Não vou dizer que preciso de você, porque infelizmente, não posso precisar. Não vou dizer que gosto de você, porque você não merece meu amor. Não vou dizer que não sofri, porque ao contrário de você, não tenho medo de ser feliz. Não vou dizer que o mundo é cruel, porque eu tenho certeza que para você ele será pior. Não vou dizer que achei normal, porque para mim sinceridade é fundamental. Não vou dizer que não chorei, embora você não mereça. Não vou dizer que sinto saudade, sentir saudade do que nunca foi meu, de fato, seria patético.
João é o tipo do cara que você gostaria de conhecer. Ele está sempre de bom humor e sempre tem algo de positivo para dizer. Se alguém perguntar como ele está, a resposta sempre vai ser: Se melhorar estraga!
Fiquei tão curiosa com o jeito de ser do João, que um dia disse pra ele: Você não pode ser uma pessoa tão positiva assim, o tempo todo. Como é que você consegue?
Ele me respondeu que toda manhã, quando acorda, diz pra ele mesmo: João, você tem duas escolhas. Pode ficar de bom humor ou de mau humor. Escolho ficar de bom humor. Eu argumentei que não é fácil estar sempre de bom humor...
É fácil sim, o João respondeu. A vida é feita de escolhas. Você escolhe como reagir às situações e de que forma as pessoas vão afetar o seu humor. É sua a opção de como você vai viver a sua vida.
o tempo passou e eu soube que o João tinha sido assaltado e baleado pelos assaltantes. Por sorte foi encontrado a tempo de ser socorrido.
Tempos depois, encontrei novamente o João. Quando perguntei como ele Estava respondeu: Se melhorar estraga. Fiquei surpresa e perguntei o que o levava a responder sempre daquele jeito otimista...
Ele contou que durante o assalto, deitado no chão, todo ensanguentado, lembrou que tinha duas escolhas: Poderia viver ou morrer. E ele escolheu viver.
Ele me contou que quando entrou na sala de emergência do hospital e viu a expressão dos médicos, ficou apavorado: Achei que eles olhavam pra mim pensando: Esse cara já era!
João, então, decidiu que tinha que fazer alguma coisa. Quando uma enfermeira quis saber se ele era alérgico a alguma coisa, Respondeu que era sim:
Sou alérgico a balas, gritei. Depois, rindo, eu disse pra eles: Estou escolhendo viver, me operem como um ser vivo, não como morto.
João sobreviveu graças à persistência dos médicos, mas também graças à sua atitude sempre positiva.
Aprendi com o João que todo dia temos a opção de viver plenamente. Afinal de contas, atitude é tudo, né mesmo? Viva intensamente! E com muito carinho...
Amigos, nos surpreendemos com momentos diferenciados de alegria ou dor, onde a solidariedade e a fraternidade afloram na maior parte das pessoas.
O bom exemplo no aspecto de alegria são as festas de fim de ano, com o clima agradável que se instala nas casas e em todos os ambientes em geral, algo no ar que nos sensibiliza, e fatos que em outras épocas passam desapercebidos, na época do Natal e fim de ano nos leva às lágrimas.
Como exemplo de consternação temos os momentos das tragédias coletivas, onde a coletividade se mobiliza, onde as lágrimas nos visitam os olhos como a indagar porque tantos irmãos nossos foram levados a tamanhos sofrimentos. Notemos que os chamamos de irmãos, sejam de que continente for, ideologias políticas diferentes, concepções religiosas bastante diferente das nossas...
Não nos surpreendamos, pois é natural que quando direcionamos pensamentos e sentimentos (mesmo pequena parcela) para um objetivo de fazer algo por alguém (diminuindo-lhe a dor), compreendemos mais as pessoas que nos cercam, doamos algo de nós mesmos para os semelhantes que também lutam pela vida.
Fazemos o que geralmente não fazemos em outras situações: olhar mais para outrem, notá-los, sentir que são pessoas como nós, com sonhos, temores, expectativas. Queremos abraçar, consolar, secar prantos.
Um dia aprenderemos a estender para todos os dias essa postura de alegria contagiante ou de solidariedade vibrante que nos toma nessas ocasiões.
Sou capaz de merecer
Teu beijo a tempo de
Desfrutar do teu desejo.
Sou parte do teu ser
Se ainda não percebeste.
Sonha comigo no teu detalhe,
Nas esquinas frias e quentes do teu pensamento...
Sonha de verdade, com afinco.
Somente assim, o amor chegará a tempo!
Quando era pequeno minha mãe costurava muito.
Eu me sentava perto dela e lhe perguntava o que estava fazendo.
Ela me respondia que estava bordando.
Eu observava seu trabalho de uma posição mais baixa de onde ela estava sentada, e sempre lhe perguntava o que estava fazendo, dizendo-lhe que de onde eu estava o que ela fazia me parecia muito confuso. Ela sorria, olhava para baixo e gentilmente dizia:
"Filho, saia um pouco para brincar e quando terminar meu bordado te chamarei e te colocarei sentado em meu colo e te deixarei ver o bordado desde a minha posição".
Perguntava-me porque ela usava alguns fios de cores escuras e porque me pareciam tão desordenados de onde eu estava.
Minutos mais tarde escutava-a chamando-me:
"Filho, vem e senta-te em meu colo".
Eu o fazia de imediato e me surpreendia e emocionava ao ver a formosa flor e o belo entardecer no bordado.
Não podia crer. de baixo parecia tão confuso.
Então minha mãe me dizia:
"Filho, de baixo para cima tudo te parecia confuso e desordenado, porém não te ocorria de que há um plano acima.
"Havia um desenho. só o estava seguindo. Agora olhando-o da minha posição saberás o que estava fazendo".
Muitas vezes ao longo dos anos tenho olhado para o céu e dito:
"Pai o que estais fazendo?" Ele responde: "Estou bordando tua vida." E eu lhe replico:
"Mas está tudo tão confuso. em desordem. Os fios parecem tão escuros, porque não são mais brilhantes?"
O Pai parecia dizer-me:
"Meu filho, ocupa-te de teu trabalho e Eu farei o meu. um dia te trarei ao céu e te colocarei em meu colo e então verás o plano desde a Minha posição."