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Desamarra a cara, perdoa minha voz alterada, meu olhar vazio, minha rispidez. Esquece a mágoa, aceita minhas desculpas, faz as pazes com meu coração. A vida é curta para a gente guardar rancor e alimentar desilusões.

Não sei se existe um momento pior que esse, mas deixá-lo sozinho nunca foi a minha intenção. Infelizmente eu terei que realizar uma viagem para resolver assuntos profissionais, e logo em breve estarei de volta para te encontrar.
Meu amor, para onde quer que eu vá, eu jamais deixarei de pensar em você.
Deus é testemunha da grande dor em meu coração, em deixá-lo agora. Sabe, a saudade será minha companheira inseparável nesta viagem, e nesse momento já está ardendo meu peito.
Você meu querido, é a luz que ilumina meus passos.
Um beijo com muito amor e até breve.

Sentar ao seu lado e conversar por horas é uma das coisas que me deixa mais feliz. Saber que você se importa, que a conversa rola fácil e está sempre interessante. Descubro que a sua companhia é bem mais desejada do que as de outras pessoas e que me sinto extremamente a vontade com isso. Quero que seja assim, todo tempo possível com você e se mudar, que seja para melhor.

Quando há pessoas que valorizam o nosso esforço, sem dúvida nos sentimos mais motivados para trabalhar. É a prova de que nossa perseverança não é em vão e que ser profissional nunca é perda de tempo.

Estimado chefe, eu quero agradecer muito por esta oportunidade que você me está dando! Darei meu melhor para que você nunca se venha a arrepender de sua decisão.

Carta enviada de uma mãe para uma outra mãe em SP, após noticiário na TV:
De mãe para mãe...
"Hoje vi seu enérgico protesto diante das câmeras de televisão contra a transferência do seu filho, menor infrator, das dependências da FEBEM em São Paulo para outra dependência da FEBEM no interior do Estado.
Vi você se queixando da distância que agora a separa do seu filho, das dificuldades e das despesas que passou a ter para visitá-lo, bem como de outros inconvenientes decorrentes daquela transferência. Vi também toda a cobertura que a mídia deu para o fato, assim como vi que não só você, mas igualmente outras mães na mesma situação, contam com o apoio de comissões, pastorais, órgãos e entidades de defesa de direitos humanos.
Eu também sou mãe e, assim, bem posso compreender o seu protesto. Quero com ele fazer coro. Enorme é a distância que me separa do meu filho. Trabalhando e ganhando pouco, idênticas são as dificuldades e as despesas que tenho para visitá-lo. Com muito sacrifício, só posso fazê-lo aos domingos porque labuto, inclusive aos sábados, para auxiliar no sustento e educação do resto da família.
Felizmente conto com o meu inseparável companheiro, que desempenha, para mim, importante papel de amigo e conselheiro espiritual. Se você ainda não sabe, sou a mãe daquele jovem que o seu filho matou estupidamente num assalto a uma videolocadora, onde ele, meu filho, trabalhava durante o dia para pagar os estudos à noite.
No próximo domingo, quando você estiver se abraçando, beijando e fazendo carícias no seu filho, eu estarei visitando o meu e depositando flores no seu humilde túmulo, num cemitério da periferia de São Paulo...
Ah! Ia me esquecendo: e também ganhando pouco e sustentando a casa, pode ficar tranquila, viu? Que eu estarei pagando de novo, o colchão que seu querido filho queimou lá na última rebelião da Febem."
Direitos humanos são para humanos direitos!