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Que não precisa me dar satisfações! Seria bom poder controlar o tempo. O transformaria num cavalo alado... O faria voar! Galopes ao vento! Não voltaria, apenas o adiantaria. A dor seria eliminada.
Tempo que me entrega a dor. Mesmo tempo que me trouxe a esperança.
Tempo que não passa, parece ter se estacionado aqui.
Siga viagem tempo, leve com você tudo que nunca deveria ter trazido. Não faça parecer justo me entregar a dor logo após me apresentar a alegria. Precisa partir e se distanciar! Precisa passar!
Dor que atormenta a alma, que dilacera o coração e faz a vida parecer injusta!
Não... Não é toda a vida, apenas parte dela!
Ferida pequena, mas dolorida! Parte minúscula que prende toda a minha atenção!
Jamais renderei... Não espere que me jogue aos seus pés! Lutarei contra você... Destemido tempo!
Talvez, me sinta fraca, mas acredite... Não será redenção. Terá que me vencer!

Não depender senão de si mesmo é, em nossa opinião, um grande bem, mas isso não significa que devamos sempre nos contentar com pouco. Simplesmente, quando nos falte a abundância, devemos poder nos contentar com pouco, persuadidos de que gozam melhor a riqueza os que têm menor número de cuidados, e de que tudo quanto seja natural se obtém facilmente, enquanto o que não o é só se consegue a custo. As iguarias mais simples proporcionam tanto prazer quanto a mesa mais ricamente servida, sempre que esteja ausente o sofrimento causado pela necessidade, e o pão e a água ocasionam o mais vivo prazer quando são saboreados após longa privação.

O hábito de uma vida simples e modesta é uma boa maneira de cuidar da saúde e, ademais, torna o homem corajoso para suportar as tarefas que deve necessariamente cumprir na vida. Permite-lhe ainda apreciar melhor uma vida opulenta, quando se lhe enseje, e fortalece-o contra os reveses da fortuna. Por conseguinte, quando dizemos que o prazer é o soberano bem, não falamos dos prazeres dos devassos, nem dos gozos sensuais, como o pretendem alguns ignorantes que nos combatem e nos desfiguram o pensamento. Falamos da ausência de sofrimento físico e da ausência de perturbação moral. Pois não são nem as bebedeiras, nem os repetidos banquetes, nem o gozo resultante da frequentação de adolescentes e de mulheres, nem o prazer que causam os peixes e as carnes abundantes nas mesas suntuosas, que proporcionam uma vida feliz, e sim os hábitos razoáveis e sóbrios, a razão investigando sem cessar as causas legítimas da preferência e da aversão, e rejeitando as opiniões susceptíveis de trazerem a alma em maior confusão.

Epícuro

Conta-se a história de um monge que tinha o hábito de explodir em acessos de fúria e culpar seus companheiros quando as coisas davam errado. Decidiu afastar-se da causa de seus problemas e foi para um mosteiro do deserto, onde praticamente não tinha contato com outros seres humanos.
Certa manhã, após instalar-se em sua nova morada, esbarrou acidentalmente no cântaro de água e lhe derramou o conteúdo. Ficou enfurecido, mas não havia ninguém por perto a quem culpar. Encheu novamente o cântaro.
Pouco tempo depois, o mesmo fato se repetiu. Num ímpeto de ira, arremessou o cântaro ao chão, fazendo-o em pedacinhos.
Depois de acalmar-se, começou a refletir e chegou à conclusão de que seu mau humor era problema dele mesmo, e não dos outros.

Um famoso professor da Universidade, candidato ao prêmio Nobel, chegou à margem de um lago. Pediu a um barqueiro que o transportasse para o outro lado. Quando estavam longe da margem, o professor começou a fazer perguntas ao barqueiro:
- Sabe história?
- Não, Senhor.
- Sabe astronomia?
- Também não.
- Sabe filosofia?
- Não, Senhor.
Então, do alto da sua sabedoria, o professor respondeu:
- Não sabe nada disto? Então perdeu metade da sua vida!
De repente veio uma violenta tempestade. O barco começou a meter água e o barqueiro perguntou-lhe:
- Sabe nadar?
O professor, assustado, respondeu que não. E o barqueiro disse-lhe:
-Então perdeu toda a sua vida!
Reflexão Na vida, não basta ter muitos conhecimentos científicos e muita sabedoria. Existem outras coisas essenciais para a nossa salvação e felicidade.

A preguiça e a covardia são as causas por que os homens em tão grande parte, após a natureza os ter há muito libertado do controlo alheio, continuem, no entanto, de boa vontade menores durante toda a vida; e também por que a outros se torna tão fácil se assumirem como seus tutores. É tão cômodo ser menor.
Se eu tiver um livro que tem entendimento por mim, um diretor espiritual que tem em minha vez consciência moral, um médico que por mim decide da dieta, etc., então não preciso de eu próprio me esforçar. Não me é forçoso pensar, quando posso simplesmente pagar; outros empreenderão por mim essa tarefa aborrecida. Porque a imensa maioria dos homens (inclusive todo o belo sexo) considera a passagem à maioridade difícil e também muito perigosa: é que os tutores de boa vontade tomaram a seu cargo a superintendência deles. Depois de, primeiro, terem embrutecido os seus animais domésticos e evitado cuidadosamente que estas criaturas pacíficas ousassem dar um passo para fora da carroça em que as encerraram, lhes mostram em seguida o perigo que as ameaça, se tentarem andar sozinhas. Ora, este perigo não é assim tão grande, pois aprenderiam por fim muito bem a andar. Só que um tal exemplo intimida e, em geral, gera pavor perante todas as tentativas ulteriores.

É, pois, difícil a cada homem se desprender da menoridade que para ele se tornou quase uma natureza. Até lhe ganhou amor e é por agora realmente incapaz de se servir do seu próprio entendimento, porque nunca lhe foi permitido fazer uma tal tentativa. Preceitos e fórmulas, instrumentos mecânicos do uso racional ou, antes, do mau uso dos seus dons naturais são os grilhões de uma menoridade perpétua. Mesmo quem deles se soltasse só daria um salto inseguro sobre o mais pequeno fosso, porque não está habituado a este movimento livre. São, pois, muito poucos apenas os que conseguiram mediante a transformação do seu espírito se arrancar da menoridade e iniciar então um andamento seguro.

Immanuel Kant