O tempo não para! Só a saudade é que faz as coisas pararem no tempo... (Mário Quintana)
Amiga, tenho muita pena de não poder estar bem pertinho de você neste dia maravilhoso. Tenho saudades de tudo o que vivemos juntas. Muitas vezes fico lembrando das nossas aventuras, e a verdade é que sinto que o tempo para.
Espero que você tenha um dia espetacular! Feliz Aniversário!
Beijo para você!
As diferenças desaparecem.
O homem cresce, casa, tem filhos e torna-se um burro de carga, meio cego, meio surdo;
A mulher cresce, casa, tem filhos e torna-se uma escrava completamente tonta e eternamente preocupada com seus filhos, netos e bisnetos.
Eu era pequena ainda quando um novo bebê chegou à nossa casa. Certamente devia alegrar-me com o irmãozinho porém os cuidados e atenções com que nossos pais cercavam encheu-me de ciúmes e muitas vezes chorava ao pensar que tinha perdido o carinho antigo.
Vovô cultivava uma horta nos fundos de nossa casa. Em certo dia em que eu estava mais envenenado de ciúmes do que nunca, ele me chamou. Fui ver o que queria. Estava de cócoras junto a um canteiro onde semeara alface. As mudinhas, de um verde muito tenro, brilhavam à luz daquela manhã límpida e tranquila. Vovô, mergulhado no trabalho de separar, delicadamente, as mudinhas, não parecia ter percebido a minha emoção. Ele me disse:
– Preste atenção! Estou separando as mudinhas e, depois, irei plantá-las no lugar certo. Sabe, filho, o carinho é como a alface: precisa ser dividido para crescer melhor. Quando eu era da sua idade gostava muito de minha mãe. Fiquei rapaz e, um dia, conheci uma jovem, casei-me com ela e tivemos um filhinho.
Depois veio outro e outro. Mas, cada um que chegava não tirava nem um pouquinho do outro. O amor é uma coisa muito curiosa, quanto mais é dividido mais cresce e mais forte se torna. Seu pai e sua mãe estão ocupadíssimos com o bebê porque ele é pequenininho, frágil e desamparado. Mas pode crer que o amor que tinham por você ainda se tornou maior...
À medida em que eu via os pés de alface crescendo, belos e exuberantes, uma nova alegria nasceu em meu coraçãozinho ciumento. O carinho de papai e mamãe, dividido, crescia também, a cada dia, como aquela planta que tivera de ser dividida para que uma muda não sufocasse a outra.
Muitas vezes, depois disso, quando me perturbava o desejo de posse exclusiva, o canteiro de vovô parecia se retratar em minha mente, dando-me uma nova perspectiva de paz e serenidade.
Quanto mais dividido, mais forte e mais profundo se torna o amor. Nunca pude me esquecer disso...
Pai é pai!
Pode ser novo, pode ser velho. Pode ser branco, negro ou amarelo. Pode ser rico ou pobre. Pode ser solteiro, casado, viúvo ou divorciado. Pode ser feliz ou infeliz. Pode estar aqui ou já ter ido embora. Pode ter tido filhos ou adotando-os. Pode ter casa ou morar na rua. Pode usar terno ou tanga. Pode ser Deus ou humano. Pode estar trabalhando ou desempregado.
Pode ser tanta coisa ou simplesmente pai.
Mas todos, sem faltar um sequer fazem parte da criação que não só hoje, mas em todos os dias desta vida possa ser lembrado como aquele que muitas vezes não dormiu, muitas vezes ficou pensando na comida para levar para casa, muitas vezes engoliu sapos, muitas vezes chorou escondido, muitas vezes gargalhou, muitas vezes perdeu a hora, mas nunca deixou de pensar na coisa mais importante da sua vida: nós!
Não reclames da Terra Os seres que partiram...
Olha a planta que volta Na semente a morrer.
Chora, de vez que o pranto Purifica a visão.
No entanto, continua Agindo para o bem.
Lágrima sem revolta É orvalho da esperança.
A morte é a própria vida Numa nova edição.