Hoje chorei, Chorei a dor, Chorei no meu mais íntimo ser Não a dor de uma partida, Não a dor de um amor Chorei a dor dos famintos, A dor do desamor, Chorei pelas tantas lágrimas que em vão derramei Chorei a dor do meu próprio descaso, Chorei pela criança sem infância, Sem lar, sem brinquedos, sem futuro, sem ânsia Chorei pelo lar que tive, chorei ao acaso Chorei pela menina mulher mãe criança Que ainda jovem traz ao mundo outra criança sem infância Chorei pelo meu próprio egoísmo, Meu próprio orgulho, Pelo meu mundo cor de rosa, Quando muitos nada possuem, nada tem, Chorei, não pelo que de Deus recebi, Não pelo amor que me foi dado e que senti, Não pela Mão que sempre me sustentou para eu não cair Mas pelos desprovidos de todo amor que tive, Chorei ao olhar nos olhos da criança, Do futuro a esperança, Chorei pelos meus iguais Marginalizados, Cansados do descaso, Da falta de amor, De compaixão, Chorei como muitos Que podem como eu, Mudar o mundo Mas como muitos, Nada fiz, Apenas chorei...
Agora que estou a viver aqui no meu desterro forçado, nesta cidade distante, fico muito triste de ter que passar o Natal longe de ti. Enquanto estou aqui a trabalhar e a garantir os recursos para a nossa vida, penso em ti e sinto-me aliviado, sei que num futuro próximo estaremos novamente juntos.
Estou a escrever para desejar Feliz Natal, para ti e para os teus pais. Que os festejos sejam alegres e que tenhas momentos de paz junto deles. Eu por aqui vou levando como quer o destino, lutando muito para conter a saudades, mantendo o rumo que eu mesmo determinei para mim.
Sinto o coração apertado toda vez em que penso que estamos voluntariamente separados. Sinto uma alegria triste, em face da distância que nos separa. Mas toda a emoção é válida, e quando estivermos juntos novamente, vamos saber que a saudade é um privilégio de quem ama.
Só tenho que dizer obrigado Deus, por me dar o amor de uma garota como tu. Sei que estás a sentir-te muito só, embora sem reclamar, sofres também a minha falta. Não penses que sou egoísta, que não me preocupo contigo, na verdade vivo apreensivo e sinto muito pela tua ausência.
Na data maior da cristandade, no aniversário do nascimento de Jesus, embora distante, estou reafirmando o meu amor.
Eu me ajoelhei para orar,
mas não por muito tempo,
Pois tenho muito a fazer.
Eu tive de apressar e ir trabalhar
Pois contas em breve precisam ser pagas.
Assim, me ajoelhei e orei apressadamente.
e me levantei depressa de meus joelhos.
Minha obrigação Cristã foi feita.
Minha alma pode descansar em paz...
Por todo o dia eu não tive tempo
De espalhar uma palavra de alegria
Sem tempo de falar de Cristo aos amigos,
Eles ririam de mim, eu receio.
Sem tempo, sem tempo, muita coisa a fazer,
era minha constante reclamação
Sem tempo para dar às almas necessitadas
Mas por último o tempo, o tempo de morrer,
eu fui perante Nosso Senhor,
eu entrei e fiquei de olhos baixos.
Pois em Suas Mãos, Deus tinha um livro,
O Livro da Vida!
Deus olhou em Seu Livro e disse:
'' Seu nome não consigo encontrar,
Uma vez Eu ia escrever seu nome...
Mas nunca encontrei tempo''!!
Se meu coração falasse Diria da ventura suprema de estar envolto em amor Se meu coração falasse Diria quanto dói à saudade de um ex-amor Se meu coração falasse Diria quanto pesa a angústia de uma injustiça
Se meu coração falasse Seria o melhor poeta Diria da beleza de uma rosa Da paz de um sorriso infantil Da graça de um beija flor
Se meu coração falasse Provavelmente seria um arauto da parceria Um profeta ensinando-nos o Paraíso Um seresteiro, um poeta, um trovador!
Se meu coração falasse Certamente cantaria doces canções exaltando os casais Conversaria em linguagem própria com os animais Diria versos às flores Faria dueto com as águas do rio a correr Diria carinhos ao Sol e às Três Marias Se precisasse da escrita para se comunicar Escreveria colorido Talvez em vermelho paixão Ou em prata que pegaria das noites de luar E quem disse que ele não arranjou um jeito de falar?
Diz amo você com meu olhar Entoa ternuras quando me ponho a cantar Reveste-me de verdade crua quando estou a poetar Pena que sua voz é baixinha E nem todos podem ouvi-lo! Só os amantes possuem o poder de escutar A doce e meiga voz do coração... Privilégio dos amantes, então...
Naquela comunidade de franciscanos, frei Teófilo era o responsável pela sopa dos pobres. Todos os dias de manhã, ia recolher verduras e legumes na horta, trazia ossos do açougueiro da vila (para aproveitar o tutano) e depois preparava uma substanciosa sopa num grande caldeirão de ferro. Enquanto a sopa cozia, aproveitava para fazer um exercício devocional individual.
Muitos anos continuou ele nesse serviço e nesta devoção. Um dia, embora de olhos fechados em prece, percebeu uma luminosidade incomum no ambiente. Abriu os olhos e viu, rodeada por intensa luz, a figura viva do Cristo à sua frente! Instintivamente Teófilo se prostrou. Seu coração batia descompassadamente, ameaçando romper-se de alegria!
Mas seu arrebatamento foi interrompido: a campainha da porta da rua soou estridentemente, eram os pobres! Teófilo titubeou: — Oh! Jesus! Como deixar esta revelação pela qual aspirei e esperei a vida inteira. E que direito têm os pobres de interromper este êxtase sublime?
Ergueu implorativo olhar, mas o Mestre apenas o observava, atentamente. A campainha tocou outra vez. Movido pelo dever, o frade suspirou, inclinou-se ante o Cristo e correu à cozinha. Tomou o caldeirão e a concha e dirigiu-se à porta. Os pobres já estavam nervosos. Teófilo os serviu pacientemente, mas ainda estava ansioso e emocionado.
Quando terminou sua tarefa, tornou à cozinha, deixou ali os apetrechos e olhou esperançoso para seu quarto: ainda estava esplendidamente iluminado!
Entrou: Cristo o esperava! Comovido e jubiloso ajoelhou-se e, então, o Mestre lhe disse: – Teófilo, Eu me teria ido... Se tivesses ficado...!