Meu peito pesa de saudades do ontem, das pessoas que viveram nesse ontem, desse tempo que passou e não volta mais.
Sinto saudades da infância, dessa época mais simples da vida em que doía o joelho de tanto cair, mas o coração estava intato.
Sinto saudades de ser livre, de poder sonhar sem me preocupar com o amanhã, de correr atrás de uma ilusão sem medo de cair e de novo quebrar o coração em pedaços.
Sinto saudades de olhar o futuro sem receio do que ele trará. Sinto saudades de sorrir porque sim.
Meu coração pesa de saudades por muita coisa, mas o que realmente pesa mais e cuja cura poderia aliviar tudo o resto, são as saudades que sinto de você, de tudo o que vivemos e principalmente do que ficou por viver...
Um dia na igreja eu me sentei num banco e ouvi o pregador dizer: – Nós precisamos de alguém para dar algumas aulas. Quem assumirá essa tarefa?
Eu senti Deus ao meu lado, sussurrando: – Filho, essa é para você.
– Mas, Senhor, falar para tanta gente é uma coisa que não sei fazer! O Sr. Carlos seria o homem ideal para chamar. Não há o que ele não saiba fazer. Eu prefiro ficar aqui no banco assistindo às suas aulas.
Um outro dia, ouvindo o coral, eu sentado no banco, escutei o maestro dizer: – Nós precisamos de alguém para voz principal nos cânticos. Quem quer assumir essa tarefa?
Novamente eu ouvi a voz de Deus sussurrando: – Filho, essa é com você.
– Mas, Senhor, cantar diante de uma multidão é uma coisa que eu não posso fazer! Mas há o Jonas, que poderá fazer isso. É melhor eu ficar ouvindo as músicas aqui sentado no banco.
Uma outra vez, eu sentado no banco, ouvi o pregador dizer: – Eu preciso de alguém para atuar como anfitrião na entrada da Igreja. Quem aceita essa tarefa?
Mais uma vez ouvi a voz de Deus sussurrando: – Filho, é algo que você pode fazer!
– Senhor, ficar falando com estranhos é coisa que não consigo fazer! Mas há o Mário, Senhor: ele pode dar boas vindas às pessoas. Não é retraído como eu e fará isso muito bem. Eu preferiria que alguém viesse me cumprimentar aqui no banco.
Os anos se passaram e eu nunca mais ouvi aquela voz. Até que uma noite eu fechei os olhos e acordei numa praia do céu. Éramos quatro lá, encontrando a eternidade: Carlos, Jonas, Mário e eu.
Deus nos disse: – Eu preciso só de 3 de vocês para fazerem um trabalho para mim.
– Senhor, eu farei o trabalho. – eu clamei – Não há nada que eu não faria.
... Mas Deus me respondeu: – Obrigado, meu filho, mas sinto muito: no céu não há bancos.
Meu marido, meu amor. Compartilhar a vida com você tem sido a maior e mais gostosa das aventuras. Durante este nosso percurso, às vezes polvilhado por temporárias dificuldades, temos sabido caminhar lado a lado, sem nunca desencontrarmos nossos passos.
Eu amo, admiro e respeito você; como marido, como companheiro, como amante, como amigo, e acima de tudo como Pai! Você é exemplar, carinhoso, correto, um pai maravilhoso, e nada no mundo será jamais tão belo quanto esse seu jeito meigo e carregado de ternura de quando veste a pele de Pai.
Meu marido, meu amor, ao seu lado diariamente eu me realizo em uma felicidade que jamais pensei possível. Tudo o que mais desejo é que multipliquemos o tempo já vivido juntos até à eternidade, e que até ao final saibamos carregar juntos nossas alegrias e nossos fardos.
Abrace todas as oportunidades.
Sorria sempre que tiver vontade.
Fale "eu te amo" quando quiser.
Procure soluções para seus problemas.
Seja verdadeiro na maior parte do tempo
Enfrente seus medos com naturalidade.
e procure ouvir, muito mais do que falar...
Ângela Lara
A felicidade é um susto. Chega na calada da noite, na fala do dia, no improviso das horas. Chega sem chegar, insinua mais que propõe... Felicidade é animal arisco. Tem que ser admirada à distância porque não aceita a jaula que preparamos para ela. Vê-la solta e livre no campo, correndo com sua velocidade tão elegante é uma sublime forma de possuí-la.
Felicidade é chuva que cai na madrugada, quando dormimos. O que vemos é a terra agradecida, pronta para fecundar o que nela está sepultado, aguardando a hora da ressurreição.
Felicidade é coisa que não tem nome. É silêncio que perpassa os dias tornando-os mais belos e falantes. Felicidade é carinho de mãe em situação de desespero. É olhar de amigo em horas de abandono. É fala calmante em instantes de desconsolo.
Felicidade é palavra pouca que diz muito. É frase dita na hora certa e que vale por livros inteiros. Eu busco a frase de cada dia, o poema que me espera na esquina, o recado de Deus escrito na minha geladeira... Eu vivo assim... Sem doma, sem dona, sem porteiras, porque a felicidade é meu destino de honra, meu brasão e minha bandeira. Eu quero a felicidade de toda hora. Não quero o rancor, não quero o alarde dos artifícios das palavras comuns, nem tampouco o amor que deseja aprisionar meu sonho em suas gaiolas tão mesquinhas.
O que quero é o olhar de Jesus refletido no olhar de quem amo. Isso sim é felicidade sem medidas. O café quente na tarde fria, a conversa tão cheia de humor, o choro vez em quando.
Felicidades pequenas... O olhar da criança que me acompanha do colo da mãe, e que depois, à distância, sorri segura, porque sabe que eu não a levarei de seu lugar preferido.
A felicidade é coisa sem jeito, mas com ela eu me ajeito. Não forço para que seja como quero, apenas acolho sua chegada, quando menos espero. E então sorrio, como quem sabe, que quando ela chega, o melhor é não dispersar as forças... E aí sou feliz por inteiro na pequena parte que me cabe.
O que hoje você tem diante dos olhos? Merece um sorriso? Não pense duas vezes...