Eu queria realmente ser um anjo! Ser o anjo que vela, o anjo que guarda, o anjo que protege... Quebrar todas as barreiras e ser apenas um anjo. Mas não é permitido a um anjo, amar uma única pessoa. Seu amor não pode ser exclusivo. Seu amor deve ser extensivo... Não é permitido a um anjo chorar por todas as pessoas. Seu pranto é exclusivo.
Que anjo eu posso ser? Que amor eu poderei dar? Que olhos irão me ver? A quem eu irei amar?
Eu queria tanto ser um anjo! Ter a bondade nas faces, a sabedoria no olhar. Saber sorrir, saber confortar. Saber entender aos aflitos, saber ensinar. Ir ao encontro de todos... Um anjo qualquer! Um anjo comum! Atender as preces dos necessitados. Atender a procura de afeto de uma criança. Um anjo que aprende com a dor. Um anjo que aprende com o amor...
Beijar a face daquele que suplica. E serenar a raiva do inimigo cruel. Por fim, eu queria ser um anjo...
E poder quebrar todas as regras celestiais. Sentir o amor único e exclusivo. E chorar por todos os demais... "Eu queria somente ser um anjo!"
Em lamentável indiferença, muitas pessoas esperam pela morte do corpo, a fim de ouvirem as sublimes palavras do Cristo.
Não se compreende, porém, o motivo de semelhante propósito. O Mestre permanece vivo em seu Evangelho de Amor e Luz.
É desnecessário aguardar ocasiões solenes para que lhe ouçamos os ensinamentos sublimes e claros.
Muitos aprendizes aproximam-se do trabalho santo, mas desejam revelações diretas. Teriam mais fé, asseguram displicentes, se ouvissem o Senhor, de modo pessoal, em suas manifestações divinas. Acreditam-se merecedores de dádivas celestes e acabam considerando que o serviço do Evangelho é grande em demasia para o esforço humano e põem-se à espera de milagres imprevistos, sem perceberem que a preguiça sutilmente se lhes mistura à vaidade, anulando-lhes as forças.
Tais companheiros não sabem ouvir o Mestre Divino em seu verbo imortal. Ignoram que o serviço deles é aquele a que foram chamados, por mais humildes lhes pareçam as atividades a que se ajustam.
Na qualidade de político ou de varredor, num palácio ou numa choupana, o homem da Terra pode fazer o que lhe ensinou Jesus.
É por isso que a oportuna pergunta do Senhor deveria gravar-se de maneira indelével em todos os templos, para que os discípulos, em lhe pronunciando o nome, nunca se esqueçam de atender, sinceramente, às recomendações do seu verbo sublime.
E por que me chamais Senhor,
Senhor, e não fazeis o que eu digo?
- Jesus.
Bíblia
Diante de seu olhar. Belo como uma safira, admirei o brilho com que me refletia nele... Emanando forças que jamais esquecerei. Provocando arrepios na minha pele.
Seu olhar... Ah! Seu olhar. O profundo azul por ele exalado sustenta meu olhar no seu e falam por nós, revelam por nós sentimentos inesperados.
O tênue fio de luz a nós unir, anônimo, magnético, imantando nossos corpos, prendendo nossos sentidos.
Ah, seu olhar... Foi ele que me arrebatou, esse olhar mágico, esse olhar bandido!
O meu cabelo é bom é assim, e se você não gosta, por favor, fique longe de mim. Não vou alisar, não vou trançar, não vou prender. Se você não gosta do meu cabelo porque diz que é cabelo pixaim de preto, eu é que não gosto de você. Esquece essa de escovinha e chapa, solta os seus cachos, mostra o seu poder.
A minha pele é negra, bela como a noite que nunca vai ter fim. Quem disse que quando a coisa está preta é porque está ruim? Você nunca ouviu falar de cegueira branca, quando a luz está muito forte e nem com sorte você pode enxergar?
Não transforme o seu preconceito em piada, porque não tem graça, e se alguém rir pode ter certeza que você não tem motivo para se orgulhar. Não tem riso frouxo que disfarce o racismo e a ignorância do seu blá blá blá.
Sim, eu sou negro, com muito orgulho e com muito amor. Eu sou brasileiro, e levanto a taça de fazer parte de uma raça que mistura tudo quanto é cor. Mas não me orgulho de tanto preconceito que o irmão branco tem contra o irmão negro, se todos são filhos da mesma nação.
Tenho vergonha de tanta ignorância e da gente que acha que a cor da pele é que dá valor para o que a gente é. Abre a sua cabeça, porque a sua massa cinzenta já virou fumaça e a sua mente já está vazia. E não faz piada, porque preconceito, meu amigo, não tem graça!
Geralmente, em toda parte,
No ângulo mais sombrio
Dos recantos desprezados,
Vem a aranha e tece o fio.
Escura, silenciosa,
Atendendo ao próprio instinto,
Seja dia, seja noite,
Vai fazendo o labirinto.
Por manter o enorme enredo,
Insiste e nunca esmorece,
Condenar-se por si mesma
É seu único interesse.
Desdobrando movimentos
Nos impulsos insensatos,
Pratica perseguições,
Multiplica assassinatos.
Insetos despreocupados,
Na ilusão cariciosa,
Transformam-se em prisioneiros
Da pequena criminosa.
Satisfeita, a aranha escura.
Prossegue na horrenda lida,
Nos venenos que segrega
Traz a morte e suga a vida.
Mas um dia, o espanador,
Na luta material,
Vem e arranca essa infeliz
Das teias de horror do mal.
A aranha, porém, não cede,
Com teimosia e com arte,
Foge ao bem que se lhe fez,
E vai tecer noutra parte.
Quem medita na conduta
Dessa aranha renitente,
Encontra a cópia fiel
Da vida de muita gente.
A muitos presos do engano,
Deus envia a dor e as provas;
Mas, depois de liberdade,
Vão prender-se em redes novas.