Águas cristalinas
que murmuram,
que cantam,
que ressoam
dizendo:
Sejam felizes.
Águas cristalinas
que percorrem calmamente o seu leito
e vão abençoando
as plantas, os animais,
os seres humanos,
com as propriedades
reenergizantes
que são possuidoras.
Águas cristalinas
que banham as suas margens
com o líquido mais precioso
com que Deus nos presenteou.
E o murmúrio dessas águas
nos convida
a dominar nosso instintos,
a acalmar o nosso coração,
a repensar cada ação
que realizamos em nossa vida.
Águas cristalinas
que refrescam nossa face,
nosso corpo,
que lavam a nossa alma
com a paz que nos transmitem.
Águas cristalinas
que o homem,
em sua insensatez,
polui,
sem pensar que com seu mundo
está a acabar
Águas cristalinas
sigam seu percurso,
continuem,
com seu ressoar,
com seu marulhar,
sempre, sempre em frente.
E não permitam
que a mão,
que a ação do homem,
possa consigo
acabar.
O amor maduro não é menor em intensidade. Ele é apenas quase silencioso. Não é menor em extensão. É mais definido, colorido e poetizado.
Não carece de demonstrações: presenteia com a verdade do sentimento. Não precisa de presenças exigidas: amplia-se com as ausências significantes.
O amor maduro somente aceita viver os problemas da felicidade. Problemas da felicidade são formas trabalhosas de construir o bem e o prazer. Problemas da infelicidade não interessam ao amor maduro.
O amor maduro cresce na verdade e se esconde a cada auto ilusão. Basta-se com o todo do pouco. Não precisa nem quer nada do muito.
Está relacionado com a vida e a sua incompletude, por isso é pleno em cada ninharia por ele transformada em paraíso. É feito de compreensão, música e mistério.
É a forma sublime de ser adulto e a forma adulta de ser sublime e criança. O amor maduro não disputa, não cobra, pouco pergunta, menos quer saber.
Teme, sim. Porém, não faz do temor, argumento. Basta-se com a própria existência. Alimenta-se do instante presente valorizado e importante porque redentor de todos os equívocos do passado.
O amor maduro é a regeneração de cada erro. Ele é filho da capacidade de crer e continuar, é o sentimento que se manteve mais forte depois de todas as ameaças, guerras ou inundações existenciais com epidemias de ciúme.
O amor maduro é a valorização do melhor do outro e a relação com a parte salva de cada pessoa. Ele vive do que não morreu mesmo tendo ficado para depois.
Vive do que fermentou criando dimensões novas para sentimentos antigos, jardins abandonados cheios de sementes. Ele não pede, tem.
Não reivindica, consegue.
Não persegue, recebe.
Não exige, dá.
Não pergunta, adivinha.
Existe, para fazer feliz.
Só teme o que cansa, machuca ou desgasta.
- Por que você perde seu bom humor, fazendo essa confusão toda com seu cabelo? - perguntou meu pai, quando me encontrou chorando de raiva porque eu era muito menina, e não tinha a habilidade necessária para fazer o penteado em moda nos meus tempos de colégio.
- É a moda! - lamentei-me. - Só o meu nunca fica como os outros!
Olhando-me gravemente, meu pai ordenou: - Divida seu cabelo no meio, penteie-o para trás, e amarre-o como uma fita. Agora, use-o assim durante uma semana, e se metade das meninas de sua classe não copiarem você, eu lhe darei dez dólares.
Pensei comigo que ele era incrivelmente ingênuo. Dez dólares, porém eram uma fortuna a que não podia resistir, e o fiz.
Tivesse eu chegado à aula vestida com a camisola de dormir, minha agonia não teria sido maior. Mas quando a semana acabou, quase todas as meninas de minha classe estavam usando o cabelo separado simplesmente pelo meio, atado atrás com uma fita.
Meu pai disse, então: - Não seja vulgar! O mundo já tem bastante mediocridade. Nunca tenha medo de uma ideia própria, e, se ela for certa, siga para adiante com ela, sem se importar com o que faça todos os demais!
E, embora ele tivesse ganho a aposta, deu-me uma nota de dez dólares.
Como és o meu
E retribuir
A dádiva de que deste exemplo,
De dar muito mais
Do que receber
E agradecer
Por me aceitares como amigo
E devolver,
Não sei se com tanta beleza,
A simples amizade,
Que recebo de presente:
Bela,
Talvez pela simplicidade
E sólida, sim, quanto mais ausente
És o meu Papai Noel
Sempre que te lembras de mim,
Quando em saudade
De ti vem a mão
Que gera segurança,
O gesto que traz esperança
Tentarei ser teu Papai Noel
Embora doando menos,
Também penso em ti.
E te observando aprendi
O valor da doação,
O calor do coração
Te imitando compreendi
A tristeza dos abandonados,
Sonhando sonhos frágeis de papel,
Efêmeros como as luzes do Natal
Tal como aprendi contigo,
A estes, ao menos, um ombro amigo
E quanto aos sonhos de papel
Quem sabe?
Depende de nossa vontade
De sermos Papai Noel
O casamento é constituído de um eterno conquistar...
Começa bem cedinho...
Antes mesmo do acordar...
Sonhos lindos de carinho...
Para o seu amor agradar!
A metade da bala...
Uma pétala de flor...
Uma simples palavra...
Eu te amo meu amor!
Metade do ar que respiras...
Pertence a teu bem...
Não pode existir nesta vida...
Alguém que você queira tão bem!
A cumplicidade...
O companheirismo...
A amizade...
O respeito mutuo!
Não se casa sem ser acasalados...
Duas metades com interesses irmanados...
Dois sonhos com o mesmo ideal...
Duas vidas com um caminho triunfal!
Conquistas solidárias...
Partilhas somatórias...
Projetos uníssonos...
Soma de todos os sonhos!
Entrega constante...
Para um eterno receber...
Indivisível sentimento dominante...
No universo colorido do prazer!
Este é o casal, a dualidade coagulada...
A singularidade plural...
O mesmo trecho da estrada...
Que leva ao amor universal!
O verso e reverso da moeda...
Em um constante dar e receber...
O casal, que um ao outro se entrega...
Aprendem e ensinam a todos viver!
Edson Milton Ribeiro Paes