Estela acordou-se ainda cedo,
pulou da cama sem medo
do frio que fazia lá fora.
Os pés miúdos, descalços,
folgados dos velhos sapatos,
correram o quintal sem demora.
Estela na horta adentrou,
abriu depressa o portão,
que rangeu sem má intenção.
O portão deu-lhe bom dia,
porém sua sintonia
denotou preocupação.
Estela olhou as verduras
com muito amor e doçura,
afagando-as com as mãos.
Julgou que a alface tão crespa,
mais ficara arrepiada,
temendo o voo das vespas.
Acenou para os legumes,
que, revelando ciúme,
cobravam sua atenção.
Preocupou-se com o tomate,
julgando que a face corada,
queimara-se na madrugada.
Achegou-se à berinjela,
que, roxa, pareceu a ela
ter a cor da aflição!
Jurou que um certo duende
houvesse pintado listrinhas
no corpo da abobrinha.
Isso assim era demais!
Voltou pra casa, correndo,
nem sequer olhou pra trás.
Na sala entrou, sem demora,
pedindo à mãe, nessa hora,
de presente uma porta.
E durante a madrugada,
pelos amigos da horta,
trocou o portão pela porta.
A fatalidade da existência humana é a conquista do amor que proporciona plenitude. Há, em toda a parte, uma destinação inevitável, que expressa a ordem universal e a presença de uma Consciência Cósmica atuante.
A rebeldia que predomina no comportamento humano elegeu a violência como instrumento para conseguir o prazer que lhe não chega de maneira espontânea, gerando lamentáveis consequências, que se avolumam em desaires contínuos.
É inevitável a colheita da sementeira por aqueles que a fez, tornando-se rico de grãos abençoados ou de espículos venenosos.
Como as leis da vida não podem ser derrogadas, toda objeção que lhes faz converte-se em aflição, impedindo a conquista do bem-estar.
Da mesma forma, como o progresso é inevitável, o que não seja conquistado através do dever, sê-lo-á pelos impositivos estruturais de que o mesmo se constitui.
A melhor maneira, portanto, de compartilhar conscientemente da grande transição é através da consciência de responsabilidade pessoal, realizando as mudanças íntimas que se tornem próprias para a harmonia do conjunto.
Nenhuma conquista exterior será lograda se não proceder das paisagens íntimas, nas quais estão instalados os hábitos. Esses, de natureza perniciosa, devem ser substituídos por aqueles que são saudáveis, portanto, propiciatórios de bem-estar e de harmonia emocional.
Na mente está a chave para que seja operada a grande mudança. Quando se tem domínio sobre ela, os pensamentos podem ser canalizados em sentido edificante, dando lugar a palavras corretas e a atos dignos.
O indivíduo, que se renova moralmente, contribui de forma segura para as alterações que se vêm operando no planeta.
Não é necessário que o turbilhão dos sofrimentos gerais o sensibilize, a fim de que possa contribuir eficazmente com os espíritos que operam em favor da grande transição.
Joanna de Ângelis
Dois corações se quebram, se partem, ao perceberem que juntos não mais se satisfazem. Um nota que o outro não está dando carinho como antes. O outro nota que o jeito do olhar está diferente. Os dois se calam. Longo silêncio.
Tudo continua como se nada estivesse acontecendo. Mas os corações sabem que as coisas não estão normais. Os dias passam, as noites em claro demoram a passar, os pensamentos fervem, as lágrimas caem do olhar; e nada se resolve. Como contar?
Um coração não bate com a mesma intensidade de antes... O outro também não. Tudo é muito confuso. O beijo se torna vazio, o abraço frio, o olhar seco. E o silêncio atrapalha, e a verdade e o medo incomodam. A dor. A tristeza. Como contar?
Esse momento chegará, sim, e será duro como um momento no inferno. E as lembranças não se apagarão. Nunca! Dois corações que durante tanto tempo juntos encontraram dias de intensa felicidade, agora, separados, encontrarão dias de intensa agonia. Estar sozinho nunca é bom, e a solidão dói.
Hoje, nesta noite tão escura, um dos corações (o meu) toma coragem para dizer. Mas não liga. Prefere apagar a luz, dorme, sonha. E acorda, no meio da madrugada, com a lua vagando pelo céu. Chora, chora muito esse pobre coração. Vê que esse sentimento não tem fim. É apenas uma crise, um momento, uma fase. E passa.
E é exatamente nessa mesma noite que o outro coração (o dele), também chora muito. E também descobre que o sentimento é eterno. E amanhã, esses dois corações voltarão aos velhos tempos, e terão momentos de intensa felicidade. Porque se amam!
Houve sempre alguém que nos momentos bons, nos momentos menos bons e nos momentos realmente maus, esteve lá comigo, sempre, independentemente de tudo. Essa pessoa foi você, meu amigo, a quem eu tanta gratidão devoto.
Quando foi para sorrir e festejar, você sorriu e festejou comigo. Quando foi para verter lágrima e desesperar, você me emprestou seu ombro para eu chorar e sempre teve uma palavra ou um gesto para me ajudar.
Você me provou que mais que amigo, é meu irmão. Você me provou que sentir e viver uma amizade é das melhores coisas que há na vida, e por isso eu lhe agradeço, de coração, e lhe garanto que você tem minha amizade leal e verdadeira para toda a vida. Te amo, meu eterno amigo!
Meu pai diz que sou imensamente deslumbrante. Pergunto-me se realmente sou?
Para ser imensamente deslumbrante... Sarah diz que você precisa ter cabelos ondulados, longos e belos como ela tem. Eu não tenho. Para ser imensamente deslumbrante... Justin diz que você deve ter dentes brancos e perfeitamente retos como ele tem. Eu não tenho.
Para ser imensamente deslumbrante... Jessica diz que você não pode ter nenhuma dessas pequenas pintas escuras chamadas sardas em seu rosto. Eu tenho. Para ser imensamente deslumbrante... Mark diz que você tem que ser a criança mais esperta na classe. Eu não sou.
Para ser imensamente deslumbrante... Stephen diz que você tem que ser capaz de contar as piadas mais engraçadas da escola. Eu não sou. Para ser imensamente deslumbrante... Lauren diz que você precisa morar em bairro chique e em casa bonita. Eu não moro.
Para ser imensamente deslumbrante... Matthew diz que você só pode usar roupas legais e tênis da moda. Eu não uso. Para ser imensamente deslumbrante... Samantha diz que você precisa nascer em uma família perfeita. Eu não nasci.
Mas toda noite, na hora de dormir, meu pai me dá um grande abraço e diz, - Você é imensamente deslumbrante, e eu te amo. Meu pai deve saber de algo que meus amigos não sabem.