Todos os dias, ele ia para o colégio com meias vermelhas.
Era um garoto triste, procurava estudar muito mas na hora do recreio ficava afastado dos colegas, como se estivesse procurando alguma coisa. Os outros guris zombavam dele, implicavam com as meias vermelhas que ele usava.
Um dia, perguntaram porque o menino das meias vermelhas só usava meias vermelhas.
Ele contou com simplicidade:
- "No ano passado, quando fiz aniversário, minha mãe me levou ao circo. Botou em mim essas meias vermelhas. Eu reclamei, comecei a chorar, disse que todo mundo ia zombar de mim por causa das meias vermelhas. Mas ela disse que se me perdesse, bastaria olhar para o chão e quando visse um menino de meias vermelhas saberia que o filho era dela".
Os garotos retrucaram:
- "Você não está num circo! Porque não tira essas meias vermelhas e joga fora?"
Mas o menino das meias vermelhas explicou:
- "É que a minha mãe abandonou a nossa casa e foi embora. Por isso eu continuo usando essas meias vermelhas. Quando ela passar por mim vai me encontrar e me levará com ela".
Há amores que nunca acabam. Um deles, é aquele que só nós podemos dar. Mudam-se os protagonistas e a história se renova. Trocam-se promessas eternas e voltamos a acreditar.
Agora é hora de recomeçar no amor! É dia de se deixar abraçar e se entregar à paixão. Com alguém do seu lado, a vida tem outro sentido. Com alguém bem perto, amor não é um caso perdido.
Os antigos mestres costumavam criar 'personagens' para ajudar seus discípulos a lidarem com o lado mais sombrio da personalidade. Muitas das histórias relacionadas com a criação de personagens terminaram se transformando em famosos contos de fadas.
O processo é simples: basta colocar suas angústias, medos e decepções em um ser invisível que está do seu lado esquerdo. Ele funciona como o "vilão" da sua vida, sempre sugerindo atitudes que você não gostaria de tomar, mas acaba tomando. Uma vez criado tal personagem, fica muito mais fácil não obedecer a seus conselhos.
É extremamente simples. E por isso funciona muito bem.
Paulo Coelho
Eu tinha medo, eu tinha medo do escuro, eu tinha medo da solidão, tinha medo de morrer. Eu costumava ter calafrios, imaginava fantasmas e não via as tragédias no telejornal. Eu era muito supersticiosa, não passava debaixo de escadas, fugia de gatos pretos e tinha medo da lua cheia.
E andava cheia de amuletos da sorte, e tinha medo de sonhar, de desejar algo e esse desejo não se realizar. Tinha medo de ouvir a minha voz, de dizer em voz alta o que queria. Tinha medo de amar, tinha medo de sofrer. Eu vivia escondida do mundo, debaixo da minha cama. Eu tinha medo do mundo.
Mas um dia percebi que já estava vivendo o meu maior medo: a minha vida estava passando e eu não estava vivendo. Eu já estava morrendo sem ver. Eu tinha medo de "nãos", e não percebia que não lutava pelo "sims". Percebi que na verdade estava vivendo com medo da vida, em vez de ter medo da morte. Foi aí que resolvi viver!
Dentro da igreja, ajoelhe-se. No estádio de futebol, grite pelo seu time. Numa festa, comemore. Durante um beijo, apaixone-se. De frente para o mar, dispa-se. Reencontrou um amigo, escute-o.
Ou faça de outro jeito, se preferir: dentro da igreja, escute-O. Durante um beijo, dispa-se. No estádio de futebol, apaixone-se. De frente para o mar, ajoelhe-se. Numa festa, grite pelo seu time. Reencontrou um amigo, comemore.
Esteja, entregue-se.
Se não quiser participar, tudo bem, então fique na sua: na sua casa, no seu canto, na sua respeitável solidão. Melhor uma ausência honesta do que uma presença desaforada.
Martha Medeiros