Fora da caridade não há salvação
Estes princípios, para mim, não são apenas uma teoria, eu os coloco em prática; faço o bem tanto quanto o permite a minha posição; presto serviço quando posso; os pobres jamais foram rejeitados em minha casa, ou tratados com dureza; a todo momento não foram sempre recebidos com a mesma benevolência?
Jamais lamentei meus passos e minhas diligências para prestar serviço; pais de família não saíram da prisão pelos meus cuidados? Certamente não me cabe fazer o inventário do bem que pude fazer; mas, num momento em que parece tudo esquecer-se, é-me muito permitido, creio, chamar à minha lembrança que a minha consciência me diz que não fiz mal a ninguém, que fiz todo o bem que pude, e isso o repito sem pedir conta da opinião; sob esse aspecto, a minha consciência está tranquila e de alguma ingratidão com a qual pude ser pago, em mais de uma ocasião, isso não poderia ser para mim um motivo para deixar de fazê-lo; a ingratidão é uma das imperfeições da Humanidade, e como nenhum de nós está isento de censuras, é preciso saber passar aos outros pelo que se nos passa a nós mesmos, a fim de que se possa dizer, como J. C.: "que aquele que está sem pecado, lhe atire a primeira pedra."
Continuarei, pois, a fazer todo o bem que puder, mesmo aos meus inimigos, porque o ódio não me cega; e eu lhes estenderia sempre a mão para tirá-los de um precipício, se a ocasião disso se apresentasse.
Eis como entendo a caridade cristã; compreendo uma religião que nos ordena retribuir o mal com o bem, com mais forte razão restituir o bem pelo bem. Mas não compreenderia jamais a que nos prescrevesse retribuir o mal com o mal.
Allan Kardec
O tolo que sabe que é tolo, nisso, pelo menos, é sábio. Mas o tolo que pensa que é sábio, esse é realmente um tolo.
O sábio Saadi de Xiras caminhava por uma rua com seu discípulo, quando viu um homem tentando fazer com que sua mula andasse.
Como o animal recusava-se a sair do lugar, o homem começou a insulta-lo com as piores palavras que conhecia.
Então o sábio aproximou-se dele e calmamente falou: - Não sejas tolo... o asno jamais aprenderá tua linguagem. O melhor será que te acalmes, e aprendas a linguagem dele.
O homem não lhe deu ouvidos e continuou xingando o animal. o sábio afastando-se, comentou com o discípulo: - Antes de entrar numa briga com um asno, pensa bem na cena que acabaste de ver.
Não é sábio discutirmos com alguém que ainda não esteja preparado para as coisas simples da vida, como por exemplo compreender o grande amor de Deus em todas as criaturas... É preciso saber calar para deixar um tolo falar!
Certo dia, num mosteiro Zen Budista, o mestre convocou todos os discípulos. Era preciso escolher um substituto para o guardião, que havia morrido. O mestre, com muita tranquilidade, falou:
- Assumirá o posto o primeiro que resolver o problema que vou apresentar.
Então o mestre colocou uma mesinha no centro da sala e, em cima dela, pôs um vaso de porcelana muito raro, com uma rosa amarela de extraordinária beleza para enfeitá-lo.
- Aí está o problema, disse o monge.
Todos ficaram olhando a cena: um vaso belíssimo, uma flor maravilhosa... O que representaria? O que fazer? Qual o enigma? De repente, um dos discípulos sacou a espada, olhou o mestre e os companheiros, dirigiu-se ao centro da sala e zapt!
Destruiu tudo num só golpe! Tão logo o discípulo voltou ao seu lugar, o mestre falou:
- Você será o novo guardião do mosteiro.
Moral da história: não importa qual o problema, nem a maneira que ele se apresente. Se for um problema precisa ser eliminado. Mesmo que se trate de um homem ou uma mulher maravilhosa, um grande amor que acabou ou um sentimento doloroso.
Mesmo que a vida seja difícil
Nunca desista de viver seja forte para superar
Toda e qualquer situação... Nunca desista de ser feliz
Existem pedras não desista de andar
Existem barreiras não desista de passar
Existem os nós é preciso desatar
Existe o desânimo é a pior coisa que há
A estrada é longa não desista de chegar
Existe o cansaço é preciso caminhar
Existe a derrota você nasceu para ganhar
Existe o desamor é fundamental amar
Duas sementes descansam lado a lado no solo fértil da primavera. A primeira semente disse:
- Eu quero crescer! Quero enviar minhas raízes as profundezas do solo e fazer meus brotos rasgarem a superfície da terra...
Quero abrir meus botões como bandeiras anunciando a chegada da primavera...
Quero sentir o calor do sol em meu rosto e a benção do orvalho da manha em minhas pétalas! E assim ela cresceu.
A segunda semente disse:
- Tenho medo. Se eu enviar minhas raízes as profundezas, não sei o que encontrarei na escuridão. Se rasgar a superfície dura, posso danificar meus brotos... e se eu deixar que meus botões se abram e um caracol tentar come-los?
E se abrir minhas flores e uma criança me arrancar do chão? Não é muito melhor esperar até que eu me sinta segura? E assim ela esperou.
Uma galinha ciscando no solo da primavera recente, a procura de comida, encontrou e rapidamente comeu a semente que esperava por segurança.
E a segunda semente descobriu, tarde demais, que os que se recusam a correr riscos e crescer são engolidos pela vida.