Quando tudo o que deveria fazer era seguir na direção oposta, simplesmente não consigo.
A correnteza leva o barco que comanda minha vida em direção a você.
Essa correnteza chamamos sentimento, e o barco, coração.
E quando em um naufrágio me encontro, me agarro à pontinha de esperança que o teu lança, como uma boia salva-vidas que surge do nada, para dizer que está tudo bem.
Que há um porto seguro logo adiante.
E que não importa onde estejas, e para onde sejamos carregados, o vasto céu acima sempre será testemunha desse sentimento que compartilhamos, tanto quanto a terra firme que insiste em aumentar o espaço entre nós.
Menina, mulher amante,
com seus olhos brilhantes,
quero ter você por um instante,
e beber teu prazer constante...
Beijar o teu corpo gostoso,
lamber seu pescoço,
e ser grudento aos poucos...
Se te quero tanto assim,
nesta ilusão tão ruim,
é porque para mim,
és um castigo sem fim...
Na minha serra querida,
tu és a minha guia,
te quero nua de dia,
nem que seja por fantasia...
Ao voltar de um exaustivo dia de caça, trazendo segura nos dentes uma pequena corça, a onça encontrou sua toca vazia. Imaginando que os filhotes estivessem nas imediações, pôs-se a procurá-los com diligência. Olhou e examinou cada canto, sem encontrá-los.
Preocupada com a demora que se tornava séria, desesperou-se e tomada de pânico esgoelou-se em urros que encheram de espanto toda a floresta. Uma anta decidiu indagar a respeito da ocorrência. Chegando junto da toca, viu a onça desatinada e então, jeitosamente, procurou saber dela sobre o que estava acontecendo.
– Devoraram-me os filhotes! – gemeu a onça. – Infames caçadores cometeram friamente o maior de todos os crimes: mataram os meus filhos...
A anta conciliadora, porém franca, não deixou que a oportunidade se passasse sem que ela dissesse à onça certas verdades que embora dolorosas, careciam ser ouvidas por ela naquele momento. Então falou-lhe:
– Mas senhora onça, se analisar bem o fato, há de convir que suas acusações não procedem. Perdoe-me a franqueza, nessa hora de desespero. Respeito a sua dor, mas devo dizer-lhe que fizeram uma vez aquilo que a senhora pratica todos os dias. Não pode negar que vive sempre a comer os filhotes dos outros, não é verdade? Ainda agora acabou de abater uma corçazinha...
Tomada de indignação, a onça arregalou os olhos como que espantada pela coragem e atrevimento da anta, falando com um ódio mortal: – Oh, estúpida criatura! É isso que você tem a dizer para consolar o meu coração ferido pela dor? Com que direito você se atreve em comparar os meus filhos com os filhotes dos outros? E como pode comparar o meu sofrimento e desolação ao dos demais? É preciso considerar primeiro a minha posição, em relação à dos outros animais, para depois pesar a situação...
Foi nesse momento que um velho macaco, que bem do alto do seu galho assistia ao diálogo, falou como quem está revestido de autoridade: – Amiga onça, é sempre assim: A dor alheia só atinge aos altruístas, mas jamais ao egoísta...
Missão cumprida, querida avó! Você lutou tanto para construir essa família unida, feliz, única. Nunca baixou os braços à dificuldade em momento algum de sua vida. Sempre encarou a dificuldade de frente – com um sorriso.
Você sempre encheu de amor o coração de cada um de nós. Avó assim eu achava que só existia nos seriados de televisão. Mas não! Eu tenho uma bem real. Eu tenho a melhor vovó do mundo! Te adoro.
Quanta distância é aquela que nos separa, meu bem, contra aquilo que é a nossa vontade. Mas na vida, nem sempre podemos escolher o rumo que vamos tomar e por agora você tem de permanecer longe de mim.
Saiba que me custa não ter você por perto, querido marido, mas que o meu amor por você continua forte como antes. E é desse jeito que ele vai continuar porque você é o homem da minha vida.