Dona Joaninha recebeu um par de óculos escuros no dia de seu aniversário. Correu para o espelho para ver se lhe caiam bem e pensou – Hum! Que charme!
Dona Joaninha era bem vaidosa. Toda satisfeita, pôs seu vestido vermelho com bolinhas pretas e saiu para passear.
Infelizmente o dia estava escuro, as flores pareciam tristes, o sol bocejava preguiçoso. Dona Joaninha começou a ficar aborrecida com tudo e voltou pra casa.
Com o passar do tempo a vida foi ficando mais sem graça.
Dona Joaninha resolveu então não sair mais de sua casa. Na folha da palmeira, ficou lá triste, dias e dias.
E foi então que Dona Joaquina sentindo falta de sua prima pensou: – Onde será que anda a prima Joaninha? Sempre tão animada e atenciosa, será que ficou doente? Vou fazer uma visita.
Lá chegando, Dona Joaquina bateu à porta da casa da prima Joaninha. – Quem está aí? – perguntou Dona Joaninha com a voz bem fraquinha.
Quando percebeu que era sua prima, Joaquina ela falou com voz triste: – Entra prima, eu estou aqui tão deprimida, os dias estão sempre tão cinzentos, resolvi ficar aqui quietinha, esperar as coisas melhorarem.
Mas de repente, Dona Joaquina afirmou com um ar de deixa disso: – Que nada prima! Abra logo essa janela. Vamos para o jardim, o dia está maravilhoso, veja que lindas flores, o céu está azul. Acorda, está tudo tão lindo.
Ainda desanimada insistiu Dona Joaninha: – Vejo os dias cinzentos, as flores cinzentas, o céu cinzento, tudo cinzento. Como é que pode? Eu vejo tudo ao contrário do que você diz.
Então Joaquina com a maior naturalidade: – É simples, querida prima, tire esses óculos escuros!
E ela tirou e exclamou: – Que beleza! A cor voltou para as flores, o céu está azul novamente!
E sorrindo Dona Joaquina disse: – Estava assim o tempo todo mulher, é só tirar os óculos escuros!
Entendida a mensagem então vamos lá: Todo mundo tirando os óculos escuros de suas vidas.
Querida filha, quinze anos já se passaram desde o dia mais especial das nossas vidas, aquele em que conhecemos você. Feliz aniversário!
E como o tempo passa rápido, pois ainda ontem você se aninhava pequena e frágil no nosso colo, com seus olhinhos brilhando e seu sorriso ecoando constantemente pela casa, e inundando nossos corações.
Hoje é com tremendo orgulho que vemos você se transformar em uma mulher linda e forte, em uma pessoa maravilhosa com uma vida esplêndida pela frente. Continue sua caminhada, filha linda, sem hesitações, sempre privilegiando seus princípios, seus valores; sempre lutando pelos seus sonhos.
Nós aqui estaremos, todos os dias das nossas vidas, lutando até onde nosso alcance chegar, para que tudo dê certo, para que você seja muito feliz. Nós a amamos muito! Parabéns e celebre em grande estilo este dia, celebre a sua juventude e celebre sempre a vida e o amor!
Em um deserto distante, vivia uma solitária flor. Tão bela, delicada e com um perfume tão bom que a própria areia desviava-se com a ajuda do vento para não molestá-la.
Afinal, era a única flor do deserto... Ela dava à paisagem árida um toque de vida e luz. - Por que nasci assim? – pensava ela – tão longe de minhas irmãs e primas?
Olhava ao redor e só via areia clara e o céu azul. Os grãos de areia adoravam visitá-la. Ela, tão linda e colorida, alegrava e dava vida àquele deserto.
Alguns grãos de areia viajavam dias e dias para conhecê-la. Comentavam entre si como era mais bela a paisagem graças à presença daquela flor. Mas a flor, por não entender sua missão, sentia-se muito só. Se existia um motivo para a sua vida, qual seria ele?
Os grãozinhos de areia tentavam se comunicar com ela, mas por pertencerem a dimensões, ou reinos diferentes (vegetal e mineral), eles não conseguiam transmitir à flor o quão importante e necessária era a sua presença ao deserto.
Em cada amanhecer, a flor olhava ao redor em busca de algum sinal de vida. Deprimida, ela, então, definhou e morreu. Os grãos de areia, que nada puderam fazer, entristeceram-se. Já não queriam mais passear e até o vento, naqueles dias, desistiu de soprar... Perguntavam eles:
- Será que a flor que procurava vida ao seu redor não percebeu que ela era a própria vida?
Ela era a alegria e o colorido da paisagem! Por que insistiu em procurar fora aquilo que estava dentro dela?
Quando tudo o que deveria fazer era seguir na direção oposta, simplesmente não consigo.
A correnteza leva o barco que comanda minha vida em direção a você.
Essa correnteza chamamos sentimento, e o barco, coração.
E quando em um naufrágio me encontro, me agarro à pontinha de esperança que o teu lança, como uma boia salva-vidas que surge do nada, para dizer que está tudo bem.
Que há um porto seguro logo adiante.
E que não importa onde estejas, e para onde sejamos carregados, o vasto céu acima sempre será testemunha desse sentimento que compartilhamos, tanto quanto a terra firme que insiste em aumentar o espaço entre nós.
A gravidez de um pai não se dá nas entranhas, mas fora delas. Ela se dá primeiro no coração, onde o sentimento de paternidade é gerado. Um desejo de ser e de se ver prolongado em outra vida, que seja parte de si mesmo, mas com vida própria. Imagino que deve ser frustrante a princípio.
Durante toda a espera, um pai é um pai sem experimentar o gosto de ser, sem os inconvenientes de uma gravidez, mas também sem as lindas emoções que tanto mexem connosco.
E quando ele sente pela primeira vez a vida que ajudou a gerar, tudo toma outra forma. Ele sente um chute e se diz já que este será um grande jogador de futebol. E muitas vezes se surpreende e se maravilha quando vê uma princesinha que sabe chutar tão bem. Mas tanto faz. Está ali um sonho que se torna palpável.
E um parto de um pai se dá quando ele pega pela primeira vez sua criança nos braços, quando ele se vê em características naquele serzinho tão miudinho que nem se dá conta ainda que veio ao mundo e que se tornou o mundo de alguém. E os sentimentos e emoções se atropelam dentro dele. E ele sente que, a partir desse instante, a vida nunca mais será a mesma. E ele precisa olhar dez, cem, mil vezes para acreditar que tudo não passa de um sonho. E geralmente há um enorme sentimento de orgulho que toma posse dele.
Assim se forma um pai. Pronto para ensinar tudo o que aprendeu da vida, um dia ele descobre que não sabe realmente muito, que na verdade aprende a cada instante. Diante da sua criança ele se torna um adulto vulnerável e acessível. E vai gerando, pouquinho a pouquinho, dentro de si mesmo, a arte de se tornar um pai.