Como dizer o nome desta dor que no meu coração encaixou?
Como se chamar esta dor que em meu peito bate feito um tambor?
Esta dor que me tira o sono, me deixando enlouquecida, perdida pensando em quem amo.
Esta dor que quando ouço o seu nome, meu coração dispara, por um momento me sinto fora do chão, parece que vou desmaiar. Saudade, só podia ser a antiga saudade.
Saudade tem sabor de amizade, amor talvez, mas a dor é mais forte que todas as dores.
Não sei até quando nem até que horas, mas por te meu coração chora.
Só sei que a saudade te me consome, e a cada voz ouço o seu nome.
Um barulho ressoa na noite. O pai vai ver a filha de seis aninhos. Abre a porta do quarto devagar e leva um susto. Nas paredes, pôsteres.
No chão, pares de tênis jogados, camisetas, jeans, revistas e CDs. No canto, um computador internetado num "teen chat". Sumiram as bolsinhas, as agendinhas, as bonequinhas, os albunzinhos de figurinhas.
Aproxima-se da cama. Outro susto. Dorme ali uma moça. Reconhece-a. É a Filha. A pele lisinha do rosto agora tem espinhas. As sobrancelhas, o nariz e os lábios estão delineados e fortes. O cabelinho fio reto transformou-se em um repique. O tórax, antes magricela, abriga agora um par de seios.
O pai desespera-se. O que está acontecendo? Acha que está louco. Abraça-a forte e começa a pensar. Por que não brincou mais com ela quando criança? Por que não a levou mais vezes ao parque, ao clube, ao cinema? Por que não lhe contou mais historinhas?
Por que não bebeu menos cerveja com os amigos e mais guaraná com ela? Por que não lhe dedicou mais tempo nas tarefas ? Por que trabalhou tanto e a viu tão pouco?
O pai sai chorando. Do pranto passa aos gritos. A mãe, com muito custo, o acorda. Atônito, ele corre para o quarto da Filha.
Desta vez não há pôsteres, nem tênis, nem jeans, nem revistas, nem CDs. Estão lá as bonequinhas, os albunzinhos e as agendinhas. Está lá a filha de seis aninhos.
Abraça-a forte e suspira aliviado, enquanto refaz a agenda da sua vida. Ainda há tempo...
É difícil descrever o que sinto neste momento, aliás, é difícil de explicar o que venho sentindo desde que soube que você seria minha afilhada. É muita emoção e responsabilidade também, mas acima de tudo, é muita alegria e orgulho por terem me escolhido.
Agora entregaremos sua alma ao Criador através do sagrado sacramento do batismo, e a Ele pedirei que a abençoe com muita felicidade, saúde e que na ausência de todos que a amamos, a proteja, cuide e oriente.
Minha linda afilhada, eu prometo que sempre estarei por perto para o que você precisar, e que por toda vida a amarei de forma incondicional, como se fosse minha filha!
Com o tempo a gente percebe que nada é para sempre e que tudo tem o seu fim.
Mas a gente percebe também que quando o ciclo de alguma coisa termina, é sinal que algo bom está começando em outro algum lugar também.
Então não desanime, nem se deixe abater se o ciclo terminou.
Apenas erga a cabeça e tente encontrar essa nova porta que está sendo aberta pra você.
Ser amigo é sentir o coração do outro
bater mesmo que o outro esteja distante.
Ser amigo é ter um par,
um parceiro, um confidente,
um ombro onde se possa chorar.
Ser amigo é esquecer distâncias,
é saber que mesmo a milhares de
quilômetros há alguém pensando em você.
Ser amigo é incutir no outro
a esperança, é relevar o erro,
é apontar o caminho certo, é aliviar a dor.
Ser amigo é um ofício difícil,
pois ninguém é perfeito.
Mas a amizade pressupõe amor.
Para ser amigo, é preciso amar.
E o amor é algo tão difuso, indefinido,
abstrato, que torna difícil definir
o que é a verdadeira amizade.