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A amizade surge do mero companheirismo quando dois ou mais dos companheiros descobrem que têm em comum alguma percepção, interesse ou mesmo gostos que os demais não partilham e que, até aquele momento, cada um acreditava ser o seu tesouro ou fardo especial. A expressão típica de um começo de amizade seria algo como: "O quê? Você também? Pensei que eu fosse o único."
A pessoa que concorda conosco que alguma questão, pouco considerada por outros, tem grande valor, pode ser nosso amigo.
Ela não precisa concordar conosco quanto à resposta.
Esse é o motivo pelo qual aquelas criaturas patéticas que simplesmente "querem amigos" jamais descobrem algum. A própria condição de ter amigos é que deveríamos desejar algo além de amigos. Onde a resposta sincera à pergunta: "Você vê a mesma verdade?" fosse: "Não vejo nada e não me importo com a verdade; só quero um amigo", não pode surgir amizade - embora possa haver afeição. Não haveria um terreno comum para a amizade, e este precisa existir neste caso, mesmo que seja um entusiasmo por jogar dominó ou por ratinhos brancos. Os que nada têm, nada podem partilhar; os que não vão a lugar algum não podem ter companheiros de viagem.
Quando as duas pessoas que descobrem estar palmilhando a mesma estrada secreta são de sexos diferentes, a amizade que surge entre elas irá facilmente transformar-se - talvez depois da primeira meia hora - em amor eros.

C. S. Lewis

Você tem sido como um pai para mim. Além de ter encontrado alguém que me ama de verdade, eu achei um sogro que me ajuda sem qualquer hesitação. Tem sido uma felicidade pertencer a esta linda família e desfrutar da união que existe entre todos.

Você é o responsável por momentos únicos e especiais devido à sua alegria e boa disposição. Agradeço de coração tudo o que tem feito por mim.

No início de um novo projeto, tudo tem vigor e tudo nos entusiasma.
Inúmeras possibilidades se abrem diante de nós; nossa esperança alça voos e nossa energia e animação são ilimitadas.
Porém, conforme os problemas vão aparecendo, o entusiasmo inicial talvez comece a se desgastar. O futuro perde algumas das suas promessas e nossa vontade e determinação podem vacilar.
Parece muito mais fácil procurarmos formas de evitar o trabalho do que nos deixarmos inspirar pelos desafios que ele oferece.
Quando o trabalho nos faz exigências difíceis, nossa opção pode ser a de reter a nossa energia. Como não nos colocamos no trabalho, nossa energia se torna dispersa e confusa, e começamos a divagar, de um dia para o outro.
Vemo-nos buscando desculpas para não trabalhar de modo eficiente: não estamos nos sentindo bem ou precisamos de mais tempo. Assim que as distrações aparecem, logo recorremos a elas, fazendo pausas frequentes ou saindo para fazer coisas desnecessárias, talvez parando pelo caminho para conversar com um amigo.
No final do dia, foi muito pouco o que o nosso tempo rendeu.
No entanto, se encarássemos nosso trabalho de forma direta, talvez descobriríamos que ele é bem menos ameaçador do que tememos; perdemos, porém, a oportunidade de perceber isto, quando optamos por nos afastar.

Há realidades difíceis de suportar. Há situações tão dolorosas e tão irreais, embora cruelmente reais, que certas pessoas preferem negá-las, como se com isso pudessem apagar sua existência.
E para fugir desses punhais que rasgam a alma com tanta violência é que muitos preferem se refugiar num mundo invisível, sob uma redoma de proteção que as impedem de ver de perto e enfrentar o que tanto faz mal.
Essas pessoas, ao querer libertar-se de um peso, tornam-se escravas da própria dor. Sem justificativas, justificam-se na recusa da cura, que é o encarar a realidade e vê-la de maneira nova e diferente.
Essas pessoas, julgadas doentes, loucas e insanas são apenas uma pequena porcentagem de um mundo onde negar a realidade é a coisa mais banal que existe. Viver no mundo da mentira não é apenas ter um comportamento exclusivo dos que julgamos loucos.
Vive na mentira quem não aceita o fim de qualquer situação: amores que se desgastaram, filhos que cresceram, uma doença que chegou sem avisar, alguém que foi embora, escolhas que não aprovamos e todas essas pequeninas coisas do dia-a-dia que, pequenas, fazem parte da nossa vida.
Chorar e ficar calado num canto não muda nada do que vivemos, a não ser nos deixar à parte da vida que continua a correr do lado de fora. Fazer-se de cego e surdo não modifica a realidade do que não podemos controlar, nem o que os outros pensam e sentem. Poderemos evitar os espelhos por algum tempo, mas não os evitaremos a vida toda. Melhor que ignorar a realidade que nos machuca é pegar o que sobra dela e construir um novo mundo ou uma nova maneira de viver.
Se a chuva nos pega de surpresa, que então nos molhe completamente, que o sol nos seque, que o frio não nos impeça de sair de casa, que o calor não nos impeça de dormir, que a dor doa e parta e que a vida seja inteira, completa e real!

Ainda que fosse assim,
ainda que continuassem a existir
prorrogações, anulações,
analistas e divãs,
gemidos como em campo de concentração:

Do teu canto,
de uma janela qualquer perdida no meio da cidade,
observarias subir a maré da loucura
aos olhos da noite.

Por algum tempo, talvez,
tenhas esquecido a melodia em dor maior,
tenhas sucumbido ao prazer de ser essência,
elemento, continente.

Ainda que fosse assim,
Sob o luar sonharíamos...
Dois loucos fazendo amor
como dois desconhecidos
e com paixão tamanha !

Ainda que fosse assim.
Ainda...
Mas nunca foi
Assim...