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Elas se amontoaram diante da porta – duas crianças abandonadas em sujos casacos.
- Tem algum papel velho, senhora?
Eu estava ocupada. Eu quis dizer não – até que eu olhei para seus pés. Pequenas e gastas sandálias, ensopadas com a chuva. - Entrem e eu farei uma xícara de chocolate quente para vocês.
Não houve nenhuma conversa. Elas deixaram as marcas das sandálias encharcadas sobre a soleira e todo o chão da sala.
Eu as levei até a cozinha e lhes servi chocolate quente e torrada com geleia tentando fortalecê-las contra o frio do lado de fora.
O silêncio na cozinha me atravessava. A menina segurava a xícara vazia em suas mãos. O menino perguntou, - Senhora... Você é rica? - Se eu sou rica? Com certeza, não!
Eu olhei para minha surrada toalha sobre a mesa. A menina colocou sua xícara de volta ao pires – cuidadosamente. - Sua xícara combina com seu pires. Ela disse com uma voz velha, com uma fome que não era do estômago.
Então as crianças partiram, levando seus pacotes de papéis velhos contra o vento. Elas não disseram obrigado. Não precisavam. Elas tinham feito mais que isto.
Eu fritei minhas batatas e terminei o molho de carne. Batatas e molho de carne... Um teto sobre nossas cabeças... Meu marido com um bom e estável emprego. Estas coisas combinavam, também.
Coloquei as cadeiras no lugar, apaguei o fogo e arrumei a sala. As impressões barrentas de pequenas sandálias ainda estavam pelo chão. Eu as deixei lá.
Eu quero que as marcas estejam lá para o caso de eu me esquecer novamente do quanto sou rica.

Ninguém te amou... Como eu te amei... Ninguém te quis...
Ninguém fez loucuras por você... Como eu fiz e não foram poucas... Ninguém lhe ama... Como eu amo...
Um amor incondicional Tudo que faço é pensando... Pensando em você, Pois é tudo para mim, minha vida
Se o pouco que tinha, era nada Agora o que fazer Se tudo acabou, acabou não sei Algo aí, dentro do seu peito, deve ter ficado
Um olhar, um beijo, um abraço Algo deve mostrar, que fui puro Puro no sentimento Agora o que faço, jogo este amor fora?
Desde aquele beijo roubado Até aquele "você sabe o que vou dizer"... De alguma forma foi-me importante Estou só, e a solidão dói.

Minha amiga, é com grande pesar que hoje lhe dirijo estas palavras, agora que seu marido partiu desta vida, tão de repente.

E perante tão grande injustiça, eu sei que não há palavras que lhe venham a servir de consolo, ou lhe consigam amenizar tão terrível dor. Apenas quero que saiba que estarei aqui, do seu lado, para o choro, para o silêncio, para o que precisar.

Escuta só, vou falar de uma vez. Não existe isso de que o amor machuca, dói um pouquinho, e arranca nosso coração do peito. Que amor é esse que estão te oferecendo? Desconheço. Amor pra mim é paz, é segurança, é remédio que cura todas cicatrizes do passado – ao invés de criar novas. Amor esquenta, salva, resguarda. Coloca o coração do outro dentro de uma redoma de ouro, e o protege de todo o mal que houver. Isso é amor. Qualquer outra coisa é da boca pra fora.

Bom dia de terça-feira para você! Que hoje você use seu melhor e mais alegre sorriso o dia todo, e que no seu coração vibre uma energia positiva capaz de superar qualquer coisa.

Quando acreditamos realmente tudo se torna possível, então jamais duvide das suas capacidades e principalmente, jamais desista de uma luta. As dificuldades apenas existem para nos lembrarem de que a meta vale a pena.

E seja em que dia for, seja feliz e corra atrás dos seus sonhos!