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Você é a melhor tia do mundo, um dos motivos para eu ser feliz. Durante todos os anos que já passaram, sempre senti você do meu lado como se fosse uma mãe protetora. Quer nas alegrias, quer nas tristezas eu nunca fiquei só e sua presença foi uma grande força para mim.

Quem tem uma tia assim tem tudo e eu apenas desejo que continue por perto para toda vida.

Eu quero que saiba que você pode contar comigo quando você quiser. Nos melhores momentos para darmos risadas juntos. Nos piores momentos para que choremos um no ombro do outro. Eu sempre vou estar ali, bem ali do seu lado, pra qualquer hora, momento, ou lugar.

Meu querido estás tão longe que tudo o que me resta é ficar aqui, quieta e triste, com o coração apertadinho de saudades!
Nem fazes ideia do quanto eu gostaria de ter-te por perto, do quanto eu gostaria de estar agora a ouvir música encostada ao teu ombro, de mãos dadas contigo. Parece palermice, mas são essas coisas simples que me deixam mais saudosa...
Sinto vontade de saber se estás acessível... e gostaria de ter a sensação de que era possível tocar-te a qualquer momento, chamar pelo teu nome e não ficar horas e horas, em vão, à espera de uma resposta. Sei que esta situação é transitória, sei que um dia vou poder abandonar em pleno esta saudade, sei que sentirei de novo o toque da tua pele e da tua boca, a força e o calor do teu abraço, mas mesmo assim sinto-me muito triste e sozinha enquanto estou longe de ti. Se soubesses a intensidade desta minha dor, a intensidade do meu desconforto, certamente arranjarias forma de chegar mais cedo, de estar perto de mim o mais depressa possível, pois eu amo-te mais cada dia e sinto-me triste por estar longe de ti!
Por enquanto só me resta ficar aqui, recostada no sofá, vendo velhos filmes românticos, aos quais nem sequer presto muita atenção, porque sei que o meu amor por ti é maior do que todos os que já passaram pelas salas de cinema! Mas, também sei que a saudade dói demais!

Aos sete anos de idade, eu desejava muito estudar violino e mamãe, com algum sacrifício, comprou o instrumento e contratou um professor para mim.
Após algumas semanas, vi que não conseguia executar nenhuma melodia e que tinha de fazer exercícios por horas intermináveis.
Então eu disse a minha mãe que havia desistido e ia abandonar o estudo.
Morávamos um pouco distante da cidade e foi enquanto caminhávamos – ela fora me buscar ao término de uma das aulas – que eu lhe expliquei o motivo do meu desânimo.
Por acaso passávamos pela casa de uma pessoa amiga que possuía um formoso pomar. – Veja, disse minha mãe, que frutas maravilhosas!
O espetáculo incendiou a minha imaginação infantil. Havia maçãs, peras, laranjas. Os galhos pendiam de tão carregados.
– Você gostaria de experimentar uma? Mamãe me perguntou.
– Oh! Gostaria sim. Aquela laranja grande e amarela como gema de ovo.
– Pois então pegue-a.
– Mas eu não posso, por causa da cerca. Além do mais, será que a dona do pomar vai permitir? – É mesmo. Você tem razão. Falaremos com ela.
Minha mãe chamou-a e ela consentiu, dizendo: – O portão do pomar fica ali adiante. É só vocês darem a volta.
Mamãe agradeceu e nós subimos até o pequeno portão, que ela abriu. Corri, colhi a laranja e voltei alegremente, com ela na mão. Então mamãe me disse:
– Está vendo? Para saborearmos os frutos apetecidos é necessário gastar algum tempo e caminhar, dar algumas voltas. Aquilo que realmente desejamos quase nunca está ao alcance de nossas mãos. Você vai ver que será assim durante toda a sua vida...
Imediatamente veio-me à cabeça a história do violino.
Voltei às aulas e aos exercícios, até que fui capaz de executar as minhas melodias prediletas.
E, ao longo de toda minha vida, guardei a lição de minha mãe quanto à necessidade de se empregar o tempo e dar as voltas precisas para alcançar os objetivos.

Era uma vez um escritor que morava em uma tranquila praia, junto de uma colônia de pescadores. Todas as manhãs ele caminhava à beira do mar para se inspirar, e à tarde ficava em casa escrevendo.
Certo dia, caminhando na praia, ele viu um vulto que parecia dançar. Ao chegar perto, ele reparou que se tratava de um jovem que recolhia estrelas-do-mar da areia para, uma por uma, jogá-las novamente de volta ao oceano.
Por que está fazendo isso, perguntou o escritor.
Você não vê, explicou o jovem... A maré está baixa e o sol está brilhando, elas irão secar e morrer se ficarem aqui na areia, continuou.
O escritor espantou-se:
– Meu jovem, existem milhares de quilômetros de praias por este mundo afora, e centenas de milhares de estrelas-do-mar espalhadas pela praia. Que diferença faz? Você joga umas poucas de volta ao oceano. A maioria vai perecer de qualquer forma.
O jovem pegou mais uma estrela na praia, jogou de volta ao oceano e olhou para o escritor dizendo:
– Para essa aqui, eu fiz a diferença.
Naquela noite o escritor não conseguiu escrever, sequer dormir. Pela manhã, voltou à praia, procurou o jovem, uniu-se a ele e, juntos, começaram a jogar estrelas-do-mar de volta ao oceano.
Sejamos, portanto, mais um dos que querem fazer do mundo um lugar melhor. Seja a diferença!