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Querida avó, como eu queria que você soubesse o quanto me dói vê-la desse jeito, tão sozinha nesse mundo confuso em que essa horrível doença a afundou. Suas memórias foram roubadas, quase tudo aquilo que você foi um dia, desapareceu. Seus olhos se perdem nos nossos rostos, nas faces daqueles que tanto amam você e a quem você já não reconhece os traços.

A doença de Alzheimer lhe roubou em vida os seus anos de descanso, e a impede de sentir o amor que a rodeia. Todos sentimos impotência e tristeza, pois nada pode ser pior que uma pessoa em vida ser despojada de todo o seu mundo interior! Há momentos em que parece que seu olhar recorda uma imagem, mas logo depois regressa a confusão e as perguntas intermináveis.

A doença levou de você a lembrança de quem você foi, mas de nós jamais apagará as recordações da extraordinária mulher, esposa, mãe, avó, tia, prima, amiga... que você foi! Eu, e todos que amamos você, a recordaremos tal como você foi, e não o que a doença fez de você. Para sempre a vou amar, minha querida avó!

É tão fácil perder de vista o que é importante!
Dance Lento... Alguma vez você já observou crianças num carrossel? Ou ouviu a chuva batendo no chão? Alguma vez já seguiu o voo errático de uma borboleta?... Ou fixou o olhar no sol no crepúsculo?
É melhor você diminuir o passo. Não dance tão depressa... O tempo é curto, a música vai acabar... Você corre através de cada dia voando? Quando você pergunta Como vai? Você escuta a resposta?
Quando o dia finda, você deita na cama, com os próximos afazeres rolando por sua cabeça?
É melhor você diminuir o passo. Não dance tão depressa... O tempo é curto, a música vai acabar... Você disse alguma vez a uma criança: Vamos deixar para fazer isto amanhã? E na sua pressa, não viu a tristeza dela?
Perdeu contato, deixou uma boa amizade morrer porque você nunca tinha tempo para ligar e dizer Oi? É melhor você diminuir o passo. Não dance tão depressa... O tempo é curto, a música vai acabar... Quando você corre tão depressa para chegar a algum lugar, você perde metade da satisfação de chegar lá.
Quando você se preocupa e se apressa em seu dia todo, é como se fosse um presente que não foi aberto... Um presente jogado fora! A vida não é uma corrida... Leve-a mais devagar... Ouça a música... Antes que a canção ACABE!

Inspirado na obra de Schopenhauer (1788-1860)

A fábula se passa na Era Glacial, em um tempo remoto, quando diversas espécies animais foram extintas. Uma manada de porcos-espinhos, sentindo-se prestes a congelar, decide se unir para sobreviver.

Aquecendo-se uns aos outros e trocando energia, os porcos-espinhos ficavam cada vez mais fortes, mas a proximidade excessiva acabava expondo-os às feridas dos espinhos, e assim eles se machucavam e se magoavam. Juntos, estavam quentinhos, porém sangrando:

"Aqueles que mais amavam,
Aqueles que mais sofriam".

Não suportando os ferimentos, eles se afastaram. Cada um em seu canto, acabaram por morrer. Os sobreviventes voltaram e tiveram que aprender a respeitar os limites:

"Mantinham pouca distância,
Apenas suficiente,
Somente para tornar
O próprio corpo mais quente".

Assim venceram o inverno, aprendendo que estar juntos é fundamental, mas também que a individualidade deve ser preservada.

É fácil trocar palavras, difícil é interpretar o silêncio!
É fácil caminhar lado a lado, difícil é saber como se encontrar!
É fácil beijar o rosto, difícil é chegar ao coração!
É fácil apertar as mãos, difícil é reter o calor!
É fácil conviver com pessoas, difícil é formar uma equipe!

Para sermos uma equipe, "precisamos descobrir a alegria de conviver"
(Carlos Drummond de Andrade)

Coloridas ilustrações conduzem a história, ambientando o drama dos porcos-espinhos em cenários que remetem a jogos e brincadeiras diversos: pipa, dados, bola, quebra-cabeças, cartas, dominó, amarelinha, xadrez, roda. Afinal, a vida é também um jogo, e para saber jogar é preciso aprender as lições da convivência e dos limites.

É triste amar alguém e guardar esse sentimento tão lindo para nós mesmos. É ruim sentir que estamos apaixonados e não poder falar isso olhando nos olhos da pessoa que é especial para nós.

Muitas vezes, estar em silêncio dói mais que estar doente, mas não vale a pena arriscar tudo por alguém que parece nem saber da nossa existência. Seria bom se em momentos como este conseguíssemos ignorar nosso coração. E simplesmente tudo isto fosse passageiro...

Quando vivemos em casal o amor deve ser uma semente germinada em ambos. Quando se ama duas pessoas se transformam em uma só. Te trago um poema, espero que lhe toque.
Fechei os olhos para não te ver e a minha boca para não dizer... E dos meus olhos fechados desceram lágrimas que não enxuguei, e da minha boca fechada nasceram sussurros e palavras mudas que te dediquei...
O amor é quando a gente mora um no outro. Mário Quintana
Espero que você consiga compreender o que é o amor. Te amo tanto, mas amar é quando agente mora um no outro.