Mãe é psicóloga, que te ouve, aconselha e te ajuda a enfrentar os problemas.
Mãe é general, que dá ordens, que impõe regras e limites.
Mãe é enfermeira, que te cerca de cuidados na enfermidade.
Mãe é amiga, que ouve e chora com você, que está sempre ao teu lado, torcendo por você e sempre pronta para te ajudar.
Mãe é professora, que ensina pacientemente o bê-a-bá.
É a pessoa que para sempre vai te amar.
Mas que amor de cachorrinha!
Mas que amor de cachorrinha!
Pode haver coisa no mundo
Mais branca, mais bonitinha
Do que a tua barriguinha
Crivada de mamiquinha?
Pode haver coisa no mundo
Mais travessa, mais tontinha
Que esse amor de cachorrinha
Quando vem fazer festinha
Remexendo a traseirinha?
Vinícius de Moraes
Inspirado na obra de Schopenhauer (1788-1860)
A fábula se passa na Era Glacial, em um tempo remoto, quando diversas espécies animais foram extintas. Uma manada de porcos-espinhos, sentindo-se prestes a congelar, decide se unir para sobreviver.
Aquecendo-se uns aos outros e trocando energia, os porcos-espinhos ficavam cada vez mais fortes, mas a proximidade excessiva acabava expondo-os às feridas dos espinhos, e assim eles se machucavam e se magoavam. Juntos, estavam quentinhos, porém sangrando:
"Aqueles que mais amavam,
Aqueles que mais sofriam".
Não suportando os ferimentos, eles se afastaram. Cada um em seu canto, acabaram por morrer. Os sobreviventes voltaram e tiveram que aprender a respeitar os limites:
"Mantinham pouca distância,
Apenas suficiente,
Somente para tornar
O próprio corpo mais quente".
Assim venceram o inverno, aprendendo que estar juntos é fundamental, mas também que a individualidade deve ser preservada.
É fácil trocar palavras, difícil é interpretar o silêncio!
É fácil caminhar lado a lado, difícil é saber como se encontrar!
É fácil beijar o rosto, difícil é chegar ao coração!
É fácil apertar as mãos, difícil é reter o calor!
É fácil conviver com pessoas, difícil é formar uma equipe!
Para sermos uma equipe, "precisamos descobrir a alegria de conviver"
(Carlos Drummond de Andrade)
Coloridas ilustrações conduzem a história, ambientando o drama dos porcos-espinhos em cenários que remetem a jogos e brincadeiras diversos: pipa, dados, bola, quebra-cabeças, cartas, dominó, amarelinha, xadrez, roda. Afinal, a vida é também um jogo, e para saber jogar é preciso aprender as lições da convivência e dos limites.
Vinte e cinco anos, meu querido. O tempo passou rápido e nós nem reparamos como tudo ficou para trás. Quando recordo as coisas maravilhosas que vivemos fico muito feliz, mas sinto sobretudo orgulho no amor que nos tem mantido unidos.
Que nossa história não termine por aqui e possamos continuar caminhando lado a lado para sempre! Você é muito importante para mim e eu estou cada vez mais apaixonada pelo homem especial que conquistou meu coração.
É muito comum associar a figura do pai ao trabalhador, sério, sisudo, guerreiro, preocupado somente em prover o lar de recursos para a alimentação, a saúde, a educação etc.
Aqui nos ajuda o compositor
poeta Gonzaguinha: "Guerreiros são pessoas, são fortes, são frágeis. Guerreiros são meninos, no fundo do peito... É triste ver um homem, guerreiro menino, com a barra de seu tempo por sobre seus ombros. Eu vejo que ele berra, eu vejo que ele sangra, a dor que tem no peito, pois ama e ama (...) Um homem se humilha, se castram seus sonhos, seu sonho é sua vida, e vida é trabalho, e sem o seu trabalho, um homem não tem honra, e sem a sua honra, se morre, se mata..."
Assim, a figura do pai aparece como autoridade, quando não como autoritarismo. Mas a verdadeira autoridade nasce de uma boa relação afetiva entre pais e filhos. Ela não deve ser imposta. Daí a importância de aprender com as crianças a dar valor às coisas que parecem não levar a nada, como as brincadeiras, mas que aproximam e criam vínculos afetivos para toda a vida. Penso que a dimensão lúdica e afetiva dos homens-pais foi atrofiada em nossa cultura. Ela precisa ser despertada, sabendo que isso é um acréscimo e não uma perda em relação a outras dimensões, como o trabalho, que continuarão a ter o seu valor. É o pai, guerreiro e forte, mas também menino e frágil.
Rui Antônio de Souza