Um menino vivia com sua avó quando sua casa incendiou-se. A avó, tentando alcançar o andar superior para salvar o menino, morreu nas chamas. Os gritos do menino por ajuda finalmente foram respondidos por um homem que subiu por um cano de esgoto de ferro e voltou para baixo com o menino pendurado ao seu pescoço.
Várias semanas mais tarde, uma audiência pública foi realizada para determinar quem receberia a custódia da criança. Um fazendeiro, um professor e um cidadão bem sucedido do povoado apresentaram suas razões pelas quais sentiam que deveriam ser escolhidos para dar um lar ao menino.
Enquanto conversavam, os olhos do menino permaneciam fixos no chão. Então, um estranho avançou e lentamente tirou as mãos dos bolsos, revelando terríveis cicatrizes nelas.
Enquanto a multidão assistia, o menino chorou em reconhecimento. Aquele era o homem que tinha salvado sua vida. Suas mãos tinham sido queimadas quando subiu o cano quente. Com um salto o menino jogou seus braços em torno do pescoço do homem.
Os outros homens silenciosamente saíram, deixando o menino com seu salvador. Aquelas mãos danificadas tinham encerrado o assunto.
Este relato é bom para nos fazer lembrar que há alguém cujo corpo teve as mãos terrivelmente feridas por pregos numa missão de salvamento. É este alguém que, acima de qualquer interesse, merece ter a nossa custódia e por nossa própria e espontânea vontade.
A nossa amizade é linda, como o sol pela manhã. É ela que ilumina minha vida e que traz cor para os meus dias. Aquilo que nos une já sobreviveu à passagem do tempo e às maiores adversidades da nossa vida. É bom olhar para o lado e ver que você ainda permanece comigo.
Um bom dia para você, querida amiga!
O que é que se encontra no início? O jardim ou o jardineiro? É o jardineiro. Havendo um jardineiro, mais cedo ou mais tarde um jardim aparecerá. Mas, havendo um jardim sem jardineiro, mais cedo ou mais tarde ele desaparecerá. O que é um jardineiro? Uma pessoa cujo pensamento está cheio de jardins. O que faz um jardim são os pensamentos do jardineiro. O que faz um povo são os pensamentos daqueles que o compõem.
Rubem Alves
Estou a escrever-te para pedir que me perdoes. Sei que deves estar chateada, pois não dou notícias há três dias, mas é que tenho feito trabalhos externos nestes últimos dias, quase sempre fora da cidade. Depois, quando volto, vou direto para a faculdade. Chego a casa já no início da madrugada (agora, por exemplo, são uma e meia da manhã!) e saio muito cedo, para começar tudo outra vez.
Amanhã vou novamente para o interior e tenho que voltar rápido para não perder um teste na escola.
Não quero telefonar-te a cobrar para casa dos teus pais. Só quero que saibas que te adoro e que tenho passado estes dias todos só a pensar no momento de te reencontrar e explicar toda esta situação pessoalmente.
Meu amor, logo, logo o fim de semana chegará, e então nós poderemos ficar juntos. Sei que na próxima semana a situação vai estar mais tranquila aqui no trabalho e, com sorte, poderemos ver-nos todos os dias, nem que seja por meia horinha.
Minha querida, mais uma vez desculpa-me, mas quero que saibas que este sacrifício valerá a pena, pois a minha intenção é passar o resto da minha vida sempre perto, sempre junto de ti. Mais uma vez, perdão e até breve!
Árvore: - Preciso que me ouças com paciência! Não nos analise como os outros nos fazem. Querem nos sentir apenas como objetos de consumo imediato. Permita-nos o tempo para amar! Dá-nos o tempo da oferenda!
Humano: - Entendo o que queres me dizer; não somente te criei, te vi crescer, como sempre te quis muito! Mesmo que não saibas, estive do teu lado quando sofrias agressões em teu tronco, para mais cedo produzires. Vi tuas lágrimas correndo; elas secaram, sei, mas ainda estás marcada, e sofro vendo os teus estigmas.
Árvore: - Sabemos! Nem todos são insensíveis. A dor física foi superável à dor do meu Ser naquela hora. As feridas cicatrizam, os tecidos se recompõem, as células se renovam, mas a dor do Ser, perdura. Todavia, compreendemos.
Humano: - Compreendem? Como compreendes?
Árvore: - Os Homens têm a pressa da colheita. Perderam muito do sentimento da doação, e a paciência na espera. Querem muito cobrar, na volta do pouco que dão, e podem um dia, pouco receber! Nós nos suprimos apenas com o que a Natureza pode nos oferecer, e doamos tudo que recebemos, no tempo certo. Os Homens, perderam o sentido do Existir; "Existem só para viver, para colher", por isso nos agridem, pelo muito desejarem se abastecer.
Nossos ciclos são simples e perfeitos. Somente o receber, o doar e novamente nos nutrir. A Vida quer com todos se harmonizar, mas os Homens estão apenas vivendo, esquecendo de Existir. A Natureza pode um dia, deles também esquecer, deixando de os prover.