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No amor de verdade, não existe inveja, não há espaço para crueldade, e avareza é monstro feroz! Torço por seu sucesso a todos os níveis. Não encontro paz se você estiver triste, desanimado. É por isso que não entendo tanto ciúme com meu sucesso profissional, amor!

Sempre fui uma esposa dedicada à família, nunca permiti que seu bem-estar ficasse em segundo plano. É injusto você ser tão invejoso com a posição que ocupo em meu trabalho! Desejo que você enxergue que minha realização é saúde para nosso lar. Beijo.

Existe um homem que se esforça no cumprimento do dever para dar bom exemplo...
Que fica humilde, quando poderia se exaltar... Que chora à distância, a fim de não ser observado... Que, com o coração dilacerado, se embrutece para se impor como juiz inflexível...
Que apenas fisicamente passa o dia distante, na luta por um futuro melhor... Que, ao fim da jornada, avidamente regressa ao lar para levar muito carinho, e, às vezes, receber tão pouco...
Que está sempre pronto para oferecer uma palavra de ânimo ou mostrar, através do exemplo, uma atitude que possa ser imitada...
Que, muitas vezes, passa noites mal dormidas, decifrando os segredos da vida para transmitir ensinamentos... Que, mesmo cansado, ainda consegue energias para distribuir confiança...
Que vibra, se emociona e se orgulha pelos feitos daqueles que tanto ama... Esse homem, geralmente, se agiganta e passa a ter um valor sem igual quando deixa de existir para sempre...

Esses olhos que encantam misteriosos, esse olhos me espreitam e deles, nada sei além do mistério.
Deixam à mostra, entre longos cílios o brilho de um fogo que arde...
São para mim, como um par de pedras, porém não frias (nem amigas). Pedras que brilham com o cair do sol... Insistentes, esses olhos me seguem, perseguem meus movimentos paralisam meus sentidos...
São para mim como tesouros distantes, porém não inatingíveis (nem ao meu alcance).
Joias de beleza rara retratadas em profundo castanho...

Ensaia um sorriso
e oferece-o a quem não teve nenhum.
Agarra um raio de sol
e desprende-o onde houver noite.
Descobre uma nascente
e nela limpa quem vive na lama.
Toma uma lágrima
e pousa-a em quem nunca chorou.
Ganha coragem
e dá-a a quem não sabe lutar.
Inventa a vida
e conta-a a quem nada compreende.
Enche-te de esperança
e vive à sua luz.
Enriquece-te de bondade
e oferece-a a quem não sabe dar.
Vive com amor
e fá-lo conhecer ao Mundo.

Mahatma Gandhi

Eu me experimento inacabado. Da obra, o rascunho. Do gesto, o que não termina.
Sou como o rio em processo de vir a ser. A confluência de outras águas e o encontro com filhos de outras nascentes o tornam outro. O rio é a mistura de pequenos encontros. Eu sou feito de águas, muitas águas. Também recebo afluentes e com eles me transformo,
O que sai de mim cada vez que amo? O que em mim acontece quando me deparo com a dor que não é minha, mas que pela força do olhar que me fita vem morar em mim? Eu me transformo em outros? Eu vivo para saber. O que do outro recebo leva tempo para ser decifrado. O que sei é que a vida me afeta com seu poder de vivência. Empurra-me para reações inusitadas, tão cheias de sentidos ocultos. Cultivo em mim o acúmulo de muitos mundos.
Por vezes o cansaço me faz querer parar. Sensação de que já vivi mais do que meu coração suporta. Os encontros são muitos; as pessoas também. As chegadas e partidas se misturam e confundem o coração. É nesta hora em que me pego alimentando sonhos de cotidianos estreitos, previsíveis.
Mas quando me enxergo na perspectiva de selar o passaporte e cancelar as saídas, eis que me aproximo de uma tristeza infértil.
Melhor mesmo é continuar na esperança de confluências futuras. Viver para sorver os novos rios que virão.
Eu sou inacabado. Preciso continuar.
Se a mim for concedido o direito de pausas repositoras, então já anuncio que eu continuo na vida. A trama de minha criatividade depende deste contraste, deste inacabado que há em mim. Um dia sou multidão; no outro sou solidão. Não quero ser multidão todo dia. Num dia experimento o frescor da amizade; no outro a febre que me faz querer ser só. Eu sou assim. Sem culpas.

Padre Fábio de Melo