem tudo tenha dado certo ou tenha sido como esperávamos, sinto-me feliz e satisfeito com o rumo que tomei.
A vida é muito curta e já que não podemos voltar atrás, também não vale a pena ter arrependimentos. O mais importante é tentar entender nossas escolhas e ser compreensivos e gentis com as nossas experiências. Se não foram as melhores, que ao menos tenham nos ajudado a nos tornarmos pessoas melhores.
Estatutos para o momento presente:
- Todos os homens são diferentes. E devem fazer o possível para continuarem sendo.
- A todo ser humano foram concedidas duas qualidades: o poder e o dom. O poder dirige o homem ao encontro com o seu destino, o dom o obriga a dividir com os outros o que há de melhor em si mesmo.
- A todo ser humano foi dada uma virtude: a capacidade de escolher. O que não utiliza esta virtude, a transforma em uma maldição e outros escolherão por ele.
- Todo ser humano tem direito a duas bênçãos : a de acertar, e a de errar. No segundo caso, sempre existe um aprendizado que o conduzirá ao caminho certo.
- Todo ser humano tem um perfil sexual próprio, e deve exercê-lo sem culpa - desde que não obrigue os outros a exercê-lo com ele.
- Todo ser humano tem uma lenda pessoal a ser cumprida, e esta é a sua razão de estar neste mundo. E ela se manifesta através do entusiasmo!
Parágrafo único: pode-se abandonar por certo tempo a lenda pessoal, desde que não se esqueça dela, e volte assim que for possível.
- Todo ser humano tem direito à busca da alegria, e entende-se por alegria algo que o deixa contente não necessariamente aquilo que deixa os outros contentes.
- São considerados faltas graves apenas os seguintes itens: não respeitar o direito do próximo, deixar-se paralisar pelo medo, sentir-se culpado, achar que não merece o bom e o mal que lhe acontece na vida, e ser covarde.
Revogam-se as disposições em contrário.