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Quando ela dorme, como dorme a estrela
Nos vapores da tímida alvorada,
E a sua doce fronte extasiada,
Mais perfeita que um lírio, e tão singela,

Tão serena, tão lúcida, tão bela,
Como dos anjos a cabeça amada,
Repousa na cambraia perfumada,
Eu velo absorto o casto sono dela.

E rogo a Deus, enquanto a estrela brilha,
Deus que protege a planta e a flor obscura,
E nos indica do futuro a trilha,

Deus, por quem toda a criação se humilha,
Que tenha pena dessa criatura,
Desse botão de flor - que é minha filha.

Querida,
O intervalo de tempo entre a juventude e a velhice é muito mais curto do que todos imaginam. Quem não sente prazer em penetrar no universo dos velhos, é uma criatura indigna da sua própria juventude. A gente só morre quando o coração deixa de amar, não apenas quando deixa de pulsar.
Espero que você sinta, embora eu seja um homem maduro, que não tenho receio da velhice. Ainda possuo muita força no peito para amar! Temos grande diferença de idade, mas acredito no seu discernimento ao avaliar a circunstância.
Como eu te amo muito, sei que você nunca irá provocar a morte prematura dos meus sonhos. Você já provou que também me ama, e a simples diferença na idade cronológica, nunca será impedimento para que esse amor cada vez mais prospere, cresça e frutifique.
Admiráveis seres humanos foram sepultados pela falta do suporte de um amor verdadeiro. Praticaram com eles uma eutanásia psicológica, ao negarem a possibilidade de uma sobrevivência alegre e feliz. Simplesmente deixaram que se sentissem inúteis, negaram-lhes amor.
Sei que com a gente, isso nunca passará. Confio no seu afeto e na sua inteligência. Seremos felizes para sempre. O nosso amor será eterno.

Um dia você vai procurar no infinito e verás apenas uma estrela dizendo que fui embora.
Pedirás a ela que lhe mostre o caminho, mas será inútil, pois apagarei minhas pegadas com a minha dor, mas não quero esquecê-lo para que eu lembre que esse amor terá que morrer no passado.
Um dia a saudade ferirá seu peito, não que ainda tenha sido importante para você, mas porque fui inútil na sua vida.
E quando precisar de alguém nos momentos decisivos de sua vida, encontrarás apenas o vazio. Certamente lembrarás de mim, e seus olhos impressivos chorarás lágrimas de sangue.
Um dia buscará minha poesia no pôr-do-sol e no despertar da lua, mas encontrarás apenas o silêncio e perguntarás: onde estás?
E respostas não terás, porque até mesmo a natureza se negará a dizer.
Um dia quando os seus sonhos forem derrubados pela incompreensão, sentirás no peito a flecha do arrependimento por não ter amado quem muito te amou.
A verdade é que um dia sentirás minha falta, mas será inútil chorar, pois suas lágrimas não me trará de volta, porém, farei delas um rio e navegarei para longe do porto onde estiveres.
Deixarei apenas a saudade para que ela te acompanhe onde andares. E ela lhe mostrará o quanto minha presença lhe faz falta.

Estava olhando para o céu e comecei a dar a cada estrela uma razão pela qual te quero tanto. Faltaram estrelas! Te amo! Boa noite!

Se o ciúme nasce do intenso amor, quem não sente ciúmes pela amada não é amante, ou ama de coração ligeiro, de modo que se sabe de amantes os quais, temendo que o seu amor se atenue, o alimentam procurando a todo o custo razões de ciúme.
Portanto o ciumento (que porém quer ou queria a amada casta e fiel) não quer nem pode pensá-la senão como digna de ciúme, e portanto culpada de traição, atiçando assim no sofrimento presente o prazer do amor ausente. Até porque pensar em nós que possuímos a amada longe - bem sabendo que não é verdade - não nos pode tornar tão vico o pensamento dela, do seu calor, dos seus rubores, do seu perfume, como o pensar que desses mesmos dons esteja afinal a gozar um Outro: enquanto da nossa ausência estamos seguros, da presença daquele inimigo estamos, se não certos, pelo menos não necessariamente inseguros. O contato amoroso, que o ciumento imagina, é o único modo em que pode se representar com verosimilhança um conúbio de outrem que, se não indubitável, é pelo menos possível, enquanto o seu próprio é impossível.
Assim o ciumento não é capaz, nem tem vontade, de imaginar o oposto do que teme, aliás só pode obter o prazer ampliando a sua própria dor, e sofrer pelo ampliado prazer de que se sabe excluído. Os prazeres do amor são males que se fazem desejar, onde coincidem a doçura e o martírio, e o amor é involuntária insânia, paraíso infernal e inferno celeste - em resumo, concórdia de ambicionados contrários, riso doloroso e friável diamante.

Umberto Eco