Existem várias dores... Machucar... Bater... Morrer... Mas a saudade - é a dor maior! E, mais dolorida ainda, é a saudade de quem se ama! Da pele. Do cheiro. Do beijo. Da presença. Da ausência.
Quando o amor acaba, pra quem fica amando, sobra a saudade! Saudade de não saber. De não saber o que ocorre com quem se ama...
Saudade de não saber. Não saber o que se fazer com os dias longos que sobram!...
É enterrar o pensamento em coisas vãs... Saudade é chorar ou sorrir numa música... Saudade é o silêncio da ausência.
É não saber... É querer saber... Saudade... é o sempre doer!
Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda.
Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida.
Clarice Lispector
É como o brilho de cristal
Tua boca é tentadora
O teu corpo encantador
Suas palavras enganosas
Me fazem delirar
Se isso for pecado
Eternamente quero pecar!
Querida tia, só queria que você morasse mais perto para podermos partilhar mais vezes aqueles momentos que vivemos quando estamos juntas. Do seu lado eu me sinto bem porque você é uma pessoa maravilhosa, sempre com uma palavra amiga e um bom conselho para dar. Você é um orgulho para mim e tem um espaço eternamente guardado no meu coração.
Gosto de pessoas normais, na medida, no ponto.
Com os seus altos e baixos, crises, neuras, alegrias
Aquelas que riem e choram, que gritam, que batem o pé
As que derrubam comida na roupa, as que amarram o cabelo na balada
As que se permitem errar, experimentar, que se arriscam com o desconhecido, pisam na bola, mas que também acertam, amam
Eu gosto das pessoas palpáveis, de carne e osso!
Eu não tenho medo de voar. Eu tenho medo de estar fechada num lugar e de ter escolhido estar fechada nesse lugar. Tenho medo porque meus pés sentem o chão mas ele é falso. Meus pés sempre me obrigam a sentir a verdade e eu sou obrigada a dizer a eles que aquele chão não dura e nem é de terra. Tenho medo do absurdo que é sorrir e dizer "guaraná normal e sem gelo, grata" enquanto se quer dizer "que merda é essa de estar voando se não sou a porra dum passarinho?". Tenho medo porque quando acabar estarei em outro lugar. Agora, se eu pudesse escolher o maior de todos os medos, eu diria "a chance disso cair agora é muito pequena". Estou sobrevoando, sem inteligência, a água profunda que aprendi a chamar de casa mas também de intervalo. A verdadeira angústia de voar é estar acima da nossa vida. Voar é tornar nossa rotina banal. Estou voando há dias, de primeira classe, com vista para o desenho de um país que não sei o nome. Ao lado de uma pessoa que, até que enfim, não é mais uma barrinha de cereal.
Tati Bernardi