Derramai Senhor, sobre nós a vossa bênção para que o nosso amor de ontem e hoje dure eternamente.
As muitas águas não poderiam apagar este amor, nem os rios afogá-lo.
A nossa aliança de amor é abençoada por Deus em busca da eternidade.
É sempre fácil
examinar as consciências alheias,
identificar os erros do próximo,
opinar em questões que não nos dizem respeito, indicar as fraquezas dos semelhantes, educar os filhos dos vizinhos, reprovar as deficiências dos companheiros, corrigir os defeitos dos outros, aconselhar o caminho reto a quem passa, receitar paciência a quem sofre e retificar as más qualidades de quem segue conosco...
Mas enquanto nos distraímos,
em tais incursões a distância de nós mesmos, não passamos de aprendizes que fogem, levianos, à verdade e à lição.
Enquanto nos ausentamos do estudo de nossas próprias necessidades, olvidando a aplicação dos princípios superiores que abraçamos na fé viva,
somos simplesmente cegos do mundo interior relegados à treva...
Despertemos, a nós mesmos,
acordemos nossas energias mais profundas para que o ensinamento do Cristo não seja para nós uma bênção que passa, sem proveito à nossa vida,
porque o infortúnio maior de todos
para a nossa alma eterna é aquele que nos infelicita quando a graça do Alto
passa por nós em vão!...
Após um naufrágio o único sobrevivente agradeceu a Deus por estar vivo e ter conseguido se agarrar a parte dos destroços, e ficar boiando. Este único sobrevivente foi parar em uma ilha desabitada e fora de qualquer rota de navegação. E ele agradeceu novamente.
Com dificuldade, pegou os restos dos destroços e conseguiu montar um abrigo que pudesse protegê-lo do sol, da chuva, dos animais e guardar seus poucos pertences. Como sempre agradeceu a Deus.
Nos dias seguintes, a cada alimento que conseguia caçar ele agradecia. No entanto, um dia quando voltava para casa, encontrou o abrigo em chamas, envolto em nuvem de fumaça. Desesperado ele se revoltou e gritou chorando:
- O pior aconteceu! Perdi tudo! Deus por que fizeste isso comigo? Chorou tanto que adormeceu de canseira.
No dia seguinte, bem cedinho, foi despertado pelo som de um navio que se aproximava.
- Viemos resgatá-lo, disseram...
- Como souberam que eu estava aqui? – perguntou o náufrago.
- Nós vimos o seu sinal de fumaça...
É comum nos sentirmos desencorajados e até desesperados quando as coisas vão mal... Mas Deus sempre age em nosso benefício, mesmo nos momentos de dor e sofrimento. Não se esqueça disso!
Por você eu desfaço planos, remarco compromissos, reescrevo, desconverso, refaço.
Por você eu me viro do avesso, do reverso, sei lá, eu invento, arranjo um jeito.
Perco a hora e a noção do tempo. Perco o juízo – 'vezenquando'.
Por você e por causa de você, sou pote de amor transbordando.
Vossos filhos não são vossos filhos,
são os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.
Vêm através de vós, mas não de vós.
E embora vivam convosco, não vos pertencem.
Podeis outorgar-lhes vosso amor,
mas não vossos pensamentos.
Porque eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;
Pois suas almas moram na mansão do amanhã,
que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles,
mas não podem fazê-los como vós,
Porque a vida não anda para trás
e não se demora com os dias passados.
Vós sois os arcos dos quais vossos filhos
são arremessados como flechas vivas.
O Arqueiro mira o alvo na senda do infinito
e vos estica com toda a sua força
para que suas flechas se projetem rápido e para longe.
Que vosso encurvamento na mão do Arqueiro seja vossa alegria;
Pois assim como Ele ama a flecha que voa,
ama também o arco que permanece estável.
Khalil Gibran