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Há um ano, você se foi. Muitas vezes, ainda me pego surpresa pela sua ausência, quando lhe chamo e você não responde. Muitas vezes ainda procuro o seu rosto no travesseiro, ainda espero o seu abraço no meio da noite.

Nada nunca será capaz de me fazer esquecer a falta que você faz na minha vida. A sua morte ficou marcada na minha alma como uma tatuagem profunda. A saudade que sinto ainda é imensurável.

Eu rezo todas as noites para que Deus possa aliviar essa dor, livrar-me da revolta que frequentemente sinto por já não ter você ao meu lado, e deixar em mim apenas as memórias boas dos tempos de nós dois.

Eu sei que o meu sofrimento não lhe dá paz, por isso rezo para que Deus ilumine a minha vida, conforte-me e console-me, devolvendo-me a alegria sincera de viver. Quero que você tenha paz, meu amor.

Quero que você tenha o descanso que merece, e que a minha alma também descanse de tanta dor. Mas ainda é impossível seguir em frente com a vida. Você está muito presente em meu coração.

Todos os dias importam, é verdade, mas também é verdade que para a maioria de nós não há dia mais especial que o sábado. Quase todos esperamos impacientes que ele chegue e nos faça esquecer da semana que acaba.

O sábado é o dia perfeito, para trás ficou a semana e pela frente ainda temos mais um dia de descanso. E hoje eu espero que o seu seja realmente perfeito, que passe bem devagar e que encontre tempo para fazer tudo que faz você feliz. Bom dia de sábado!

Geralmente, em toda parte,
No ângulo mais sombrio
Dos recantos desprezados,
Vem a aranha e tece o fio.

Escura, silenciosa,
Atendendo ao próprio instinto,
Seja dia, seja noite,
Vai fazendo o labirinto.

Por manter o enorme enredo,
Insiste e nunca esmorece,
Condenar-se por si mesma
É seu único interesse.

Desdobrando movimentos
Nos impulsos insensatos,
Pratica perseguições,
Multiplica assassinatos.

Insetos despreocupados,
Na ilusão cariciosa,
Transformam-se em prisioneiros
Da pequena criminosa.

Satisfeita, a aranha escura.
Prossegue na horrenda lida,
Nos venenos que segrega
Traz a morte e suga a vida.

Mas um dia, o espanador,
Na luta material,
Vem e arranca essa infeliz
Das teias de horror do mal.

A aranha, porém, não cede,
Com teimosia e com arte,
Foge ao bem que se lhe fez,
E vai tecer noutra parte.

Quem medita na conduta
Dessa aranha renitente,
Encontra a cópia fiel
Da vida de muita gente.

A muitos presos do engano,
Deus envia a dor e as provas;
Mas, depois de liberdade,
Vão prender-se em redes novas.

Nego-me a saber quem são
aqueles meus inimigos,
e a todos eu dou a mão,
embora tantas as intrigas.

No calor dessas batalhas,
sem brigar, dou-lhes amor.
Se ainda houver uma mortalha
minha, dá-la-ei a qualquer ator

que se dispuser a continuar
uma grande luta inversa,
sem ódios, atirando ao ar
muitas balas de vida, em versos.

Uma sorveteria famosa sempre lotada nos dias de calor. Sorvete delicioso. Sabores variados. Clientela bem atendida. Homens, mulheres, crianças, todos fazem fila e aguardam pacientemente a sua vez. Tudo por um sorvete gostoso. Refrescante.
A menina sozinha, com o dinheiro na mão, também entrou na fila. Esperou, sem reclamar, mesmo quando uns garotos passaram à sua frente, sem cerimônia e sem polidez.
Quando chegou ao caixa, antes que pudesse falar qualquer coisa, o funcionário lhe ordenou que saísse e lesse o cartaz na porta. Ela baixou a cabeça, engoliu em seco e saiu. E leu o cartaz, bem grande, na porta de entrada: proibido entrar descalço!
Olhou para os seus pés descalços e sentiu as lágrimas chegarem aos olhos. O gosto do sorvete não comprado se diluindo na boca.
Ia se retirando, cabisbaixa, quando uma mão forte a tocou no ombro. Era um homem alto, grande. Para a menininha, ele parecia um gigante. Foi com ela até o meio-fio, sentou-se e tirou os seus sapatos número 44 e os colocou em frente a ela. Depois, a suspendeu e enfiou os pés dela nos seus sapatos. – Eu fico aqui, esperando. – disse ele. – Vá buscar o seu sorvete! Não tenho pressa.
Ela foi deslizando os pés, arrastando os sapatos, até o caixa. Comprou sua ficha e saiu, vitoriosa, com seu sorvete na mão.
Quando foi devolver os sapatos para aquele homem, de pés grandes, barriga grande, ela se deu conta de que se ele tinha pés enormes, muito maior ainda era o seu coração.
Amar ao próximo é fazer a alegria de alguém, por mais insignificante que ela possa parecer. É ter olhos de ver a necessidade embutida nos olhos tristes. É ter ouvidos de ouvir os soluços afogados na garganta e os pedidos jamais expressos.
Amar ao próximo é simplesmente ter a capacidade de olhar um pouco além de si mesmo.