Sinto saudade! Uma saudade que dói fisicamente. Uma saudade que machuca minha mente. Queria tanto ter você aqui junto de mim, meu pai!
Queria mais um abraço; precisava de mais um aperto de mão, de mais uma palavra de orientação. Você foi cedo demais, aliás, sua ida seria sempre injusta e cedo demais! Um dia estaremos juntos novamente – eu prometo! Até lá, meu pai!
Não sejas precipitado(a) e não me julgues louca, mas é que hoje percebi que os verdadeiros amigos não crescem em árvores, e então pensei em ti e fiquei muito feliz!
Sabes, a única coisa em comum, a única relação que se pode fazer entre um amigo e uma árvore diz respeito ao cultivo e ao cuidado. A verdadeira amizade começa do tamanho de uma singela semente e, se bem tratada, regada e alimentada com carinho, crescerá na medida do afeto que lhe for dedicado.
Continuando com a comparação, sinto que o nosso envolvimento afetivo já ganhou a força de uma árvore, porque a amizade, a lealdade e a confiança que dedicamos uma à outra (um ao outro) é resultado de raízes bem aprofundadas nos nossos corações, e a consequência disso é que há mais flores nos nossos caminhos quotidianos e mais frutos doces para nós à beira das estradas...
Digo isso porque é muito difícil caminhar sozinha, e tenho a certeza de que a inspiração proveniente da sua amizade e do seu carinho tem feito o meu dia-a-dia mais feliz! Como já disse, amigos não crescem em árvores! Então, posso me considerar uma pessoa de sorte, pois encontrei em seu coração um generoso bosque de bons sentimentos, os quais pretendo retribuir por toda a minha vida!
Sabe aqueles dias que tudo parece estar distante, vazio e incompleto?
Dias em que tudo some de circulação e nada fica focado?
Parece que memórias do ontem nos prendem no hoje e impedem todo o planejamento do amanhã.
Perdemos até o ar.
Os amigos não estão por perto e tampouco nós os buscamos.
Tentamos procurar distração nas coisas que, geralmente, nos deixam "ocupados".
O pior é que muitas vezes não conseguimos.
Deitamos-nos, o sono vem chegando aos poucos,
fazendo-nos esquecer momentos em que não deixamos que o nosso "eu"
respondesse pelas nossas angústias.
Já não sentimos mais nada, mas até inconscientemente,
percebemos que os sonhos já não aparecem constantemente.
Estranho...
O diferente se torna monótono. O desconhecido, desinteressante.
O errado continua errado, mas o certo todos querem questionar e, mesmo assim, nem todos aceitam.
Olhe o dia amanhecendo e você vai sentir que, em quase tudo, há anjos tecendo o alvorecer.
Uns são raios de sol que vêm descendo, para iluminar o que de bom a gente sonha fazer.
Outros são canções suaves que quando em silêncio, a gente ouve em toda fonte que jorra, em cada onda que bate, em cada sopro de vento, em cada silvo selvagem, em cada bicho que corre, em cada flor ao nascer.
Eles são fontes de energia e proteção, presentes em seus planos, desejos, vontades, em tudo o que o amanhecer inspira.
Só que é preciso fechar os olhos para ver, e ouvir o coração dizendo que a gente é como gota de água, nesse mar imenso do universo, com o poder infinito de transformar o que é invisível em cores do arco-íris.
Acredite.
Cada manhã dá luz a um novo dia, mas é você quem faz nascer a alegria.
Minha amiga Mildred fazia progresso, recuperando-se lentamente de um derrame cerebral. Ela ainda lutava para sentar-se direito e para falar.
A cada vez em que eu a visitei no asilo, as linhas de frustração em seu rosto estavam um pouco mais profundas. A frase que ela mais pronunciava era, - Por que?
E nada que eu dissesse trazia-lhe conforto. Lutei também. Em minhas orações eu pedi, - Senhor, como posso ajudar?
Certa noite me despedi de Mildred e fui jantar com minha mãe. Fui ao banheiro lavar as mãos e notei algo peculiar: uma longa faixa de papel higiênico cobria boa parte da bacia da pia.
- Mãe, o que este papel está fazendo aqui? Perguntei.
- Havia uma aranha na pia. Ela deslizava toda vez que tentava sair e eu quis ajudá-la, então eu fiz uma escada.
Minha mãe respondeu.
- Acho que funcionou. Ela não está mais aqui. Respondi.
Retirei a "escada", pensando em minha amiga Mildred. Ela estava presa também, e eu já tinha trabalhado muito tentando levanta-la. Talvez o que ela precisasse fosse mais como o que minha mãe tinha oferecido à aranha.
Em minha visita seguinte, Mildred outra vez perguntou, - Por que?
Eu não tentei achar uma razão. Eu peguei em sua mão e, no silêncio, eu vi como a amizade pode ser uma escada. Palavras ou explicações deixaram de ser necessárias, apenas a simples confiança da amizade e minha amiga Mildred percebeu que não encararia sua luta sozinha.