Sabes que te amo muito e que me angustia muito essa história de morar tão longe de ti. Sinto muitas saudades, e gostaria de poder percorrer os muitos quilômetros que nos separam num piscar de olhos, para poder ficar sempre contigo.
Sei que a distância é um fator limitativo do nosso relacionamento, mas eu peço-te que não te esqueças de mim, e que ao menos respondas às minhas cartas, pois eu não suporto ficar sem o alento de algumas palavras tuas, mesmo que sejam poucas e que me cheguem através do carteiro.
Tenho muita esperança de que um dia já não haja tantas ruas e estradas entre nós, pois eu amo-te muito e não suportaria viver o resto da minha vida sem ter-te por perto. Fica com a certeza de que eu alimento este amor com toda a força da minha alma, e gostaria muito de ter a confirmação de que este sentimento é recíproco.
Assim, sem fazer nenhuma exigência, eu apenas te peço que voltes a mandar-me mensagens, bilhetes, cartas, pois eu preocupo-me muito contigo e penso em ti todas as horas do dia, e em todos os momentos dos meus sonhos.
Quero que saibas que te amo e que adoraria receber notícias tuas.
Flores não nascem com espinhos Espinhos se desenvolvem
Se desenvolvem e são implantações, Implantações dolorosas! Se desenvolvem quando a flor descobre, Que habita um jardim de insensibilidade.
Espinhos machucam, dói! Mas se dói, se sente, Maldita sensibilidade induzida!
Jardineiros de mãos grossas as destroem Retiram-nas do jardim não para salvá-las, Deixam-as secar depois do encanto da amada. Secam, desnutridas de carinho.
Flores jovens e inocentes querem fugir, Saltam-se nas mãos dos jardineiros Pedem cuidado...
Mas sua pétalas são frágeis E mãos de jardineiros são grossas em demasia.
Pobres flores que se entregam sem reservas, E ainda têm de aceitar devolução
E quando devolvidas voltam secas, Chegam arrastadas e tentam alertar as flores-crianças Flores crianças, última esperança do jardim,
-Salvem-no! Solidárias flores que quase mortas ainda alertam, Solidárias flores que mesmo mortas ainda adubam.
São muitas as pessoas que entram e saem da nossa vida ao longo do tempo. Algumas fazem parte do nosso dia a dia durante dias, meses, anos, mas acaba por chegar o momento de se separarem de nós e seguirem seu rumo.
Apesar disso, é bom saber que alguns permanecem incondicionalmente. Esses são os verdadeiros amigos, aqueles que nos marcam profundamente como se fossem família. Ter uma amizade de verdade é a maior bênção que alguém pode conhecer.
Por você eu dançaria tango no teto, eu limparia os trilhos do metrô, eu iria apé do Rio a Salvador. Eu aceitaria a vida como ela é, viajaria a prazo pro inferno, eu tomaria banho gelado no inverno. Por você eu deixaria de beber. Por você eu ficaria rico num mês, eu dormiria de meia pra virar burguês. Eu mudaria até o meu nome, eu viveria em greve de fome, desejaria todo dia a mesma mulher. Por você conseguiria até ficar alegre, pintaria todo céu de vermelho, eu teria mais herdeiros que um coelho.
Responder a perguntas não respondo.
Perguntas impossíveis não pergunto.
Só do que sei de mim aos outros conto:
de mim, atravessada pelo mundo.
Toda a minha experiência, o meu estudo,
sou eu mesma que, em solidão paciente,
recolho do que em mim observo e escuto
muda lição, que ninguém mais entende.
O que sou vale mais do que o meu canto.
Apenas em linguagem vou dizendo
caminhos invisíveis por onde ando.
Tudo é secreto e de remoto exemplo.
Todos ouvimos, longe, o apelo do Anjo.
E todos somos pura flor de vento.
Cecília Meireles