Desde pequenos ouvimos sempre aquele velho conselho para aprendermos com nossos erros não seria bem melhor se o errado, neste caso, fossem outros e não você? Ganhar mais experiência na vida com nossos erros provavelmente já deve ser intrínseco ao ser humano, mas não seria nada mal mudar um pouco a perspectiva desta forma antiga de aprendizado.
Certamente é bem mais fácil perceber as consequências de um erro quando somos nós que cometemos, mas também não é difícil imaginar como seria mesmo sem o vacilo acontecer. Se conseguíssemos abstrair alguma experiência de pelo menos um erro cometido por cada amigo que conhecemos, já nos proporcionava algum conhecimento para tentar não cometer os mesmos.
Vamos tentar focar nas lições dadas por tantas histórias que ouvimos todos os dias que não acabaram tão bem, para evitar sermos personagens principais de outras mais. Aprenda com os erros dos outros e não necessite ter os seus.
Com o tempo, a gente se acostuma às ausências mais doídas. Com o tempo, a gente se acostuma com tudo nessa vida. Quem é importante, mesmo estando distante, continua sendo amado. O tempo tem esse poder de fazer parecer que aqueles que amamos ainda estão, como antes, ao nosso lado. Acaba o sofrimento, o coração se aquieta e a saudade só em alguns momentos nos atinge como uma flecha. Mas o tempo, também, pode ser ingrato e cruel, pode ir apagando da nossa mente os rostos que achar conveniente. Assim, se você ama alguém, realmente, mesmo estando distante, sempre se faça presente. Entenda que quando um rosto se apaga da nossa imaginação acaba se apagando também dentro do nosso coração.
Amar não é só beijar e abraçar. É saber parar uma briga porque sabe que não vale a pena. É saber que nem sempre estará tudo bem. E acima de tudo saber que um te amo fortalece a relação, mesmo depois de brigar. Pelo simples fato de não desistirem mesmo passando por momentos difíceis.
Juan ia sempre aos serviços dominicais de sua congregação. Mas começou a achar que o pastor dizia sempre as mesmas coisas, e parou de frequentar a igreja.
Dois meses depois, em uma fria noite de inverno, o pastor foi visitá-lo.
Deve ter vindo para tentar convencer-me a voltar pensou Juan consigo mesmo. Imaginou que não podia dizer a verdadeira razão: os sermões repetitivos. Precisava encontrar uma desculpa, e enquanto pensava, colocou duas cadeiras diante da lareira, e começou a falar sobre o tempo.
O pastor não disse nada. Juan, depois de tentar inutilmente puxar conversa por algum tempo, também calou-se. Os dois ficaram em silêncio, contemplando o fogo por quase meia-hora.
Foi então que o pastor levantou-se, e com a ajuda de um galho que ainda não tinha queimado, afastou uma brasa, colocando-a longe do fogo.
A brasa, como não tinha suficiente calor para continuar queimando, começou a apagar. Juan, mais que depressa, atirou-a de volta ao centro da lareira.
- Boa noite disse o pastor, levantando-se para sair.
- Boa noite e muito obrigado respondeu Juan. A brasa longe do fogo, por mais brilhante que seja, terminará extinguindo rapidamente.
O homem longe dos seus semelhantes, por mais inteligente que seja, não conseguirá conservar seu calor e sua chama. Voltarei à igreja no próximo domingo.
A saudade é o que fica daquilo que partiu, daquilo que já não é mais. Saudade é ausência, é o sentimento de vazio que fica daquilo que se foi. Mas às vezes, a saudade é um vazio tão grande que ocupa muito espaço dentro do coração, e aperta tanto o peito que acaba transbordando e escorrendo pelos olhos.
Se sentimos saudades de algo ou de alguém é porque o objeto da saudade nos trouxe felicidade, foi algo ou alguém que amamos. Por isso a saudade dói. A saudade é a insistência da memória de manter vivo, presente e perto de nós o que já não temos. A saudade faz o ponto final virar uma vírgula na vida.
Há saudades que se podem matar, há outras que são capazes de nos fazer morrer. Mas a saudade é sempre uma memória de amor que não morre.