Oi meu doce Novembro.
Seja bem vindo, e que com sua primavera quente, meu coração se aqueça e floresça.
Leve por favor todas as surpresas e decepções de Outubro.
Que logo você, um mês tão injustiçado por ser corrido e ocupado, desocupe minha mente de todas as mágoas que ficaram.
Venha Novembro, e traga com você toda paz que eu mereço e esperei em vão por todo esse ano.
Me surpreenda por favor, ultimamente tenho odiado as surpresas, mas espero que você me traga somente boas noticias.
Que em cada um dos seus 30 dias eu me faça mais completo, mais humano, mais exato, mais experiente e calmo.
Que você não passe na pressa de um ano que se acaba, mas que passe na calma de um ano que ainda pode me valer a pena.
Sabe Novembro?!
Meu ano foi muito confuso, muito duro, e por alguns instantes desacreditei em coisas que não podemos desacreditar de forma alguma, então por favor seja doce, e não permita que me magoem de novo.
Que seja, doce, que seja leve, que seja lindo, tão lindo quanto aquele sorriso que tanto me faz falta, mas que sei que você vai me ajudar a esquecer com novos sorrisos mais lindos ainda.
Vem Novembro, e vem com tudo, com tudo de bom que eu mereço.
Daniel Cajueiro
Meus pensamentos se infundem
Na tua loção sensual.
Então eu caminho adentro
Da solidão dessa estrada...
Meu peito rompe-se no topo
Desse gozo virginal,
E deságuo ao descobrir
Que minha saudade não é alada...
As asas se dissiparam
Na vastidão desse caminho.
Tentei fazer a alquimia perfeita
Para não te perder.
Mas aqui, nesse deserto,
Estou desnudo e sozinho,
Misturei notas, criei acordes,
E não encontrei você...
Como um perfumista,
Peguei a essência de diferentes rosas.
Mas a química perfeita da tua alma
Parecia não existir mais.
Em versos vãos, transformei lembranças
Em simples prosas...
A saudade do teu cheiro
Envenenou-me em nos umbrais!
Diante dessa estrada
Empoeirada de anêmica paixão,
Acho que a sombra da morte aparece
Em sorrateiros sinais.
E ao perigoso romper desse iludido,
E indelével coração,
Destilo-me junto ao chão
No aroma vermelho dessa lembrança fugaz...
Gosto de gente com a cabeça no lugar, De conteúdo interno, Idealismo nos olhos e dois pés no chão da realidade.
Gosto de gente que ri, Chora, se emociona com uma simples carta, Um telefonema, uma canção suave, um bom filme, Um bom livro, um gesto de carinho, um abraço, um afago.
Gente que ama e curte saudades, gosta de amigos, Cultiva flores, ama animais.
Admira paisagens, poeira. E escuta.
Gente que tem tempo para sorrir bondade, Semear perdão, repartir ternuras, Compartilhar vivências e dar espaço para as emoções dentro de si, Emoções que fluem naturalmente de dentro de seu ser!
Gente que gosta de fazer as coisas que gosta, Sem fugir de compromissos difíceis e inadiáveis, Por mais desgastantes que sejam.
Gente que colhe, orienta, se entende, aconselha, Busca a verdade e quer sempre aprender, Mesmo que seja de uma criança, de um pobre, de um analfabeto.
Gente de coração desarmado, sem ódio e preconceitos baratos. Com muito AMOR dentro de si.
Gente que erra e reconhece, cai e se levanta, Apanha e assimila os golpes, Tirando lições dos erros e fazendo redentora suas lágrimas e sofrimentos.
Gosto muito de gente assim... E desconfio que é deste tipo de gente que DEUS também gosta!
No domingo à tarde quase sempre bate uma nostalgia. É o fim de semana que começa a acabar, e o anúncio de uma nova semana que se inicia.
Com receio da segunda, muitos sofrem por antecipação. Mas domingo à tarde pode ser um tempo tão bom! Podem ser horas de preguiça, ou de agitação.
Uma boa tarde de domingo é uma bela despedida do fim de semana. Mas atenção: o melhor é não ligar a televisão! Aproveite a tarde para fazer um passeio, fazer um bolo, ir ao cinema, visitar os seus avós ou apenas ler um livro.
Guarde sempre alguma coisa especial para fazer na tarde de domingo. Nada de tarefas, é hora de relaxar, pois não há melhor maneira de enfrentar a segunda-feira do que tendo passado uma boa tarde de domingo.
A geografia da cidade é plana – traçada a direito pelos roteiros que percorremos. Todos os rostos me sobressaltam com a tua imagem. Penso sempre que podes aparecer, de súbito, na dobra de uma rua, no trajeto para o trabalho, numa divisão da casa.
É uma espécie de ansiedade abafada, constante, que corresponde a um ponto exato do corpo – fica ali, entre o coração e o estômago a meio caminho de nada e entre tudo o que é vital. Dizem que o amor sem sofrimento não é amor. Talvez não seja só masoquismo. Talvez esta agonia toda amadureça algo dentro do peito: valoriza-se o momento porque se passou pela ausência. amacia-se a voz porque se conhece o desespero. aumenta-se a doçura porque se passou pela dor!
Foi assim que aprendemos a conhecer o fundo do coração – entre a presença e a ausência, entre a luz e as trevas, entre o amor a dor. Foi assim que resistimos a tudo e a todos mas principalmente a nós – a esta vontade de destruir a dor a qualquer preço.
Acabamos sempre rendidos por um amor maior que de tão amargo se fez doce e de tão fundo se fez permanente.
E de tão longe que estás não te digo que tenho saudades tuas.
Este disparate de ter saudades faz com que os grandes acontecimentos desapareçam, lembramo-nos dos outros acontecimentos, ínfimos, isolados, na amálgama dos dia, aquelas coisas que de tão integradas na pele são incapazes de provocar, por si, só uma alteração no rumo de uma manhã. De repente recordo-me do teu cabelo molhado nesse hábito que tens de odiares guarda-chuvas.
Afinal és todas as pequeninas coisas do quotidiano, as coisas simples – é delas que tenho saudades: tomar café contigo, rir, dizer palavras inócuas como bom dia, seres a última e a primeira imagem que vejo ao adormecer e ao acordar e então pergunto-te: não será isto maior que dizer que tenho saudades tuas?