Por que hoje você chora, querido amigo? Lágrimas só nos tiram vida e o tempo lá fora não para. Em breve a noite cairá e trará com ela seu silêncio. Porque não canta você agora? Porque não grita de contentamento?
Entre esses caminhos de alegria e tristeza, o nosso destino depende da escolha. Procure a luz no virar da esquina, fuja da sombra que o tenta esconder. Olhe em volta, para lá dessas nuvens e busque a bonança que merece ter.
Seu precioso valor corrói em lamento, dê a si mesmo razões para viver. Ganha-se mais com amor em demasia, do que ao esperar que ele nos possa encontrar. E se é de ânimo que você precisa, vem comigo, vamos juntos estrada fora.
Por que hoje você sofre, meu irmão? Não tema pois não há mais motivo. Amanhã será um novo dia e agora sou eu quem te estende a mão.
Mãe... Que na presença constante me ensinou na pureza do seu coração seguir os teus caminhos...
Mãe... Dos primeiros passos, das primeiras palavras...
Mãe... Do amor sem dimensão, de cada momento, dos atos de cada capítulo de minha vida não ensaiados, mas vividos em cada emoção...
Mãe... Da conversa no quintal, do acalanto do meu sono aquecido de amor, aninhada em seu coração...
Mãe... Do abraço, do beijo que levo na lembrança...
Mãe... É você que me inspira a caminhar...
Mãe... A presença de cada passo que o tempo não apaga: por mais longo e escuro que seja o caminho, haverá sempre um horizonte...
Mãe... Mulher a quem devemos a vida, que merece o nosso respeito, nossa gratidão e nosso afeto.
Sobe a água,
em vapor tão leve,
que a gente não vê.
Reúne-se em gotinhas,
formando nuvens
que ornam o espaço.
Depois desce e cai,
como chuva ou neve,
e de novo sobe leve
ao alto, ao céu,
pelo mistério
desse vaivém.
Certa vez, há muito tempo atrás, um pequeno caule de parreira estava muito alegre por estar vivo. Bebia água e minerais da terra e cresceu e cresceu. Era jovem e forte e pode se arranjar bem... Tudo por conta própria.
Mas então, o vento foi cruel, a chuva foi hostil, com a neve não tinha nenhum acordo, e o pequeno caule de parreira sofreu. Ele ficou caído, frágil e sofrido. Seria bem mais fácil parar de tentar crescer, parar de tentar viver. E o caule de parreira estava infeliz! O inverno seria longo e o caule estava cansado.
Mas então o pequeno caule de parreira ouviu uma voz. Era outro caule de parreira chamando por ele... – Aqui, estique-se... Pendure em mim. Mas o caule hesitou.
– O que isto queria dizer? Ele pensou. Pois veja você, o pequeno caule sempre tinha se virado bem... Tudo por conta própria.
Mas então, muito cautelosamente, se esticou em direção do outro caule de parreira. – Veja, posso ajudá-lo, o outro disse. Apenas se enrosque em mim e eu o ajudarei a se levantar.
E o pequeno caule confiou... E repentinamente pode ficar reto outra vez.
O vento veio... E a chuva... E a neve, mas quando vieram, o pequeno caule de parreira se agarrava a muitos outros caules. E embora os caules fossem sacudidos pelo vento e congelados pela neve, eles se mantinham fortemente unidos um ao outro. E em sua incansável força... Puderam sorrir e crescer.
E então, um dia, o pequeno caule de parreira olhou para baixo e viu um minúsculo caule, oscilando, assustado. E nosso pequeno caule de parreira disse, – Aqui, pendure-se em mim... Eu o ajudarei.
E o outro caule alcançou nosso caule de parreira, e junto todos os caules cresceram.
Folhas brotaram... Flores surgiram... E finalmente, uvas se formaram. E as uvas alimentaram a muitos. Foi preciso apenas que os caules se ajudassem.
Estela acordou-se ainda cedo,
pulou da cama sem medo
do frio que fazia lá fora.
Os pés miúdos, descalços,
folgados dos velhos sapatos,
correram o quintal sem demora.
Estela na horta adentrou,
abriu depressa o portão,
que rangeu sem má intenção.
O portão deu-lhe bom dia,
porém sua sintonia
denotou preocupação.
Estela olhou as verduras
com muito amor e doçura,
afagando-as com as mãos.
Julgou que a alface tão crespa,
mais ficara arrepiada,
temendo o voo das vespas.
Acenou para os legumes,
que, revelando ciúme,
cobravam sua atenção.
Preocupou-se com o tomate,
julgando que a face corada,
queimara-se na madrugada.
Achegou-se à berinjela,
que, roxa, pareceu a ela
ter a cor da aflição!
Jurou que um certo duende
houvesse pintado listrinhas
no corpo da abobrinha.
Isso assim era demais!
Voltou pra casa, correndo,
nem sequer olhou pra trás.
Na sala entrou, sem demora,
pedindo à mãe, nessa hora,
de presente uma porta.
E durante a madrugada,
pelos amigos da horta,
trocou o portão pela porta.