Eu te peço perdão
Por te amar de repente
Embora o meu amor seja uma velha canção em teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentado
Pela graça indivisível dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente
E posso te dizer o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma...
É um sossego, uma unção
Um transbordamento de carícias
E só te pede que repouses quieta, muito quieto
E deixes que as mãos cálidas da noite
Encontrem sem fatalidade o olhar estático da aurora.
Amigos que não sabem o quanto são meus amigos.
Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta
necessidade que tenho deles.
A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor,
eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o
amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.
E eu poderia suportar, embora não sem dor, que
tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem
todos os meus amigos!
Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus
amigos e o quanto minha vida depende de suas existências
A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem.
Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida.
Mas, porque não os procuro com assiduidade, não
posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar.
Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem
que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos.
Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro,
embora não declare e não os procure.
E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem
noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu
equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente,
construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.
Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado.
Se todos eles morrerem, eu desabo!
Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles.
E me envergonho, porque essa minha prece é, em
síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.
Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles.
Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos,
cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando
daquele prazer
Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a
roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando
comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus
amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber
que são meus amigos!
A gente não faz amigos, reconhece-os.
Para meu coração basta teu peito
para tua liberdade bastam minhas asas.
De minha boca chegará até o céu
o que estava dormindo sobre tua alma.
E em ti a ilusão de cada dia.
Chegas como o sereno às coroas.
Escavas o horizonte com tua ausência.
Eternamente em fuga como a onda.
Eu disse que cantavas no vento
como os pinheiros e como as hastes.
Como eles és alta e taciturna.
E entristece prontamente, como uma viajem.
Acolhedora como um velho caminho.
Te povoam ecos e vozes nostálgicas.
Eu despertei e às vezes emigram e fogem
pássaros que dormiam em tua alma.
Pablo Neruba
Hoje minha alma balança... enlouquecendo o meu coração
Já fui às nuvens e afundei-me na terra, meu pensamento não descansa, escalando uma íngreme serra
Meu tormento vai-se ao vento e me traz a fragrância do corporal perfume que inebria e arrepia todo o meu corpo, morto de saudade do amor que já não tive!
Sinto um vento que toca minha face,
Lambuza-se nos meus desejos,
Afaga meus cabelos desesperado,
Cheira - me, beija - me, acaricia meus lábios...
Envolve meu corpo,
Cochicha nos meus ouvidos,
Fala de amor, fala de nos,
Murmura suavemente; te amo.
E eu fico completamente seu,
E te tenho você toda minha...
Por que sou sua metade,
E você e metade minha,
Eu sou todo seu encanto,
E você minha encantada.
Você então será eterna,
Em minha alma, nos meus versos...
Pobres.
Pobre de mim...