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Como estás? Deves estar a aproveitar as tuas férias nessa aldeia sossegada e bucólica, junto dos teus pais. Eu estou aqui de novo a lembrar o nosso amor. Mais uma vez escrevo para dizer que sinto muita saudades tuas. Que fico agoniada, a contar nos dedos, calculando os dias que faltam pra tu voltares.
Fica sabendo que tu és aquele que mexe com a minha cabeça e me deixa assim apaixonada. É difícil dizer numa mensagem, o amor e a saudade que esse sentimento me causa. Tu apareceste na minha vida para me encantar. Percebi que já na não posso viver sem ti.
Agora, contigo longe, parece que o tempo demora mais pra passar. Os dias são mais compridos, parecem meses. E as noites são mais sombrias e solitárias. Na tua ausência está o meu grande pesadelo. Não dá para ficar muito tempo longe de ti. Não queira saber a angústia que sinto quando estamos distantes. Quase não suporto a dor.
O amor é mesmo assim, embriagador e envolvente. Difícil é suportar a distância. Sei que é uma separação breve, uma simples viagem de férias na aldeia dos teus pais. Só fico feliz ao lembrar que logo estaremos juntos, logo poderei dizer baixinho no teu ouvido, as palavras que tu gostas de ouvir.
Estou à espera ansiosa.

Naquela comunidade de franciscanos, frei Teófilo era o responsável pela sopa dos pobres. Todos os dias de manhã, ia recolher verduras e legumes na horta, trazia ossos do açougueiro da vila (para aproveitar o tutano) e depois preparava uma substanciosa sopa num grande caldeirão de ferro. Enquanto a sopa cozia, aproveitava para fazer um exercício devocional individual.
Muitos anos continuou ele nesse serviço e nesta devoção. Um dia, embora de olhos fechados em prece, percebeu uma luminosidade incomum no ambiente. Abriu os olhos e viu, rodeada por intensa luz, a figura viva do Cristo à sua frente! Instintivamente Teófilo se prostrou. Seu coração batia descompassadamente, ameaçando romper-se de alegria!
Mas seu arrebatamento foi interrompido: a campainha da porta da rua soou estridentemente, eram os pobres! Teófilo titubeou: — Oh! Jesus! Como deixar esta revelação pela qual aspirei e esperei a vida inteira. E que direito têm os pobres de interromper este êxtase sublime?
Ergueu implorativo olhar, mas o Mestre apenas o observava, atentamente. A campainha tocou outra vez. Movido pelo dever, o frade suspirou, inclinou-se ante o Cristo e correu à cozinha. Tomou o caldeirão e a concha e dirigiu-se à porta. Os pobres já estavam nervosos. Teófilo os serviu pacientemente, mas ainda estava ansioso e emocionado.
Quando terminou sua tarefa, tornou à cozinha, deixou ali os apetrechos e olhou esperançoso para seu quarto: ainda estava esplendidamente iluminado!
Entrou: Cristo o esperava! Comovido e jubiloso ajoelhou-se e, então, o Mestre lhe disse: – Teófilo, Eu me teria ido... Se tivesses ficado...!

Que mundo seria este sem a juventude? Sem a jovialidade das pessoas e das coisas? Seria um planeta calado, surdo e quieto!

São os jovens que praticam a mudança, que dão o exemplo ao presente através dos seus ideais de futuro. É na juventude que qualquer nada vira razão, que todo pouco cresce até ao infinito da existência. Jovens, o melhor que o mundo tem!

Um barulho ressoa na noite. O pai vai ver a filha de seis aninhos. Abre a porta do quarto devagar e leva um susto. Nas paredes, pôsteres.
No chão, pares de tênis jogados, camisetas, jeans, revistas e CDs. No canto, um computador internetado num "teen chat". Sumiram as bolsinhas, as agendinhas, as bonequinhas, os albunzinhos de figurinhas.
Aproxima-se da cama. Outro susto. Dorme ali uma moça. Reconhece-a. É a Filha. A pele lisinha do rosto agora tem espinhas. As sobrancelhas, o nariz e os lábios estão delineados e fortes. O cabelinho fio reto transformou-se em um repique. O tórax, antes magricela, abriga agora um par de seios.
O pai desespera-se. O que está acontecendo? Acha que está louco. Abraça-a forte e começa a pensar. Por que não brincou mais com ela quando criança? Por que não a levou mais vezes ao parque, ao clube, ao cinema? Por que não lhe contou mais historinhas?
Por que não bebeu menos cerveja com os amigos e mais guaraná com ela? Por que não lhe dedicou mais tempo nas tarefas ? Por que trabalhou tanto e a viu tão pouco?
O pai sai chorando. Do pranto passa aos gritos. A mãe, com muito custo, o acorda. Atônito, ele corre para o quarto da Filha.
Desta vez não há pôsteres, nem tênis, nem jeans, nem revistas, nem CDs. Estão lá as bonequinhas, os albunzinhos e as agendinhas. Está lá a filha de seis aninhos.
Abraça-a forte e suspira aliviado, enquanto refaz a agenda da sua vida. Ainda há tempo...

À tarde, o cavalinho branco
está muito cansado:

mas há um pedacinho do campo
onde é sempre feriado.

O cavalo sacode a crina
loura e comprida

e nas verdes ervas atira
sua branca vida.

Seu relincho estremece as raízes
e ele ensina aos ventos

a alegria de sentir livres
seus movimentos.

Trabalhou todo o dia, tanto!
desde a madrugada!

Descansa entre as flores, cavalinho branco,
de crina dourada!