Eu encontrei um novo pai na minha vida. Você me acolheu como um bom filho que retorna a casa. Tudo era novo para mim, mas nunca me senti perdido, pois sempre tive seu apoio em todos os momentos.
Tem sido um privilégio fazer parte desta linda família. Você certamente ensinou bons princípios e deu um grande exemplo para todos e o resultado é que conquistou o respeito e a admiração das pessoas que o rodeiam.
Para colocar defeito no nosso relacionamento era impossível, mas muitos não sabiam que nosso amor tinha acabado.
E o pior era saber que passaria por uma barra pesada por sair desse namoro porque não aguentava mais sofrer.
Estou simplesmente desabafando com você, e me queixo pelo modo que acabou, mas isso só o tempo pode mudar!
Até mesmo porque curtimos cada momento como se fossem os únicos e deixei bem claro o quanto te amava. Passamos juntos por cima de cada um e sustentamos nosso amor... Mas agora tudo mudou e o feitiço que existiu entre nós quando nos conhecemos acabou.
E senti sua falta é claro, não me conformava por estar me separando de quem eu era loucamente de paixão, mas isso tragicamente não mudou, nosso mundo tinha se dividido, eu já não pertencia mais a você.
E tive que dar uma mudança na minha vida, fui ficando auto independente e já não tinha mais necessidade de ter você na minha vida, era uma ilusão que eu criei com o tempo.
Hoje restaram somente cinzas que foram embora com o vento que vinha me beijar e depois ia deixando as cicatrizeis na minha memória.
Fico imaginando como teria sido inútil a minha vida se eu não tivesse te conhecido, e estou agradecendo por ter sido importante na minha vida!
Um dia encontraremos alguém que também seja importante em nossa vida.
Faça o seguinte: assopre o pensamento triste, deixe escorrer a última lágrima, conte até vinte.
Abra a janela, aquela que dá para o voo dos pardais, procure a luz que pisca lá na frente. Evite as sombras que ficaram lá pra trás.
Ao encontrá-la, coloque-a dentro do peito de tal jeito que possa ser notada do lado de fora. Acrescente agora uma pitada de poesia, do tipo que passa por nós todos os dias e nem sequer consegue ser notada.
Aumente o brilho, com toda a intensidade que um sorriso é capaz.
A felicidade é o seu limite e o paraíso é você mesmo quem faz!
De manhãzinha,
com o jardineiro
e sua mangueira,
vem o beija-flor.
Baila nos galhos,
baila, oscila e voa
em volta da roseira.
Brilha a alegria
em seus olhinhos.
Ergue as asas,
abre o bico,
engolindo pingos
e respingos
na delícia da água.
O peito sobe e desce
no côncavo de uma folha
— sua banheirinha.
Até que o sol vem
formando arco-íris
em sua plumagem
e ele flutua, fulgura,
beijando a luz.
Há longo, longo tempo, compareceram no Tribunal Divino dois homens recém-chegados da Terra. Um trazia o sinal da muleta em que se apoiara. Outro mostrava a marca da coroa que lhe havia adornado a cabeça.
Fariam prova de humildade para voltarem ao mundo ou seguirem além... Postos, um a um, na balança. O primeiro acusou enorme peso. Era ainda presa fácil de lutas inferiores, parecendo balão cativo.
O seguinte, no entanto, revelava grande leveza. Poderia viajar em demanda dos cimos. Inconformado, contudo, disse o primeiro: – Onde a justiça divina? Fui mendigo paupérrimo, enquanto ele...
E indicando o outro: – Enquanto ele era rei... Passei fome, ao passo que muita vez o vi no banquete lauto. Esmolava na rua, avistando-o na carruagem. Conheci a nudez, reparando-o sob o manto dourado, quando seguia em triunfo. Vivi entre os últimos, ao passo que ele sempre aparecia como o primeiro entre os primeiros.
O outro baixou a cabeça, humilhado, em silêncio.
Mas o amigo sereno, que representava o Senhor, falou persuasivo: – Viste-o na mesa farta, mas não lhe percebeste os sacrifícios ao comer por obrigação. Notaste-o de carro. entretanto, não lhe observaste o coração agoniado de dor, ante os problemas dos súditos a que devia assistência. Fitaste-o sob dourado manto, nos dias de júbilo popular. todavia, não lhe contemplaste as chagas de sofrimento moral, diante das questões insolúveis.
Conheceste-o entre os maiorais da Terra. entretanto, não sabes quantos punhais de hipocrisia e de ingratidão trazia cravados no peito, embora fosse obrigado a sorrir. Na situação de mendigo, não fostes lançado a semelhantes problemas da tentação. Diante do companheiro triste, o ex-monarca recebeu passaporte para a ascensão sublime.
Sozinho e em lágrimas, perguntou, então, o ex-mendigo: – E agora?
O ministro angélico abraço-o, sensibilizado, e informou: – Agora. Renascerás na Terra e serás também rei.