Eu percebia que meu comportamento aborrecia muito os meus pais, porém pouco me importava com isso. Desde que obtivesse o que queria, dava-me por satisfeito. Mas, é claro, se eu importunava e agredia as pessoas, estas passavam a tratar-me de igual maneira. Cresci um pouco e um dia percebi que a situação era desconfortante. Preocupei-me, mas não sabia como me modificar.
O aprendizado aconteceu num domingo em que fui, com meus pais e meus irmãos, passar o dia no campo. Corremos e brincamos muito até que, para descansar um pouco, dirigi-me à margem do riacho que corria entre um pequeno bosque e os campos. Ali encontrei uma coisa que parecia uma pedra capaz de andar. Era uma tartaruga.
Examinei-a com cuidado e quando me aproximei mais, o estranho animal encolheu-se e fechou-se dentro de sua casca. Foi o que bastou. Imediatamente decidi que ela devia sair para fora e, tomando um pedaço de galho, comecei a cutucar os orifícios que haviam na carapaça. Mas os meus esforços resultavam vãos e eu estava ficando, como sempre, impaciente e irritado.
Foi quando meu pai se aproximou de mim. Olhou por um instante o que eu estava fazendo e, em seguida, pondo-se de cócoras junto a mim, disse calmamente: "Meu filho, você está perdendo o seu tempo. Não vai conseguir nada, mesmo que fique um mês cutucando a tartaruga. Não é assim que se faz. Venha comigo e traga o bichinho."
Acompanhei-o. Ele se deteve perto da fogueira acesa e me disse: "Coloque a tartaruga aqui, não muito perto do fogo. Escolha um lugar morno e agradável." Eu obedeci. Dentro de alguns minutos, sob a ação do leve calor, a tartaruga colocou a cabeça de fora e caminhou tranquilamente em minha direção. Fiquei muito satisfeito e meu pai tornou a se dirigir a mim, observando: "Filho, as pessoas podem ser comparadas às tartarugas. Ao lidar com elas, procure nunca empregar a força. O calor de um coração generoso pode, às vezes, levá-las a fazer exatamente o que queremos, sem que se aborreçam conosco e até, pelo contrário, com satisfação e espontaneidade."
Foi tão rápido.
Me lembro dos dias em que brincávamos.
Dessa brincadeira elevou a um sentimento mais forte, que entrelaçou nossos corações, nossas vidas.
Peguei à tua mão, estava fria...
Te acariciei, mas sua pele estava sem aquele seu belo pigmento que me paralisavam o olhar, por haver tanta formosura.
Te beijei... Seus lábios não me corresponderam.
Estavam frios.
Sussurrei em seus ouvidos o que eu realmente sentia por você.
Mas... Você nem se quer se reagiu.
Entrelacei meus dedos nos teus; mas os teus não se envolviam com os meus.
Te abracei, e não senti o calor corporal vindo de você.
Senti uma sensação estranha.
Olhei para os teus lindos e perfeitos traços.
Coloquei minha mão em seu peito... E não senti o coração bater... Foi aí que percebi que os anjos a levaram, levaram para bem longe, onde não podia encontrá-la, mas que era bom.
A sua ausência foi por mim profundamente sentida... E aí percebi que já se fora meu amor...
Grande mortal... Que foras cair nos braços da morte apelando por socorro! Sendo vítima de um trágico fim causado pelo AMOR de homens que não tinham o amor por significado... Esses sim não são dignos de amar...
Ela se foi... Anjo se tornou.
Conta uma lenda que no principio do mundo, quando Deus decidiu criar a mulher, viu que havia esgotado todos os materiais sólidos no homem e não tinha mais do que dispor.
Diante deste dilema e depois de uma profunda meditação, fez isso: Pegou a forma arredondada da lua, as suaves curvas das ondas, a terna aderência das bromélias, o tremulo movimento das folhas, a forma esbelta da palmeira, a nuance delicada das flores, o amoroso olhar do cervo, a alegria do raio de sol e as gotas do choro das nuvens, a inconstância do vento e a fidelidade do cão, a timidez da tartaruga e a vaidade do pavão, a suavidade da pena do cisne, e a dureza do diamante, a doçura da pomba e a crueldade do tigre, o ardor do fogo e a frieza da neve.
Depois de uma semana veio o homem e lhe disse: – Senhor, a criatura que você deu me faz desgostoso, – quer toda minha atenção, – nunca me deixa sozinho, – fala sem parar, – chora sem motivo, – se diverte em me fazer sofrer – e venho a devolve-la porque não posso viver com ela. – Bem, respondeu Deus e pegou a mulher.
Se passou outra semana, o homem voltou e lhe disse: Senhor, me encontro muito sozinho desde que eu devolvi a criatura que fizeste para mim, ela cantava e brincava ao meu lado, me olhava com ternura e o seu olhar era uma carícia, ria e seu riso era música, era bonita de se ver e suave ao tato. Devolvam-na, porque não posso viver sem ela.
Envia isto a todas as extraordinárias mulheres que conheças e a todos os homens para que nunca duvidem da qualidade das mulheres que os rodeiam.
É difícil suportar a dor da despedida, principalmente quando a partida é para nunca mais voltar.
Quando dói o coração, todo o corpo dói.
Por que permitimos que as pessoas entrem assim tão dentro da gente a ponto de saírem carregando um pedaço de nós quando partem?
Por que nos damos tanto, nos entregamos tanto, nos deixamos tanto em mãos não tão cuidadosas dos nossos sentimentos?
Deveríamos aprender a ficar na margem, olhando de longe a paisagem calma e nos satisfazer dessa visão, como quem se fascina com uma miragem.
Mas não nos satisfaz olhar.
Humanos que somos, precisamos absolutamente sentir, ao risco de nos afogar e mergulhamos inteiramente.
E, vida afora, vamos mergulhando em promessas de amor eterno, felicidade infinita e mar de rosas.
Não nos questionamos sobre probabilidades de perdas e decepções, pois só de pensar já é doloroso.
Dói dói dói e dói! Mas isso não vai nos impedir de continuar, não vai nos impedir de viver.
Pedaços de nós são ainda partes de nós e ninguém disse que precisamos chegar à velhice inteiros e sem marcas.
Isso é vida! Não desistir, manter-se de pé, doendo, mas de pé, cabeça erguida na direção do desconhecido e peito cheio de esperança que a próxima vez será diferente.
Grandes artistas obtiveram o melhor das suas obras nos grandes momentos de aflição e dor.
Faça o mesmo: Mostre o que de grande há em você tirando partido das suas decepções! Construa-se!
Tenha em mente que não é você que não foi digno daquele amor, mas aquele amor que não foi digno de você.
E se faz parte da vida caminhar entre flores e espinhos, não se esquive do caminho.
Caminhe!
Amanhã talvez seja diferente.
E talvez não.
Mas entre as subidas e descidas, você vai ter sobrevivido.
E vai ter, sobretudo, vivido.