Mensagens de Pai

Nesse dia que se inicia peço-lhe cada vez mais sabedoria não das letras, mas dos seus ensinamentos, da cartilha que com tanto amor deixaste para todos nós seus filhos. – Peço-lhe a calma nos momentos mais difíceis, para que eu possa escutar tudo que tens pra me falar para poder receber, no silêncio, o seu recado. Tantos são dados, a todo momento, a todo instante mas nós, seus filhos, tantas horas parecemos ensurdecer cegos ficar, e a paciência perder.
Ah!... Pai de Bondade e Misericórdia como seria tão mais fácil se no silêncio nos concentrássemos, de fato, calmos, serenos, atentos, e poderíamos sentir com muita mais força a sua presença, o seu afago sob nossas cabeças.
Perdoa-nos Senhor... deixaste tantos ensinamentos, tantos caminhos mais fáceis para seguirmos, e muitas das vezes procuramos com nossas próprias mãos aquele caminho onde nem a luz passa por perto, não se olha o céu aberto, claro, azul, não se escuta nos mínimos detalhes, o canto da natureza, porque com certeza estamos com a venda da desesperança cobrindo nossos olhos, quando seria muito mais fácil clamar pelo senhor, e ali ficar, calma, serena, e a ti, tudo entregar...
Perdoa Pai... se seus filhos erram após tantos exemplos deixados por ti é que esquecemos muitas das vezes que trazemos uma missão a cumprir e o senhor como Pai maravilhoso que é exige tão pouco de nós, em vista do seu sofrimento aqui na Terra, e ainda se enternece se um filho seu, mesmo sem muita fé, em algum momento desesperador, roga-lhe uma prece.
Te amo meu Pai querido... te amo com tanto carinho...
Por isso peço-lhe mais uma vez, entre tantas outras, que me perdoe por tentar acertar e em algumas horas difíceis da minha vida, eu me deixe desnortear quando tenho tanta certeza que só no seu bendito amor posso, realmente, me encontrar!

Cada um dos sete filhos trabalhou na loja de nosso pai, nossa própria loja de departamentos. No inicio fazíamos pequenos trabalhos como varrer o chão, arrumar as prateleiras e fazer embrulhos, e mais tarde, quando tínhamos experiência, atendíamos aos clientes. Trabalhando e prestando atenção, nós aprendemos que trabalhar era mais do que sobreviver e vender.
Uma lição ficou gravada em minha mente. Era próximo do natal. Eu estava na oitava série e trabalhava à noite, ajeitando a seção de brinquedos. Um pequeno garoto, com uns cinco ou seis anos, entrou. Ele vestia um desgastado e sujo casaco marrom.
O cabelo despenteado. O tênis rasgado e desamarrado. O garoto me pareceu muito pobre – demasiado pobre para ter dinheiro para comprar qualquer coisa. Olhou em torno da seção de brinquedos, pegava um brinquedo, olhava atentamente e devolvia com cuidado ao seu lugar.
Papai desceu as escadas e caminhou até o menino. Seus olhos azuis sorriam e a covinha no rosto sobressaía quando perguntou ao menino o que poderia fazer por ele. O menino disse que procurava um presente de natal para dar à seu irmão. Me impressionou como papai o tratou com o mesmo respeito com que tratava a todos os clientes. Papai lhe disse para ficar à vontade e procurar com calma.
Aproximadamente 20 minutos depois, o menino escolheu um brinquedo, foi até meu pai e perguntou, – Senhor, quanto custa este? – Quanto você tem? Meu pai perguntou. O menino enfiou a mão no bolso e retirou algumas moedas. – 27 centavos. O preço do brinquedo escolhido era R$ 3,98. – Mas que sorte! É exatamente o quanto custa! Meu pai lhe disse e fechou a venda.
A resposta de papai ainda soa em meus ouvidos. Eu pensava nisto enquanto embrulhava o presente. Quando o menino saía da loja, eu já não observava a roupa suja e desgastada, o cabelo despenteado, ou o tênis rasgado e desamarrado. O que eu via era uma criança radiante levando um tesouro.

Há muito tempo, não muito longe daqui, havia um reino muito engraçado. Todas as coisas eram separadas pela cor. As borboletas brancas só visitavam o canteiro branco. As borboletas azuis só visitavam o canteiro azul.
Neste reino viviam Julieta e Romeu.
Julieta era uma borboleta amarela do canteiro amarelo e Romeu uma borboleta azul do canteiro azul. Seus pais sempre avisavam para que não passeassem em canteiros de outra cor.
Um dia, na primavera, Ventinho convidou Romeu para dar um passeio no canteiro amarelo. Chegando lá, ventinho apresentou Romeu a Julieta e os dois logo ficaram amigos.
Romeu e Julieta começaram a brincar e saíram para conhecer melhor o reino. Ficaram encantados com tudo o que viram e acabaram entrando na floresta. Quando a noite chegou, Romeu e Julieta não conseguiram encontrar o caminho de volta.
Enquanto isso, lá no canteiro amarelo, a mãe de Julieta estava desesperada, e lá no canteiro azul, o pai de Romeu estava preocupadíssimo.
Eles não sabiam o que fazer para encontrar os filhos, até que a Dona borboleta amarela tomou coragem e foi falar com a Dona borboleta azul, falaram com o senhor Vento e todas as borboletas saíram de canteiro em canteiro procurando o Romeu e a Julieta.
Quando amanheceu o dia, o céu estava cheio de cores. Todos se misturaram para ajudar. Quando Romeu e Julieta viram seus pais, ficaram felizes em poder voltar para casa.
E quando chegou de novo a primavera tudo estava diferente naquele reino. Os canteiros tinham todas as cores misturadas. Margaridas, cravos, dálias, miosótis, rosas, cresciam juntas, misturadas.
E juntas brincavam as borboletas.
Nada diferente de nós quando vivemos sem preconceitos, e todos os dias são primavera em nossa vida. Porque amamos nosso semelhante independente da sua cor. Vale seu coração e alegria de estarmos juntos em paz.