Eu sempre estive habituada a ver você todos os dias. Receber seu beijo carinhoso e te preparar agradáveis refeições. Todos os cuidados que eu tinha para que você se sentisse acarinhado e confortável, eram apenas manifestação de amor, tarefas que eu desempenhava com todo o prazer de quem quer bem a seu filho.
Mas você teve de ir para longe e nossa casa está mais vazia agora. Quando eu entro em seu quarto, sou invadida por memórias de tempos outrora vividos e ao pensar como tudo mudou, sinto um grande mar de saudades. Nossa família perdeu o brilho com sua ausência mais prolongada e, por isso, conto todos os agonizantes dias que espero até te rever.
Meu querido filho, como doí não ter você por perto, o bem precioso que queria aconchegar debaixo de minha asa para sempre. Pudesse esta distância ser encurtada ou nunca ter deixado cortar nosso cordão umbilical, e eu seria a mãe mais feliz desse mundo.
Eu nunca vou largar sua mão! Eu amo você, amo sem limite. É algo incondicional! É por isso que preciso que você me deixe ajudar. Você não está passando por uma fase positiva – é verdade, mas não permita que a infelicidade tome conta de todos os momentos dos seus dias.
Você é forte, meu amor! Eu sei que me casei com um guerreiro. Por favor, tenha fé, esperança. E deixe o resto comigo. Eu vou fazer você feliz novamente!
Você que mudou meu jeito, me fez arriscar, me ensinou a ser livre, sem medo de errar...
Você que me sorriu, iluminando meus dias, modificou o meu mundo, me trazendo alegrias...
Você que fez surgir o melhor de mim, será que é possível tal amor assim?
Incondicionalmente amarei-te até a morte, és meu mundo, és meu tudo, és a minha boa sorte.
Com amor eu te dedico, em versos a minha gratidão.
Por ser parte de minha vida, alma e coração.
De sua mãe que ama além da vida.
O "pequeno" cresceu. A mãe o ensinara a crescer... e crescer significa ser responsável tomando decisões e assumindo consequências.
Aprendeu. Cresceu tanto, que decidiu ir. Decidiu por si mesmo, sem perguntar se a mãe ia sofrer. Nem para a própria mãe e nem para ele mesmo.
– "Vou experimentar. Se não gostar, volto." Nem aquele: "você não fica triste?", de quando era pequeno. E a mãe racionaliza que é um direito dele querer ir e pensou:
– "Vai ser bom pra ele. – Que bom!" O menino aprendera a se respeitar, a seguir os próprios impulsos medindo as consequências por si mesmo.
Sentindo-se vitoriosa, a mãe constatou que conseguira ensinar, com simples palavras e atitudes, o que aprendera por si mesma a duras penas.
Racionalmente, tudo bem! Mas mãe, aquela que vem das entranhas, que gerou, que pariu, não consegue ver a pessoa do filho, mas a sua cria. É animal. Não animal sem alma, mas com um instinto tão forte que sufoca a razão.
A vitória se manifesta em choro. Saudade. De manhã, o barulhinho do chuveiro, o rock baixinho no quarto. À tarde, o telefone, sempre ocupado. De madrugada, a televisão ligada. Copos pelo chão. Tênis pelos cantos. O sono pesado e inconsequente da adolescência e juventude.
No armário vazio, só os cabides atestam: ele não mora mais ali. Vai voltar?... a mãe só sabe que o quarto vazio, irritantemente arrumado, dói demais... e vai doer ainda, até que a mulher consiga refazer a mãe dentro de si e fique apenas feliz porque o menino cresceu.
Um mês depois, a mãe encara o menino crescido. Não dói mais. Está refeita, plenamente feliz e sente orgulho, pois: O "pequeno" cresceu e não se foi... apenas mudou de endereço.
Ser feliz é chegarmos ao fim do dia e, ainda que cansados, sentirmos que desfrutamos de bons momentos. Ser abençoado é perceber, antes de adormecermos, que temos os melhores amigos deste mundo do nosso lado. Por isso, desejo um bom sono e uma boa noite de descanso para vocês, meus queridos companheiros. Amanhã precisaremos dessa energia, para juntos sermos felizes.