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Em um mundo em que se trabalha mais do que vive, não ter uma rotina diária é algo muito raro e praticamente desconhecido. Mesmo com algumas profissões que onde há uma maior movimentação, de tempos em tempos enxergamos hábitos já considerados intuitivos.

Acordar, se vestir, comer e ir ao trabalho ou escola, fazem parte da nossa rotina há tanto tempo que às vezes é tudo passar a ser realizado automaticamente. Essa repetição diária pode nos deixar entediados e para não ser transformado em tristeza ou até num estado depressivo, vale a pena se esforçar e tentar fazer algo novo ou pelo menos de uma forma diferente todos os dias.

Mude a ordem daquelas atividades mais flexíveis, almoce em um lugar novo mesmo que seja apenas para experimentar um novo tipo de comida. Mude o caminho que faz todos os dias, já dá para enxergar novas paisagens, renovando a visão e outros tantos olhares.

Não é preciso fazer uma diferença brusca, caso não se sinta confortável, mudar a posição dos elementos da sua mesa, por exemplo, já pode afastar o tédio e a tristeza. Siga sempre dentro dos seus limites, mas nunca dispensa algumas dicas que podem inserir na sua vida mais sorrisos e alegrias.

Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo.

Clarice Lispector

Um abraço! Mas não qualquer abraço, de uma pessoa qualquer, é preciso ser o abraço dele! Sim, porque só ele tem o melhor abraço do mundo! E não é exagero, ele realmente se funde de forma harmoniosa a mim...
É no abraço dele que eu me sinto bem, me sinto segura, é nesse abraço que eu me esqueço de tudo, é onde eu tenho paz! É quando te abraço que sinto teu cheiro de perto, que me inebria de maneira profunda, é quando você me abraça que eu sinto o peso e calor das tuas mãos a deslizar na minha cintura... Mas é também em teu abraço que percebo o quanto nada sou, e o quanto és pra mim! E é no teu abraço que descubro o quanto eu gostaria que o tempo parasse, quando ele insiste em correr.
Saudades enormes desse abraço!

Dava tudo para ter você por perto! É difícil, a distância provoca saudade, sabe? Viver longe de você, querida neta, levanta questões sobre como viver realmente; o que de verdade interessa?

É que não ter as pessoas que amamos junto, é sobreviver, é agarrar a esperança que um dia vou ter seu abraço sempre que desejar. Quero que saiba que sinto muito sua falta, mas tenho certeza que tudo tem seu sentido, sua lógica. Beijo com muito amor!

Eu passo quieta por você, você passa quieto por mim, e eu ainda escuto o barulho que a gente faz.
E você já abalou tanto a minha vida. Que pena, agora você morreu.
Não morre, por favor. Seja ele, seja o homem que perde um segundo de ar quando me vê.
Mas você nunca mais me olhou quase chorando, você nunca mais se emocionou, nem a mim.
Você nunca mais pegou na minha mão e me fez sentir segura. Nunca mais falou a coisa mais errada do mundo e fez o mundo valer a pena.
Eu treinei viver sem você, eu treinei porque você sempre achou um absurdo o tanto que eu precisava de você para estar feliz.
De tanto treinar acostumei.
Eu só queria que ele aparecesse, o homem que vai me olhar de um jeito que vai limpar toda a sujeira, o rabisco, o nó.
O homem que vai ser o pai dos meus filhos e não dos meus medos.
O homem com o maior colo do mundo, para dar tempo de eu ser mulher, transar para sempre. Para dar tempo de seu ser criança, chorar para sempre.
Para dar tempo de eu ser para sempre.
Cansei de morrer na vida das pessoas. Por isso matei você.
Antes que eu morresse de amor. Matei você.
Eu sei que sou covarde. Surpreso? Eu não.

Tati Bernardi