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Quisera eu... Em meus devaneios No meio da noite não viessem Ah! Minha alma quimera Deveras valessem a pena Pena que não veio quem era Sonhos outrora adormecidos Não despertasse, fossem esquecidos Antes de o sol raiar.
Quisera eu... Fossem os meus pensamentos belos Não pesadelos, delírios nas madrugadas Um coração que rejeita Sofre mas não aceita Uma alma ferida Ah! Se as flores nos campos nascessem Antes de a primavera chegar.
Quisera eu... No meio de tantas utopias Quem me dera sonhar Com o voo do beija-flor O canto do sabiá Numa pequena flor de maracujá O dia voltasse a brilhar Antes de a chuva cair.
Quisera eu... Agora a chuva já cai lá fora A aurora chega na hora E eu aqui dormindo em minha cama O tempo chora por mim São só lágrimas que caem, molhando o meu travesseiro Eu acordo pela manhã, estou sozinho Chorando de saudades de você.

Um velho Mestre pediu a um jovem triste que colocasse uma mão cheia de sal em um copo d'água e bebesse.

- "Qual é o gosto?" perguntou o Mestre.
- "Ruim" disse o aprendiz.

O Mestre sorriu e pediu ao jovem que pegasse outra mão cheia de sal e levasse a um lago. Os dois caminharam em silêncio e o jovem jogou o sal no lago, então o velho disse:

- "Beba um pouco dessa água". Enquanto a água escorria do queixo do jovem, o Mestre perguntou:
- "Qual é o gosto?"
- "Bom!" disse o rapaz.
- "Você sente gosto do sal?" perguntou o Mestre
- "Não" disse o jovem.

O Mestre então sentou ao lado do jovem, pegou sua mão e disse:
- "A dor na vida de uma pessoa não muda. Mas o sabor da dor depende aonde a colocamos. Então quando você sentir dor, a única coisa que você deve fazer é aumentar o sentido das coisas. Deixe de ser um copo...Torne-se um lago!"

É muito difícil habituar-se a este silêncio prolongado, não ter vocês ao meu lado me fez ver que não existe beleza nenhuma em sentir saudades, principalmente quando se tem uma família tão especial e unida como a minha.

Tenho saudades dos abraços no domingo, das conversas sem sentido e das briguinhas com os primos. Tenho saudades das dormidas na casa da vovó e de toda a quantidade de mimos recebidos. Tenho saudades também do consolo nos momentos mais tristes e de como as alegrias eram sempre compartilhadas e bem recebidas.

Hoje me contento com as lembranças e fico na expectativa que o tempo passe voando, para poder encontrar novamente esta família tão linda! Cada segundo sem vocês é um sacrifício, meu coração já não aguenta de tanto amor acumulado para ser dividido.

Uma lição interessante eu tive quando estava saindo para o escritório.
Quando abri a porta da garagem, eu surpreendi uma grande borboleta. Imediatamente ela voou em direção ao que percebera como ponto de fuga, um pequeno círculo – no alto da garagem, onde freneticamente tentava sair através da invisível parede de vidro.
Eu abri a porta da garagem com a esperança de ajudar na fuga. Isto fez com que ela voasse para mais alto e mais alto até ficar presa à uma teia de aranha. Temendo que ela acabasse morrendo presa na teia, apanhei uma vassoura e a ajudei a escapar das finas linhas.
Nisto, ela retornou furiosamente a agitar suas asas, batendo contra o vidro, que era, em sua perspectiva, o caminho de fuga, mas permanecia presa em sua gaiola.
Bastava, simplesmente girar seu enfoque para o lado, e teria facilmente saído de sua prisão. Entretanto, devido a manter sua atenção em uma única direção, permaneceu limitada, cativa.

Pai, o teu destino é igual ao meu
Por tudo que recordo no momento:
Caminho com os olhos fitos no firmamento
Acompanhando de perto o passo teu.

Viver sem ambição e sem maldade,
Ser igual a quem nos deu a vida
É como a fera adormecida.
Que adormece para a posteridade.

Só mesmo o brio do teu passado humano,
A tua força e formação moral
Me fizeram o pai, tão semelhante e igual
Que deste destino tão bom eu me ufano.

A todos eu dedico o meu alento,
Com amor e com bondade assim eu prego:
Não nasci para viver de sofrimento,
A todas as maldades humanas eu renego.

Vivo contente e confiante em mim,
Não me alegra o desespero alheio;
E desconheço mesmo qual o meu fim,
Sinto repulso pelo próprio meio.

E o teu nome é feito, pai amado,
Levarei comigo bem guardado,
Como lembrança de todo universo.

Para que Deus com sua bondade eterna
Transforme os corações dos entes desta terra,
Daqui por diante não farei mais versos.