Não tenho mais os olhos de menina
nem corpo adolescente, e a pele
translúcida há muito se manchou.
Há rugas onde havia sedas, sou uma estrutura
agrandada pelos anos e o peso dos fardos
bons ou ruins.
(Carreguei muitos com gosto e alguns com rebeldia.)
O que te posso dar é mais que tudo
o que perdi: dou-te os meus ganhos.
A maturidade que consegue rir
quando em outros tempos choraria,
busca te agradar
quando antigamente quereria
apenas ser amada.
Posso dar-te muito mais do que beleza
e juventude agora: esses dourados anos
me ensinaram a amar melhor, com mais paciência
e não menos ardor, a entender-te
se precisas, a aguardar-te quando vais,
a dar-te regaço de amante e colo de amiga,
e sobretudo força — que vem do aprendizado.
Isso posso te dar: um mar antigo e confiável
cujas marés — mesmo se fogem — retornam,
cujas correntes ocultas não levam destroços
mas o sonho interminável das sereias.
Lya Luft
Eu queria conhecer todos os mistérios do amor, principalmente os de minha paixão, e a maestria de saber conquistar o seu.
Eu queria conhecer tal um gênio, todas as notas musicais, principalmente as mais sonoras, queria dominar o dom do canto e buscar no fundo da alma, cantigas de ninar para acalentar os seus sonhos.
Eu queria conhecer como ninguém a matemática, principalmente no tocante a multiplicação e aumentar as suas alegrias, povoar de sentido a sua vida e matar de vez a sua solidão.
Eu queria conhecer todos os segredos do amanhã, principalmente dos seus passos, queria ter o poder de viajar no futuro e recolher todas as possíveis pedras do seu caminho.
Eu queria conhecer toda a ciência das cores, principalmente as mais vivas, queria ter poder sobre elas, misturá-las com magia e colorir a sua existência tal qual uma aquarela.
Eu queria conhecer todas as palavras dos dicionários, principalmente as mais expressivas, queria dominá-las e ao comando de minha voz, reunir as mais belas e compor um ramalhete de poesias para você.
Eu queria tantas coisas... tantas... tantas... coisas difíceis de se ter, mas que seriam mais fáceis se conseguisse conquistar você...
Já aconteceu de você ter perdido alguma coisa e, finalmente, achá-la exatamente no lugar em que você tinha certeza absoluta que ela não ia estar? Que outras coisas na sua vida você pode não estar rotineiramente enxergando, porque tem certeza que não estão lá ? Quantas ideias criativas nunca apareceram porque você já tem certeza do que funciona e do que não?
Será que a certeza está limitando você? Será que sua certeza é realmente certeza? Ou simplesmente falta de vontade de explorar novas opções ?
Existem momentos em que devemos agir e pensar com certeza e determinação, mas muitas vezes o que julgamos ser certeza é pura teimosia. Suas certezas resultam, na maioria da vezes, de suas experiências. Mas leve sempre em conta que existe um universo de oportunidades além dessas experiências.
Sim, é mais fácil rejeitar novas ideias sem considerá-las ou explorá-las. Agora, se você já sabe tudo, como é possível aprender? É ótimo ter certeza e confiança. Só não deixe a certeza cegá-lo para o real potencial das suas possibilidades.
Sem você
O cheio fica vazio,
O quente fica frio,
O muito vira nada
E o pouco sem sentido
De querer e não poder
Ver e não ter,
Sentir sem saber...
Sem você
O sol não brilha,
E a luz não ilumina,
O que tem se perde o dobro,
E o que ganha não se tem consolo,
De saber o que é amar,
Quando não se pode respirar,
Só o teu olhar,
Pra me acalmar
Sem você
Eu perco a alegria,
E o que antes eu sentia,
Acho que era pura fantasia
De poder dizer um dia
Não quero mais ficar sem você.
O professor lutava na escola com um grande problema. Os alunos começaram a ler muitas histórias de homens maus, de roubos e de crimes e passaram a viver em plena insubordinação.
Queriam imitar aventureiros e malfeitores e, em razão disso, na escola e em casa apresentavam péssimo comportamento. Alguns pronunciavam palavrões, julgando-se bem-educados, e outros se entregavam a brinquedos de mau gosto, acreditando que assim mostravam superioridade e inteligência.
Esqueciam-se dos bons livros. Zombavam dos bons conselhos.
O professor, em vista disso, certo dia reuniu todas as classes para a merenda costumeira, apresentando-se uma surpresa esquisita. Os pratos estavam cheios de coisas impróprias, tais como pães envolvidos em lama, doces com batatas podres, pedaços de maçãs com tomates deteriorados e geleias misturadas com fel e pimenta.
Os meninos revoltados gritavam contra o que viam, mas o velho educador pediu silêncio e, tomando a palavra, disse-lhes:
- Meus filhos, se não podemos dispensar o alimento puro a benefício do corpo, precisamos também de alimento sadio para a nossa alma. O pão garante a nossa energia física, mas a leitura é a fonte de nossa vida espiritual. Os maus livros, as reportagens infelizes, as difamações e as aventuras criminosas representam substâncias apodrecidas que nós absorvemos, envenenando a vida mental e prejudicando-nos a conduta. Se gostamos das refeições saborosas que auxiliam a conservação de nossa saúde, procuremos também as páginas que cooperam na defesa de nossa harmonia interior, a fim de nunca fugirmos ao correto procedimento.
Com essa preleção, a hora da merenda foi encerrada. Os alunos retiraram-se cabisbaixos. E, pouco a pouco, a vida dos meninos foi sendo retificada, modificando-se para melhor.