Hoje vi outra nos teus braços Que não era eu
Porque hoje os braços Que me cercam já não são os seus
Porque você se foi Me trocando pela solidão E junto ao tempo Ficou no passado
Os olhos que hoje me veneram Já não são os negros seus São tão suaves e tranquilos Assim como as águas do mar
Hoje já não é tua voz que me nina Mas outro timbre que me anima
Hoje presença que me acalma Não loucura como tu trazias
Hoje alguém que me cuida de verdade Já tomou seu lugar e com dignidade
Hoje... Sinto muito, mas não amo mais você Cansei de sofrer e aprendi reconhecer Quem é digno do meu querer.
Todos os sonhos teimam em terminar e a esperança insiste em desaparecer, nesta vida difícil que tenho pela frente. Diariamente remo contra a maré e ultrapasso diversos obstáculos, mas eles parecem não ter fim.
Não sei por quanto tempo terei forças para lutar. O que me consola é apenas saber que ainda estou de pé. Talvez seja melhor esperar que o tempo me dê as respostas. Por enquanto serei apenas alguém perdido, procurando um abrigo que me proteja contra a chuva que não para de cair.
Se você encontrar uma porta à sua frente, poderá abri-la ou não. Se você abrir a porta, poderá ou não entrar em uma nova sala. Para entrar, você vai ter que vencer a dúvida, o titubeio ou o medo. Se você venceu, você deu um grande passo: nesta sala vive-se.
Mas também tem um preço: são inúmeras as outras portas que você descobre. O grande segredo é saber quando e qual porta deve ser aberta.
Os erros podem ser transformados em acertos, quando, com eles, se aprende. A vida não é rigorosa: ela propicia erros e acertos. Não existe a segurança do acerto eterno.
A vida é generosa: a cada sala em que se vive, descobre-se outras tantas portas. A vida enriquece a quem se arrisca a abrir novas portas. Ela privilegia quem descobre seus segredos, e generosamente oferece afortunadas portas.
Mas a vida também pode ser dura e severa: se você não ultrapassar a porta, terá sempre a mesma porta pela sua frente. É a repetição perante a criação. É a monotonia cromática perante o arco-íris. É a estagnação da vida. Para a vida, as portas não são obstáculos... São apenas diferentes passagens.
Podem até atribuir ao cérebro o poder da razão, mas o coração tem muitas razões que a própria razão desconhece. O coração é emotivo, é verdade, se expressa pela alteração do ritmo das batidas, mas ele sabe das coisas. O coração sabe quando uma pessoa aparece em nossa vida para ser um bem, logo no primeiro encontro, à primeira vista.
Não adianta idealizar, não adianta planejar. Em muitos momentos, podemos pensar naquilo que racionalmente é melhor para nós, mas o coração tem um feeling que não podemos desprezar. É preciso ouvir o coração... Estive com você apenas uma vez, em um primeiro encontro, mas já sei que há algo em você especial para mim.
O simples desejo de ver você novamente, de saber mais de você e passar mais tempo ao seu lado, já é um sinal do coração de que há algo de especial entre nós. E a verdade é que estou louca para descobrir o que é.
O que quero dizer é que adorei o nosso primeiro encontro, e o meu coração mandou dizer que espera não ter sido o último.
Eu, peregrino. Ele o caminho.
Eu, a pergunta. Ele a resposta.
Eu, a sede. Ele a fonte.
Eu, tão fraco. Ele a força.
Eu, as trevas. Ele a luz.
Eu, o pecado. Ele o perdão.
Eu, a luta. Ele a vitória.
Eu, o inverno. Ele o sol.
Eu, doente. Ele o milagre.
Eu, o grão de trigo. Ele o pão.
Eu, a procura. Ele, o endereço.
Meu passado e meu presente em suas mãos.
Meu futuro todo dele.
Eu, no tempo... E Cristo a eternidade.