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Um homem estava sentado ao lado do caixão de sua companheira, triste e amargurado. De repente viu passar à sua frente um desfile de formas belas e brilhantes, leves de lábios rosados e olhos claros de alegria.
Quem são vocês, belas criaturas? – perguntou ele. E elas responderam: Somos as palavras que você poderia ter dito a ela. Ah! Fiquem comigo! – implorou o homem.
Suas belas formas são como um punhal me cortando o coração, mas mesmo assim fiquem comigo, pois ela está fria e muda e estou sozinho.
Elas responderam: Não, não podemos ficar porque não temos existência. Somos apenas a luz que jamais brilhou. E foram embora.
O homem continuou triste e amargurado. De repente viu se erguer entre ele e o caixão um bando de formas terríveis, pálidas, de lábios brancos e olhos de fogo. O homem estremeceu.
Quem são vocês, formas horrendas? – perguntou ele. E elas responderam: Somos as palavras que ela ouviu de você. O homem gritou aterrado.
Saiam daqui, me deixem só! Melhor a solidão do que a sua companhia! Mas elas se sentaram em silêncio, fixaram os olhos no homem e permaneceram com ele para sempre.

Nessa telinha de sonhos, por obra do acaso, pessoas queridas chegam de mansinho, enchem o espaço de carinho e, sem aviso prévio, despertam a ternura existente em nós.
Pessoas especiais que aprendemos a amar num jogo colorido de palavras com todas as letras e tons que possam caber na saudade espaçosa de uma distância.
Pessoas muito amadas que procuramos reencontrar nas esquinas da vida em um rosto amigo com braços de atleta,
Coração de menino sorriso de anjo da guarda e guarda-costas particular-pessoal-intransferível perdido em algum dos quatro cantos da terra...

E eu entendi que a saudade é como o amor, nunca para de crescer, porque aqueles que amamos fazem parte do que nós somos, mesmo estando longe...

Outrora, o homem tinha o seu pequeno reino - talvez pobre - onde era senhor.
Crescia por dentro, dono de ser quem era, domando uma terra que lhe resistia, amparando-se em quem tinha ao lado, forjando laços, acariciando cordeiros e oliveiras, ouvindo Deus no vento, aquecendo-se ao fogo do lar.
E fazia canções e danças. E eram cheios de sentido as festas e os Domingos e as palavras.
O homem não é agora de lugar nenhum. Não tem ligação à terra.
Não vive com os outros. Cria e quebra laços com a facilidade resultante de esses laços não terem chegado a ser exatamente laços, por lhes faltar conteúdo. É superficial em tudo. Corre...

A guerra é inimiga da paz sob todas as circunstâncias! Não importa a dimensão, não interessa a gravidade. Todo conflito que não seja resolvido através da palavra é uma ameaça permanente.

Basta de crueldade – o tempo das cavernas já passou! E o dinheiro e os interesses também não devem mais ser justificação para confrontos desumanos. A vida e o mundo pertencem a cada um de nós. Vamos eliminar a palavra "guerra" de todos os dicionários do mundo!