Enxerga um cego, mais longe o pesar e a doutrina deste sedento entristecer. E se esqueça, por alguns segundos tente perceber, existe um muro, uma metade, uma maneira de mascarar a realidade pra não se reconhecer. Aos montes se juntam os poucos, fracos peritos cercados da certeza, e assim se acumulam a beleza e a inoperância mediante a vida. Tente perceber, há algo além da fronteira, entre a montanha e o céu, um abismo nos mostra um atalho até as estrelas, esperando alguém voar... Alcance o céu, almeje o infinito, o medo nos mostra o talento que existe na mais oculta arte de viver o fim.
E como se ainda houvesse o amanhã, preferimos nos vestir e desfilar as milagres das horas. Em cada um existe algo que sublime emergi ao sádico instinto de ser feliz. Eis que o ego ecoá e a mais ligeira e subversiva palavra que se faça valer. Em cada um existe um mundo, em cada um existem certezas e inconstâncias perante as virtudes da vida. Se é necessário correr, te digo que as coisas mais valiosas estão distantes, e perdidas dentro de nós. A cada um cabe o ouro mais brilhante, que se possa valer. A cada um cabe a cegueira mais profunda que seu brilho possa trazer.
E assim, inoperantes, revigoramos nossa instintiva estupidez e alcançamos a mais absoluta certeza da vida.
Hoje eu estava aqui no meu canto, pensando na vida, quando resolvi conversar com o meu Anjo da Guarda.
– Meu querido e amado Anjo, como é a vida ai em cima?
Respondeu-me, o Anjo: – Querido amigo sonhador, quem foi que te disse, que vivo aqui em cima?
– Mas, Anjos não vivem no céu, ao lado de Deus?
– Sim? Os Anjos de luzes vivem no céu ao lado de Deus, mas eu sou um Anjo da Guarda, e Anjos da Guarda, vivem ao lado de quem nós protegemos.
– Hum, então tu caminhas lado a lado comigo, nas minhas aventuras, no meu dia-a-dia?
– Exatamente, eu não descuido um só segundo da tua vida, dos teus afazeres, vivo iluminando o teu caminho, estou sempre a tua frente, preparando a tua chegada, desviando você dos perigos que ora, estejam em sua passagem.
– E como é o meu dia-a-dia, dou-lhe, muito trabalho?
– Meu caro amigo, desde que, foi me dada esta missão, procuro cumprir a risca todos os ensinamentos do mestre, para proteger-te, das horas difíceis, dos momentos tristes, de sua louca vida de aventuras, e quando recolhes para o teu sono, ainda dou-lhe, um beijo em seu coração, sem que uma palavra sua, venha-me, agradecer.
– Mas, meu amado Anjo, todas as noites quando eu vou deitar-me, faço minhas orações aos céus, agradecendo a graça recebida, por ter respirado em mais um dia.
– É Verdade, tu agradece aos céus, mas, esquece-se, de que eu não vivo lá, vivo aqui, o agora, ao teu lado.
– Como faço então, para agradecê-lo?
– Simples, coloque a sua mão direita no coração, feche os olhos, e diga comigo:
Meu Anjo da Guarda, fazei com que eu não sofra nenhum tipo de ameaça, protege-me, dos ciúmes, e dos olhos do mal, amém.
Meu amado Anjo, só mais uma pergunta. Quando um Anjo da Guarda, passa a ser um Anjo de luzes?
Meu amado amigo, quando tu subires aos céus, eu serei o teu Anjo de Luzes.
Você é a cor mais bonita do arco-íris, é o brilho do sol, é fantasia, você é amor encarnado, quando te vi logo pensei é o amor que eu sempre quis ter.
Mas somos oposto um do outro, você coloca distância entre nós, hoje te quero mas não posso ter, meu coração é teu e o teu não é meu.
Mas essa distância é o que me faz lutar, pois pelo amor se luta e se ama, te amo.
Você quebra meu coração, mas ele se regenera, ele está machucado, mas ainda bate de amor por você, você é a base do meu coração.
Meus pés não tocam mais o chão
Meus olhos não veem a minha direção
Da minha boca saem coisas sem sentido
Você era o meu farol e hoje estou perdido
O sofrimento vem à noite sem pudor
Somente o sono ameniza a minha dor
Mas e depois? E quando o dia clarear?
Quero viver do teu sorriso, teu olhar
Eu corro pro mar pra não lembrar você
E o vento me traz o que eu quero esquecer
Entre os soluços do meu choro eu tento te explicar
Nos teus braços é o meu lugar
Contemplando as estrelas, minha solidão
Aperta forte o peito, é mais que uma emoção
Esqueci do meu orgulho pra você voltar
Permaneço sem amor, sem luz, sem ar
Perdi o jogo, e tive que te ver partir
E a minha alma, sem motivo pra existir
Já não suporto esse vazio quero me entregar
Ter você pra nunca mais nos separar
Você é o encaixe perfeito do meu coração
O teu sorriso é chama da minha paixão
Mas é fria a madrugada sem você aqui,
Só com você no pensamento
Eu corro pro mar para não lembrar você
E o vento me traz o que eu quero esquecer
Entre os soluços do meu choro eu tento te explicar
Nos teus braços é o meu lugar
Contemplando as estrelas, minha solidão
Aperta forte o peito, é mais que uma emoção
Esqueci do meu orgulho pra você voltar
Permaneço sem amor, sem luz
Meu ar, meu chão é você
Mesmo quando fecho os olhos
Posso te ver
Eu corro pro mar pra não lembrar você
E o vento me traz o que eu quero esquecer
Entre os soluços do meu choro eu tento te explicar
Nos teus braços é o meu lugar
Contemplando as estrelas, minha solidão
Aperta forte o peito é mais que uma emoção
Esqueci o meu orgulho pra você voltar
Permaneço sem amor, sem luz, sem ar
O contrário de bonito é feio, de rico é pobre, de preto é branco, isso se aprende antes de entrar na escola.
Se você fizer uma enquete entre as crianças, ouvirá também que o contrário do amor é o ódio.
Elas estão erradas. Faça uma enquete entre adultos e descubra a resposta certa: o contrário do amor não é o ódio, é a indiferença.
O que seria preferível? Que a pessoa que você ama passasse a lhe odiar, ou que lhe fosse totalmente indiferente?
Que perdesse o sono imaginando maneiras de fazer você se dar mal ou que dormisse feito um anjo a noite inteira, esquecido por completo da sua existência?
O ódio é também uma maneira de se estar com alguém.
Para odiar alguém, precisamos reconhecer que esse alguém existe e que nos provoca sensações, por piores que sejam.
Para odiar alguém gastamos energia, neurônios e tempo.
Já para sermos indiferentes a alguém, precisamos do quê? De coisa alguma.
A pessoa em questão pode saltar de bung-jump, assistir aula de fraque, ganhar um Oscar ou uma prisão perpétua... Não estamos nem aí.
A indiferença, se tivesse uma cor, seria cor da água, cor do ar, cor de nada.
Uma criança nunca experimentou essa sensação: ou ela é muito amada, ou criticada pelo que apronta.
Só bem mais tarde, quando necessitar de uma atenção que não seja materna ou paterna, é que descobrirá que o amor e o ódio habitam o mesmo universo, enquanto que a indiferença é um exílio no deserto.