Havia uma mulher corcunda magoada com o mundo, que vivia magoada com seu terrível calombo nas costas.
A mulher andava curvada, rastreando os cantos com seus olhos tristes, mal humorada, até que um dia encontrou um objeto mágico onde há séculos vivia um gênio, que se materializou na sua frente oferecendo-lhe quatros pedidos por sua libertação.
A mulher fez o primeiro: - Eu queria ter uma casa mais bonita do que a chata da Dona Maria, aquela mulher fofoqueira...
Zás! Apareceu-lhe uma casa maravilhosa.
Veio o segundo pedido. - Eu queria ter um carro muito mais bonito, possante e moderno do que o infeliz do Seu Zé.
Zás! Surgiu em sua frente um carro sensacional.
Assim fez o terceiro pedido: - Eu queria ter mais joias do que a Dona Joana, aquela intragável.
Zás! Apareceram-lhe joias maravilhosas.
Foi a vez do quarto e último pedido: - Agora, gênio, eu quero que você realize meu último pedido: Que suma aquilo que trás as amarguras da minha vida, meu desgosto, meu maior defeito...
E Zás!... de novo. Sumiu-lhe a língua...
Os que tentam, e não são poucos, distorcer a realidade vendo e aceitando somente aquilo que lhe convém não conseguem enfrentar com êxito as grandes dificuldades impostas pelo tempo e pela vida, pois estes se encontram aprisionados dentro de si mesmos e sendo limitados por seus egos e seus inúmeros medos
Não é preciso ter correntes para se tornar um prisioneiro, pois a maior prisão que pode existir encontrasse dentro da mente humana.
Aquele que retrai suas ideias e pensamentos de forma a entender e discutir somente o que lhe for de interesse próprio, se torna um prisioneiro mental gradativo e tem grande possibilidade de ser (ou já estar sendo) autoflagelado por seu próprio eu interior.
Porém, aquele que encontra fundamentos na argumentação e na exposição de suas ideias, compreendendo também os pensamentos e sentimentos dos outros, se torna eternamente livre e ajuda a construir em si um corpo em plena comunhão com sua alma.
Ter interesses próprios é necessário, mas compreender a vida de verdade e as ideias discutidas em seu meio é tão vital quanto possuir um coração ou até mesmo respirar.
Há momentos e acontecimentos da vida, que não podemos controlar. Por isso, quando a tristeza bater, deixe-a entrar, mas não feche a porta. Deixe o seu peito aberto para que ela possa sair.
A tristeza que fica presa, torna-se amargura. Mais vale transformar a tristeza em lágrimas, pois as lágrimas ajudam a lavar a alma, como a chuva lava a terra, e depois nos presenteia com um belo arco-íris.
Quando a tristeza bater, não finja que não ouviu, e que a dor não lhe atinge. Os momentos de sofrimento são importantes na vida. Com eles aprendemos e amadurecemos, mas não sofra mais do que cada momento ou motivo de tristeza merece. Para aprender com a tristeza, é preciso deixar a sabedoria entrar e ocupar o seu lugar.
Quando a tristeza bater, não tenha medo. Viva a tristeza, mas somente o tempo suficiente para compreender o porque de sentir tamanha dor. E saiba que cabe somente a você mandá-la embora!
É estranho, mas só com você me sinto em casa. Tenho em você o meu porto seguro. Você é minha paz, meus momentos felizes. E também meu jeito bobo de ser. Je t'aime.
Certa vez, o rei dos demônios, incomodado com a sabedoria e os poderes de Shiva, enviou um dos seus súditos na forma de uma peçonhenta serpente naja para matá-lo. Antes que a serpente o mordesse, Shiva – o "Senhor de todas as Criaturas" –, agilmente, pegou-a com a mão, domou-a e a colocou como adorno ao redor de seu pescoço. Então, a serpente tornou-se sua fiel amiga e companheira. Furioso, o rei dos demônios enviou outro demônio mais feroz na forma de um terrível tigre. Ao lutar com o feroz animal, Shiva percebeu que ele não poderia ser adestrado e que precisaria matá-lo. Com a sua pele, confeccionou uma roupa para se vestir.
Essa história nos mostra que os momentos difíceis e de atribulações podem ajudar muito a crescer como pessoa, a compreender muitas situações e, consequentemente, tornar melhor e mais capaz; que não se deve desesperar e desanimar e, sim, procurar extrair das circunstâncias desfavoráveis algo de útil, um aprendizado ou proveito, assim como o fez Shiva. A partir desse posicionamento, é possível tornar-se mais autoconfiante, experiente, forte e sábio.
Gilberto Coutinho