Não sei se o seu tempo na vida vai ser suficiente para você ser e fazer tudo o que deseja.
Mas sei que nada do que vivemos tem sentido se não tocamos o coração das pessoas, se nossa lembrança não desperta saudade no coração dos amigos, se, quando partimos, não deixamos no outro a esperança da nossa volta.
Muitas vezes basta ser: colo que acolhe, braço que envolve, palavra que conforta, silêncio que respeita, alegria que contagia, lágrima que manifesta a emoção, olhar que acaricia, amor que aquece e fortalece.
E isso não é coisa do outro mundo, é o que dá sentido à vida. É o que faz com que ela não seja nem curta, nem longa demais, mas que seja intensa, verdadeira, gostosa... enquanto durar.
Se você quer amor... ame! Você sabe amar? Sabe respeitar o que lhe contam? Sabe ouvir sem criticar? Sabe aceitar sem restrição?
Nada preenche o coração, a não ser o Amor, a Amizade.
O agasalho aquece o corpo, lindas roupas o embelezam, mas o que aquece a alma, o que faz brilhar o olhar, o que dá vontade de continuar é o Amor... Só o Amor!
AMIZADE
Diz uma lenda árabe, que dois amigos viajavam pelo deserto e em um determinado ponto da viagem discutiram, sendo um deles esbofeteado, ofendido e sem nada a dizer, escreveu na areia.
hoje meu melhor amigo me bateu no rosto.
Seguiram e chegaram a um oásis onde resolveram tomar banho, o que havia sido esbofeteado começou a se afogar, sendo salvo pelo amigo, ao se recuperar, pegou um estilete e gravou em uma pedra.
hoje meu melhor amigo salvou-me a vida.
Intrigado, o amigo perguntou:
-Por que depois que ti bati, você escreveu na areia, e agora escreveu na pedra?
Sorrindo, o outro amigo respondeu:
-Quando um grande amigo nos ofende, devemos escrever na areia, onde o vento do esquecimento e do perdão se encarregarão de apagar, mas quando nos faz algo grandioso, devemos gravar na pedra da memória e do coração, onde vento nenhum do mundo, tem poder de apagar.
Querida avó, como eu queria que você soubesse o quanto me dói vê-la desse jeito, tão sozinha nesse mundo confuso em que essa horrível doença a afundou. Suas memórias foram roubadas, quase tudo aquilo que você foi um dia, desapareceu. Seus olhos se perdem nos nossos rostos, nas faces daqueles que tanto amam você e a quem você já não reconhece os traços.
A doença de Alzheimer lhe roubou em vida os seus anos de descanso, e a impede de sentir o amor que a rodeia. Todos sentimos impotência e tristeza, pois nada pode ser pior que uma pessoa em vida ser despojada de todo o seu mundo interior! Há momentos em que parece que seu olhar recorda uma imagem, mas logo depois regressa a confusão e as perguntas intermináveis.
A doença levou de você a lembrança de quem você foi, mas de nós jamais apagará as recordações da extraordinária mulher, esposa, mãe, avó, tia, prima, amiga... que você foi! Eu, e todos que amamos você, a recordaremos tal como você foi, e não o que a doença fez de você. Para sempre a vou amar, minha querida avó!
É bom ter você ao meu lado. É bom saber que você existe para mim, que eu existo para você e que nós existimos para o nosso amor.
Vossos filhos não são vossos filhos,
são os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.
Vêm através de vós, mas não de vós.
E embora vivam convosco, não vos pertencem.
Podeis outorgar-lhes vosso amor,
mas não vossos pensamentos.
Porque eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;
Pois suas almas moram na mansão do amanhã,
que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles,
mas não podem fazê-los como vós,
Porque a vida não anda para trás
e não se demora com os dias passados.
Vós sois os arcos dos quais vossos filhos
são arremessados como flechas vivas.
O Arqueiro mira o alvo na senda do infinito
e vos estica com toda a sua força
para que suas flechas se projetem rápido e para longe.
Que vosso encurvamento na mão do Arqueiro seja vossa alegria;
Pois assim como Ele ama a flecha que voa,
ama também o arco que permanece estável.
Khalil Gibran