Conto contigo, nas horas certas e incertas do meu destino.
Você construiu o meu passado e está no meu presente.
Deu-me uma boa educação e coisas boas colocou em minha mente.
O meu futuro construirei, e quero que nele esteja presente.
E perceba que tudo que me ensinou um dia, não joguei ao vento.
Você foi o amigo que sempre confiei, um Pai compreensivo que sempre admirei. Com você aprendi a lutar pelas coisas e dar valor a elas.
Com você aprendi que nunca somos um perdedor, e sim que quando caímos podemos ter forças e levantar mesmo que a queda for dura e nos machucar.
Aprendi que o amor de um pai, vence qualquer barreira e que
protege seus filhos de qualquer perigo.
Obrigado por eu ter e sentir sempre esse amor.
Como é bom olhar para você e poder dizer...
Esse é meu Pai... esse é meu amigo.
É de você. É de nós. É disso que eu ando precisando. É disso que eu preciso todos os dias depois que te conheci. É isso o que eu quero cada vez mais, todos os dias depois que te conheci.
Eu tinha um medo mortal de não ser ninguém. De chegar sem ninguém me cumprimentar pelo caminho, de não notarem que eu mudei meu perfume, de não pedirem minha opinião, de começarem sem mim, de terminar sem ninguém.
O meu medo, mesmo mortal, não era o da morte, era o de não ser a mais ilustre dentre as comidas dos vermes. Eu quero que os vermes me guardem para comer no Natal ou quando chegar algum parente de longe que eles queiram impressionar.
Imagine quão desesperadora é a ideia do esquecimento para o homem moderno: já quase não nos sobram mais árvores nem tempo para escrever. Só nos resta então, ter filhos. Mas o amor aos meus filhos impediu-me de tê-los para viver as mesmas angústias que eu.
Eu desisti da vida muito jovem, quando ainda me sobravam vários dentes mas poucos motivos para sorrir. Agora, o arrependimento e o medo do esquecimento me perseguem e aqui me posto a escrever minhas memórias, por vezes trágicas, por vezes cômicas, mas quase sempre vis.
Arlindo da Souza e Cruz
O tempo passa... Mesmo quando isso parece impossível. Mesmo quando cada batida do ponteiro dos segundos dói como o sangue pulsando sob um hematoma. Passa do modo inconstante, com guinadas estranhas e calmarias arrastadas, mas passa. Até para mim!
Sonhar
Mais um sonho impossível
Lutar
Quando é fácil ceder
Vencer o inimigo invencível
Negar quando a regra é vender
Sofrer a tortura implacável
Romper a incabível prisão
Voar num limite improvável
Tocar o inacessível chão
É minha lei, é minha questão
Virar esse mundo
Cravar esse chão
Não me importa saber
Se é terrível demais
Quantas guerras terei que vencer
Por um pouco de paz
E amanhã, se esse chão que eu beijei
For meu leito e perdão
Vou saber que valeu delirar
E morrer de paixão
E assim, seja lá como for
Vai ter fim a infinita aflição
E o mundo vai ver uma flor
Brotar do impossível chão
Chico Buarque