Não tenho pais, faço do céu e da terra os meus pais;
Não tenho lar, faço do meu corpo o meu lar;
Não tenho poder divino, faço da honestidade meu poder;
Não tenho meios, faço da docilidade meus meios;
Não tenho poder mágico, faço da personalidade minha magia;
Não tenho vida nem morte, faço do tempo a minha vida e minha morte;
Não tenho corpo, faço da fortaleça meu corpo;
Não tenho olhos, faço do relâmpago meus olhos;
Não tenho ouvidos, faço da sensibilidade meus ouvidos;
Não tenho membros, faço da prontidão meus membros;
Não tenho leis, faço da autoproteção minha lei;
Não tenho estratégias, faço da liberdade de matar e ressuscitar minha estratégia;
Não tenho forma, faço da astúcia minha forma;
Não tenho milagres, faço da justiça meus milagres;
Não tenho princípios, faço da adaptabilidade meus princípios;
Não tenho táticas, faço da rapidez a minha tática;
Não tenho amigos, faço da minha mente meu amigo;
Não tenho inimigos, faço da imprudência meu inimigo;
Não tenho armadura, faço da benevolência e da retidão minha armadura;
Não tenho castelo, faço da mente indomável meu castelo;
Não tenho espada, faço do sonho da minha mente minha espada.
Boa noite...
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Escrever, por exemplo: "A noite está estrelada,
e tiritam, azuis, os astros lá ao longe".
O vento da noite gira no céu e canta.
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Eu amei-a e por vezes ela também me amou.
Em noites como esta tive-a em meus braços.
Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito.
Ela amou-me, por vezes eu também a amava.
Como não ter amado os seus grandes olhos fixos.
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Pensar que não a tenho. Sentir que já a perdi.
Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela.
E o verso cai na alma como no pasto o orvalho.
Importa lá que o meu amor não pudesse guardá-la.
A noite está estrelada e ela não está comigo.
Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe.
A minha alma não se contenta com havê-la perdido.
Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a.
O meu coração procura-a, ela não está comigo.
A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores.
Nós dois, os de então, já não somos os mesmos.
Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei.
Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido.
De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos.
A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos.
Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda.
É tão curto o amor, tão longo o esquecimento.
Porque em noites como esta tive-a em meus braços,
a minha alma não se contenta por havê-la perdido.
Embora seja a última dor que ela me causa,
e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo.
Pablo Neruda
Venha loba ferina...
recolha as suas garras
que para você não preciso
de chicote, nem de amarras.
Seja dócil para mim,
não fique indiferente,
que lhe trago como presente,
em sentido figurado,
gostoso pote de mel.
Vou servi-la às colheradas,
e elas vão representar
todo sentimento nobre,
que eu nutro por você.
Uma colher de atenção,
em outra vai meu carinho,
e a minha emoção.
Nesta vai o meu beijinho,
repleto de frenesi,
que sinto quando estou,
bem juntinho a você.
É assim, minha dócil loba,
que eu quero lhe conquistar
Dar-lhe mel do meu potinho,
dar-lhe beijos e carinhos,
assim eu vou lhe domar.
E quando estivermos juntos,
pode afiar suas garras,
me arranhar quanto quiser
que eu não vou gemer de dor.
Muito pelo contrário,
eu vou gritar de prazer,
com o prazer do seu amor.
Seus dias de luta terminaram, seus dias de glória chegaram, e agora o céu azul é todo seu.
Uma nova semana é sempre motivo de grande alegria. E acho que esta será imensamente feliz! Não contemos os dias, não façamos contas às horas que demoram a passar.
Só a beleza importa e ela está presente em todos os instantes do dia. É que acordar e respirar é a maior bênção que alguém pode ter! E a vida não acontece só ao final de semana; ela merece ser desfrutada todos os dias em grande estilo! Boa semana!