O mundo moderno nos convida à correria e, em função disso, não temos tempo de observar a natureza, nossa grande mestra.
Quem olha o mar e percebe as marés, as ondas e os ventos pode verificar como tudo tem seu ciclo.
O dia e a noite, as estações do ano, o sol e a chuva, a vida e a morte. O ser humano, com sua sede de poder, procura imobilizar a vida e torná-la certinha, rígida como uma estátua. Mas a vida é dinâmica. Hoje você está bem, amanhã pode não estar...
A vida flui como as ondas do mar e, como um surfista, você precisa aprender a aproveitar suas subidas e descidas, mergulhar e retornar à tona, manter-se na superfície de acordo com o movimento da água.
Quando você resolve eliminar de sua vida o fluxo das ondas e permanecer apenas como observador passivo, você está anulando a sua força vital!... Afinal, a vida é uma interminável aventura. E a sabedoria está em saber surfar nas ondas da vida.
Nem ontem, nem amanhã. Hoje.
Hoje, porque celebrar o aniversário é ficar justamente nesse entreto do que foi e o que será. É ficar a espera, é véspera. Hoje, não amanhã. Hoje é dia de celebrar a véspera! Não será o dia 24 de dezembro melhor que o 25? A véspera antecipa o sentimento e a ação que em seguida acontece. A véspera, como espera, de um certo meio incerto que chegará amanhã, talvez.
Fazer aniversário é participar de um encontro: encontro com a história do vivido. Às vezes, as histórias a recordar são melhores que as ainda por viver. E as histórias ainda por viver, se tornam melhores depois de vividas.
Certamente há muito o que recordar; pessoas, momentos, aperitivos de felicidade! Felicidade que toma corpo no projeto de vida...do vir a ser.
O dia do aniversário é o dia de voltar, dia de se encontrar em cada mensagem recebida, telefonema, e-mail, palavra, abraço, beijo e presente. Cada manifestação que receberes no dia de teu aniversário será um pouco de ti. Um pouco do que deixaste em cada coração...sentidos que agora retornam como afeto para te lembrar de algo muito importante a celebrar: tua própria vida entrelaçada a tantas outras vidas.
Toda vez que toca o telefone eu penso que é você, toda noite de insônia eu penso em te escrever. Pra dizer que o teu silêncio me agride, e não me agrada ser um calendário do ano passado. Pra dizer que teu crime me cansa, e não compensa entrar na dança depois que a música parou.
Prova dura de confiança e respeito? Ou apenas um sentimento que toma o nosso corpo nos enchendo de admiração pela pessoa querida? Parou para pensar do que você seria capaz de fazer por um amigo? Uma amizade vale tudo? E seus amigos fariam o mesmo por você?
Coloque no papel quantas vezes você já ajudou e quantas vezes foram ajudadas. Faça as contas se equivalerem daqui para frente! Qualquer tipo de relacionamento nos doamos em partes iguais.
É adorável rir com um amigo. Beber e falar bobagens com um amigo. Dançar, sair, chorar com um amigo ao nosso lado.
Amizade é respeito. É confiança e cumplicidade. Quando isso se quebra? Bem, fica difícil de consertar. Para mim a palavra que mais resume um amigo é LEALDADE. Essa palavra diz tudo. Lealdade nas saídas para baladas, na divisão da grana (quando preciso for). Nas confidências, nos porres, lealdade nos sentimentos.
Você sabe que tem um amigo de verdade quando ele segura o seu cabelo enquanto você passa mal e vomita. Quando a festa está boa e você, mesmo assim quer ir embora, e ele vai com você. Quando precisa falar no meio da madrugada e ele te escuta. Quando você precisa caminhar para espairecer e ele vai junto contigo.
Amigo é mais do que da boca para fora, é no coração!
É a família que podemos escolher.
E você? Fez as escolhas certas?
Não amaremos talvez insuficientemente a vida? Já notou que só a morte desperta os nossos sentimentos? Como amamos os amigos que acabam de deixar-nos, não acha?! Como admiramos os nossos mestres que já não falam, com a boca cheia de terra! A homenagem surge, então, muito naturalmente, essa mesma homenagem que talvez eles tivessem esperado de nós, durante a vida inteira. Mas sabe porque nós somos sempre mais justos e mais generosos para com os mortos? A razão é simples! Para com eles, já não há deveres.
É assim o homem, tem duas faces. Não pode amar sem se amar. Observe os seus vizinhos, se por acaso acontece um falecimento no prédio. Dormiam na sua vida monótona e eis que, por exemplo, morre o porteiro. Despertam imediatamente, atarefam-se, enchem-se de compaixão.
É preciso que algo aconteça, eis a explicação da maior parte dos compromissos humanos. É preciso que algo aconteça, mesmo a servidão sem amor, mesmo a guerra ou a morte. Vivam, pois, os enterros!
Albert Camus