Tenha força para superar essa fase negativa que está atravessando. Lute e persista para continuar de cabeça erguida. Às vezes é preciso muito sacrifício para alcançarmos nossas maiores conquistas.
Não se esqueça que todo o sofrimento que sente agora é passageiro, mas que se desistir de tudo pode não voltar a ter qualquer oportunidade. Acredite que você é capaz de sair vencedor dessa dura batalha e mantenha-se de pé até ao final.
Perdoe-me a falta de romantismo
Mas, preciso dizer, minha preferência recai sobre amores reais.
Nada fantasiado me atrai.
Não preciso de lençóis de seda, cavalos brancos ou anéis de prata.
Embora ache belos muitos tipos de aliança
A única coisa que elas me lembram é que não preciso delas.
Perdoe-me a falta de jeito
(E que esta não se confunda com falta de amor)
Mas não sou dada a declarações fervorosas.
Demonstro afeto no cotidiano, nos pequenos gestos,
no estender a mão quando tu precisares.
Sou útil, mas nem sempre meiga. Assim me expresso.
Perdoe-me também a ausência de choramingos.
Se me fizeres chorar
Entenderei que é hora de nos afastarmos.
Não quero ninguém ao meu lado por insistência.
Amor de verdade, pra mim, é antes de tudo digno.
Perdoe, ainda, minha necessidade de ficar só.
Ela nasceu comigo, antes de tu existires como tal em minha vida,
e em nada ameaça o que sinto por ti.
É apenas eu sendo quem sou.
E mesmo na minha solidão, tu estás lá, sublime.
Não preciso de companhia urgente:
te recebo em minha vida porque gosto de ti. Simples assim.
E, por último, mas não menos importante
Perdoe-me por não te idealizar.
Apesar de meu silêncio, vejo teus defeitos com lupa, em detalhes,
e escolho ficar contigo pelo que és, não pelo que eu gostaria que tu fosses.
Não importa o que eu gostaria ou não:
embora eu não despreze os sonhos, o que sinto ecoa na realidade.
É dela que eu vivo.
Juliana Davi
Nada há a perder, querida amiga. É o momento de deixar uma etapa para trás, mas outras melhores irão surgir. É a ocasião de partir de vez, mas nossa vida é mesmo assim, feita de caminhos.
Não precisa lamentar porque as mudanças fazem de nós pessoas melhores e acabam nos dando ótimas oportunidades. E não é pela distância que nossa amizade vai acabar. Eu gosto muito de você e nossa ligação será para toda a vida.
Chega. Cansei. Não dá mais.
Eu quero minha dignidade de volta. Eu quero voltar a embrulhar peixe na feira. Quero voltar a ser papel picado no Maracanã. Quero voltar a virar chapéu de soldado para criança brincar. Quero ser capacho de porta de pobre. Cortina de apartamento em reforma. Forro de chão de carro.
Mas pelo amor de Deus. Eu não quero mais cobrir o corpo de ninguém. Não quero mais sentir o frio do asfalto, muito menos o calor do sangue. Não quero não. Se eu que sou papel de jornal não aceito mais, imagina você, um semelhante ter um fim desse.
Então faz o seguinte: me arranca. Isso: arranca essa página. Não vou ficar chateado, é por uma boa causa. E me mostra para o amigo, para a mulher, para o chefe, para o gari, para o frentista, para o delegado, para a xepa da feira, para o rubro-negro, para o juiz, para a prostituta, para o político, para os seus filhos.
Mostra que você também está cansado.
É pouco, mas já seremos dois. Se formos cem, seremos um batalhão. Mil, um exército. Marcha soldado, cabeça de papel.
Juntos, a gente vira esse jogo contra a violência, que de virada é mais gostoso. Juro que dá. Juro por aquele sujeito lá no alto do Corcovado que, caso você não saiba, é o nosso general.
Para rachar a gasolina, emprestar a prancha,
recomendar um disco, dar carona para festa,
passar cola, caminhar no shopping,
segurar a barra?
Todas as alternativas estão corretas, porém
isso não basta para guardar um amigo
do lado esquerdo do peito.
Milan Kundera, escritor tcheco, escreveu
em seu último livro, "A Identidade", que
a amizade é indispensável para o bom
funcionamento da memória e para a
integridade do próprio eu.
Chama os amigos de testemunhas do passado
e diz que eles são nosso espelho,
que através deles podemos nos olhar.
Vai além: diz que toda amizade é uma aliança
contra a adversidade, aliança sem a qual
o ser humano ficaria desarmado
contra seus inimigos. Verdade verdadeira.
Amigos recentes custam a perceber essa aliança,
não valorizam ainda o que está sendo contraído.
São amizades não testadas pelo tempo, não se
sabe se enfrentarão com solidez as tempestades
ou se serão varridas em uma chuva de verão.
Veremos.
Um amigo não racha apenas a gasolina:
racha lembranças, crises de choro, experiências.
Racha a culpa, racha segredos.
Um amigo não empresta apenas a prancha.
Empresta o verbo, empresta o ombro,
empresta o tempo, empresta o calor e a jaqueta.
Um amigo não recomenda apenas um disco.
Recomenda cautela, recomenda um emprego,
recomenda um país.
Um amigo não dá carona apenas para festa.
Te leva para o mundo dele, e topa conhecer o teu.
Um amigo não passa apenas cola.
Passa contigo um aperto, passa junto o réveillon.
Um amigo não caminha apenas no shopping.
Anda em silêncio na dor, entra contigo em campo,
sai do fracasso ao teu lado.
Um amigo não segura a barra, apenas.
Segura a mão, a ausência, segura um confissão,
segura o tranco, o palavrão, segura o elevador.
Duas dúzias de amigos assim ninguém tem.
Se tiver um, amém!