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Esperar, esperar e esperar.
Desde pequeno aprendi a conjugar fielmente esse verbo.
Acredito que todos o relaciona com paciência, não sei se de fato é isso.
Sei somente que a ação da espera me deixa perdido, ansioso, angustiado e aflito.
Não admiro essas sensações, pois de tanto esperar começo
a questionar-me de tudo que me cerca.
Principalmente das coisas que me motivam.
E isso não é bom.
Ao escrever isso, lembro-me do trecho
de uma música que aborda muito bem esse tema:
"Espera no senhor, mesmo quando a vida pedir de ti mais do que podes dar,
e o cansaço já fizer teu passo vacilar.
Espera no senhor, mesmo se a solidão teu peito machucar
e te der vontade de ir embora e tudo abandonar".
Linda letra.
Sempre que a ouço percebo que tudo o que aprendi,
todo o tempo que esperei não foi em vão.
Incrível a revelação de DEUS através das palavras tatuadas em uma simples melodia.
E é assim que devo me convencer da ação do Criador sobre as minhas esperas.
Pois na velocidade de uma mão escrevendo um texto e na perfeição dos acordes inseridos em uma música, Ele se manifesta mudando o rumo da conclusão de uma história.

Uma parte de mim foi embora com você, meu pai! Desde a hora que você se foi, minha vida virou mar sem onda. Não importa o tempo, não interessam novas chances na vida, porque sem você junto a mim tudo é cinzento, tudo é sem graça. Na verdade, meus sonhos viraram nostalgia, meus projetos não passam de pedra na calçada! Sinto muito sua falta!

Você foi embora faz tempo. Sinto que é hora de retomar minha vida, de colocar um sorriso no rosto sem sentir culpa. Eu sei que você pretende o melhor para mim, mas não tenho conseguido viver direito. Então, me ajude! Me dê força! Faça com que a fé invada novamente meu coração. Preciso de jogar fora essa tristeza que me impede de continuar meu caminho!

Eu vou conseguir dar a volta por cima! Tenho de acreditar que a vida continua. Preciso honrar seu nome através de minha felicidade, de meu sucesso. Esse será meu grande objetivo, meu pai! Até um dia!

Feliz Aniversário para nós, meu amor! Você é a melhor pessoa que algum dia conheci na vida! Não tenho dúvida quando falo que foi você que me revelou o amor e os verdadeiros sentimentos.

Hoje, nosso casamento é meu ponto de abrigo, meu refúgio para viver intensamente os momentos mais lindos da minha existência. É um privilégio ser casado com você, meu bem! Eu te amo e amarei todos os dias ainda mais! Beijo.

Será que você irá lembrar de mim quando cansado eu estiver?
Quando minhas forças se evadirem e em nada eu poder te ajudar?
Quando meus poucos suspiros que restarem ainda te quererem e mesmo assim não poder demonstrá-los?
Será? Não tenho certeza de nada.
Só sei que é com você que quero ficar e farei de tudo para que quando esses momentos enfim chegarem, já ter lhe falado infinitas vezes o quanto eu amo estar contigo e que cada momento foi único e perfeito para mim.
Único o suficiente para me fazer feliz por uma vida inteira e perfeito demais para guardá-lo e levá-lo para onde quer que for.
Que a força do meu amor te encha de respostas para aquelas perguntas que um dia eu voltarei novamente a fazer e que talvez não consiga ouvir a tempo de assim te dizer obrigado por me amar assim como eu amo você.

Elas se amontoaram diante da porta – duas crianças abandonadas em sujos casacos.
- Tem algum papel velho, senhora?
Eu estava ocupada. Eu quis dizer não – até que eu olhei para seus pés. Pequenas e gastas sandálias, ensopadas com a chuva. - Entrem e eu farei uma xícara de chocolate quente para vocês.
Não houve nenhuma conversa. Elas deixaram as marcas das sandálias encharcadas sobre a soleira e todo o chão da sala.
Eu as levei até a cozinha e lhes servi chocolate quente e torrada com geleia tentando fortalecê-las contra o frio do lado de fora.
O silêncio na cozinha me atravessava. A menina segurava a xícara vazia em suas mãos. O menino perguntou, - Senhora... Você é rica? - Se eu sou rica? Com certeza, não!
Eu olhei para minha surrada toalha sobre a mesa. A menina colocou sua xícara de volta ao pires – cuidadosamente. - Sua xícara combina com seu pires. Ela disse com uma voz velha, com uma fome que não era do estômago.
Então as crianças partiram, levando seus pacotes de papéis velhos contra o vento. Elas não disseram obrigado. Não precisavam. Elas tinham feito mais que isto.
Eu fritei minhas batatas e terminei o molho de carne. Batatas e molho de carne... Um teto sobre nossas cabeças... Meu marido com um bom e estável emprego. Estas coisas combinavam, também.
Coloquei as cadeiras no lugar, apaguei o fogo e arrumei a sala. As impressões barrentas de pequenas sandálias ainda estavam pelo chão. Eu as deixei lá.
Eu quero que as marcas estejam lá para o caso de eu me esquecer novamente do quanto sou rica.