Ainda sou o mesmo de antes, aquele que te enviava flores acompanhadas a um lindo cartão.
Ainda sou aquele que te abraçava e na despedida te beijava sussurrando: Amor! Vou, mas deixo em ti meu coração.
Ainda sou aquele que contigo sorriu e muitas vezes também chorou. Ainda sou aquele que colhia flores orvalhadas e nas aconchegantes madrugadas, tanto te amou.
Ainda sou aquele que em teu coração fecundou o amor e que te fez alegre e sorridente, diante dos olhares deslumbrados de tanta gente.
Ainda sou aquele que te mostrava a estrela guia, despetalando o bem-me-quer e que em tantas noites, abriu-te o coração ao amor, te fazendo mulher.
Ainda sou... Sim amor! Ainda sou aquele que sempre te amou.
Ternura de cinco pontas viva, estranha, inquieta flor...
Tuas mãos são duas contas do meu rosário de amor.
Delicados diademas trabalhadas obras primas...
... Tuas mãos são dois poemas rimando, em vermelhas rimas...
Ah, mãos tão frágeis, parecem pedir arrimo e guarida...
E entretanto, se quisessem guiariam a minha vida...
No teu abraço eu encontro o aconchego necessário para depositar toda a minha confiança. Minhas dores somem por uma fração de segundos e eu me sinto em casa novamente.
Ao voltar de um exaustivo dia de caça, trazendo segura nos dentes uma pequena corça, a onça encontrou sua toca vazia. Imaginando que os filhotes estivessem nas imediações, pôs-se a procurá-los com diligência. Olhou e examinou cada canto, sem encontrá-los.
Preocupada com a demora que se tornava séria, desesperou-se e tomada de pânico esgoelou-se em urros que encheram de espanto toda a floresta. Uma anta decidiu indagar a respeito da ocorrência. Chegando junto da toca, viu a onça desatinada e então, jeitosamente, procurou saber dela sobre o que estava acontecendo.
– Devoraram-me os filhotes! – gemeu a onça. – Infames caçadores cometeram friamente o maior de todos os crimes: mataram os meus filhos...
A anta conciliadora, porém franca, não deixou que a oportunidade se passasse sem que ela dissesse à onça certas verdades que embora dolorosas, careciam ser ouvidas por ela naquele momento. Então falou-lhe:
– Mas senhora onça, se analisar bem o fato, há de convir que suas acusações não procedem. Perdoe-me a franqueza, nessa hora de desespero. Respeito a sua dor, mas devo dizer-lhe que fizeram uma vez aquilo que a senhora pratica todos os dias. Não pode negar que vive sempre a comer os filhotes dos outros, não é verdade? Ainda agora acabou de abater uma corçazinha...
Tomada de indignação, a onça arregalou os olhos como que espantada pela coragem e atrevimento da anta, falando com um ódio mortal: – Oh, estúpida criatura! É isso que você tem a dizer para consolar o meu coração ferido pela dor? Com que direito você se atreve em comparar os meus filhos com os filhotes dos outros? E como pode comparar o meu sofrimento e desolação ao dos demais? É preciso considerar primeiro a minha posição, em relação à dos outros animais, para depois pesar a situação...
Foi nesse momento que um velho macaco, que bem do alto do seu galho assistia ao diálogo, falou como quem está revestido de autoridade: – Amiga onça, é sempre assim: A dor alheia só atinge aos altruístas, mas jamais ao egoísta...
Cada relacionamento é único, uma caixinha de surpresas que todo o dia vamos abrindo um pouco. Mas na diferença eles não vivem só de alegrias, também são um desafio, uma luta diária, um investimento.
E quando vale a pena, como com o nosso amor, os problemas a gente mata. Lutemos juntos, então, mas não desista do nosso amor, pois ele ainda tem muito por onde crescer.