Eu sei como é se segurar e deixar para chorar só quando ligar o chuveiro, assim ninguém percebe.
Eu sei como é refletir sobre a vida antes de dormir e se certificar de que ninguém está ouvindo para começar a soluçar.
Eu sei como é sofrer tão dolorosamente que as vezes você precisa fingir que vai ao banheiro, ou beber água, apenas para lavar o rosto e se recompor.
Eu sei como é ter os olhos úmidos e aquele medo de que não seja forte o suficiente para segurar as lágrimas quando está em público.
Eu sei como é sentir aquele nó enorme na garganta, que te sufoca, até que você cede e chora.
Eu sei como é sentar na cama, pegar o travesseiro e chorar tanto, mas tanto, que se surpreende com o rio que terá que esconder da sua família.
Acredite, eu sei como é tudo isso.
O psiquiatra Paulo Rebelato, em entrevista para a revista gaúcha Red 32, disse que o máximo de liberdade que o ser humano pode aspirar é escolher a prisão na qual quer viver. Pode-se aceitar esta verdade com pessimismo ou otimismo, mas é impossível refutá-la. A liberdade é uma abstração.
Liberdade não é uma calça velha, azul e desbotada, e sim, nudez total, nenhum comportamento para vestir. No entanto, a sociedade não nos deixa sair à rua sem um crachá de identificação pendurado no pescoço. Diga-me qual é a sua tribo e eu lhe direi qual é a sua clausura.
São cativeiros bem mais agradáveis do que o Carandiru: podemos pegar sol, ler livros, receber amigos, comer bons pratos, ouvir música, ou seja, uma cadeia à moda Luis Estevão, só que temos que advogar em causa própria e habeas corpus, nem pensar.
O casamento pode ser uma prisão. E a maternidade, a pena máxima. Um emprego que rende um gordo salário trancafia você, o impede de chutar o balde e arriscar novos voos. O mesmo se pode dizer de um cargo de chefia. Tudo que lhe dá segurança ao mesmo tempo lhe escraviza. Viver sem laços igualmente pode nos reter.
Uma vida mundana, sem dependentes para sustentar, o céu como limite: prisão também. Você se condena a passar o resto da vida sem experimentar a delícia de uma vida amorosa estável, o conforto de um endereço certo e a imortalidade alcançada através de um filho. Se nem a estabilidade e a instabilidade nos tornam livres, aceitemos que poder escolher a própria prisão já é, em si, uma vitória. Nós é que decidimos quando seremos capturados e para onde seremos levados. É uma opção consciente.
Não nos obrigaram a nada, não nos trancafiaram num sanatório ou num presídio real, entre quatro paredes. Nosso crime é estar vivo e nossa sentença é branda, visto que outros, ao cometerem o mesmo crime que nós nascer foram trancafiados em lugares chamados analfabetismo, miséria e exclusão.
Brindemos: temos todos, cela especial.
Somos amigos desde criança, compartilhamos momentos ímpares e inesquecíveis. Mas confesso que tenho sentido algo mais forte do que a nossa linda amizade! Acho que é amor!
Já não consigo ficar indiferente aos seus gestos de carinho, ao seu rosto e até sua voz mexe comigo de um outro modo. Eu preciso de você como nunca imaginei! Aceita namorar comigo?
A morte é parte da vida, todos sabem disso, mas ninguém quer facilmente aceitar tal realidade. E com razão, pois ter de dizer adeus a quem amamos é simplesmente terrível.
Mas não deve encarar a morte como um ponto final, e antes como um ponto e vírgula, pois quem é amado de verdade jamais morre!
Recorde com saudade e amor, reviva momentos, guarde no coração e fale sobre a memória de quem partiu, e assim fará com que essa pessoa continue a viver através de si, como uma luz que brilha sútil mas constante em sua vida.
Que dia é hoje?
Marcaria a data do teu olhar,
Marcaria a data dos acontecimentos,
Marcaria a data do teu amor passageiro.
Sei que haverá um tempo,
Que dia é hoje?
Sei que jamais te esquecerei,
Sei que jamais tu me esquecerás.
Que desejo é este de saberes que dia é este,
para que adianta marcar o dia de hoje,
Se não tem dia marcado para tu chegar
Mas que dia é hoje.
Não sei o que sentes
se é ódio ou amor
se é raiva ou rancor
Queria descobrir que dia é hoje
tu tão longe e ao mesmo tempo tão perto
Quero te sentir, ouvir-te falar
ouvir o som da tua voz
Mas permanece calado
há se olhar falasse o que o seu me diria?
sei que um dia descobrirei
Mas por enquanto que dia é hoje.