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Faz tão pouco tempo que papai faleceu, que parece nem ser realidade. Não passou muito desde que o ouvi batendo a porta, em jeito de despedida. Um adeus que eu pensava ser apenas até ao final da tarde, como acontecia todos os dias. Mas afinal, essa despedida era eterna. Era uma despedida de nosso mundo, de nossa família. Um adeus à vida, como a conhecíamos até àquele momento.

Essas lembranças estão tão vivas em minha memória, que meu coração ainda espera o regresso dele, como se nada tivesse ocorrido. Há algo em mim que ignora o acontecimento dessa morte e é isso que talvez me continue impedindo de seguir em frente.

Meu pai me faz tanta falta, que sinto um vazio por dentro. As saudades aumentam a cada dia e custa a encarar verdadeiramente esta perda. Imaginar como será minha vida nos tempos que se seguem é um verdadeiro desafio. Mas quando nada podemos fazer para mudar nosso passado, resta honrarmos os valores que nos foram deixados por aqueles que amaremos eternamente.

Minha vida é a vida dos outros
Mas algum dia viverei
Como é bom estar a seu lado, conversar com você
Curtir a vida lhe ver sorrir
Mas aprendemos quando nos calamos
E deixamos o nossos olhos falarem
Mas nos alegramos quando vemos o próximo sorrir
Nos achamos feio quando vemos o bonito
E nos sentimos bonito se vemos o feio
Neste mundo louco, somos tudo
Temos tudo e não temos nada
E não somos nada, como é louco este mundo
Temos que aprender com o ódio, o perdão
E só sentimos o gozo da paz, quando há guerra
Só damos valor a algo quando lutamos para a conquista
Como é lindo os seus sentimentos, como eu sei ser frio
Me perdoe. No fundo sou alegre e belo
Basta me conhecer um pouco
Todo dia aprendemos algo
Paro e penso, logo vejo, não há sentido no pensar
Mas quando criticamos, crescemos
E nada podemos fazer porque o mundo passa
Como a vida passa, nascemos e logo estamos velhos
Dando trabalho para os outros.

Quando criança, por causa de meu caráter impulsivo, tinha raiva a menor provocação. Na maioria das vezes, depois de um desses incidentes me sentia envergonhado e me esforçava por consolar a quem tinha magoado.

Um dia, meu professor me viu pedindo desculpas depois de uma explosão de raiva. Me entregou uma folha de papel lisa e me disse:

- Amasse-a!

- Com medo, obedeci e fiz com ela uma bolinha.

- Agora - voltou a dizer-me - deixe-a como estava antes.

É óbvio que não pude deixá-la como antes. Por mais que tentei, o papel ficou cheio de pregas.

Então, disse-me o professor:

- O coração das pessoas é como esse papel... A impressão que neles deixamos será tão difícil de apagar como esses amassados.

Assim aprendi a ser mais compreensivo e mais paciente. Quando sinto vontade de estourar lembro deste papel amassado. A impressão que deixamos nas pessoas é impossível de apagar.

Quando magoamos com nossas ações ou com nossas palavras, logo queremos consertar o erro, mas é tarde demais.

Alguém disse, certa vez: "Fale quando tuas palavras sejam tão suaves como o silêncio". Como uma folha.

Pense nisso!

Ao findar a tarde,
vou para o meu quarto.
Fecho a porta, ligo o radio e coloco uma canção suave.
Deito em minha cama e começo a sonhar acordada.
Devagar fecho meus olhos,
sinto o cheiro do seu perfume no ar,
sinto a maciez de teus lábios,
o cheiro de seu corpo parece estar no meu,
por instantes sinto os seus braços roçando em mim.
O meu coração começa a bater mais forte,
parece dois batendo num só.
Estou vivendo um sonho, um sonho mas que em momentos transformo em realidades...

Eu te amo, com a força dos temporais,
Com a fúria incontrolável dos vulcões.
Com a energia acumulada nos trovões
Desde longos tempos imemoriais.

Eu te amo, com a leveza dos cristais,
Com a textura das rosas em seus botões.
Com as notas delicadas das canções
Com as cores de mil roupas nos varais.

Eu te amo todas as horas do dia
E este amor ora leveza, ora tormenta,
Este amor que ora é prazer ora agonia

Pra meu barco é a segurança de um cais.
Muito embora ele saiba e se contenta
Que apenas é só mais um!... e nada mais!

Jenário de Fátima