A sobrecarregada enfermeira viu o jovem entrar no quarto e, inclinando-se, disse alto ao idoso paciente, – Seu filho está aqui.
Com grande esforço, ele abriu os olhos e, a seguir, fechou-os outra vez. O jovem apertou a envelhecida mão e sentou-se ao lado da cama. Por toda a noite, ficou sentado ali, segurando a mão e sussurrando palavras de conforto ao velho homem.
À luz da manhã, o paciente tinha morrido. Em instantes, a equipe de funcionários do hospital encheu o quarto para desligar as máquinas e remover as agulhas. A enfermeira aproximou-se do jovem e começou a oferecer-lhe condolências, mas ele a interrompeu. - Quem era esse homem? Perguntou.
Assustada, a enfermeira respondeu, - Eu achei que era seu pai! - Não. Não era meu pai, – respondeu o jovem – Eu nunca o vi antes em minha vida. - Então, porque você não falou nada quando lhe anunciei para ele? - Eu percebi que ele precisava do filho e o filho não estava aqui. – O jovem explicou – E como ele estava por demais doente para reconhecer que eu não era seu filho, eu vi que ele precisava de mim.
Madre Teresa costumava nos lembrar que ninguém tem que morrer sozinho. Do mesmo modo, ninguém deve se afligir sozinho ou chorar sozinho. Ou rir sozinho ou celebrar sozinho.
Nós fomos feitos para viajar de mãos dadas através da jornada da vida. Há alguém pronto para segurar a sua mão hoje. E há alguém esperando que você segure a dele.
Foi tão bom ter você em meus braços, mesmo por poucos dias. Foram horas marcadas por desejos, deixando em minha lembrança a sensação deliciosa de sua presença real.
Ficaram em meus lábios o sabor ardente dos seus beijos, suas digitais que pousaram com grande intensidade sobre meu corpo nu, que desejou o seu, sem pensar no amanhã.
Entregamos a fantasia do momento que soubemos viver. Hoje a saudade faz presente em minha vida, sim, com aquela agulhadinha no peito, ao me lembrar que você passou em minha vida, deixando assim marcas de um sonho bom, sem vestígios de dor.
Porque você se foi, sem deixar raízes do amor que a semente não proliferou. Você foi um sonho bom, do qual meu coração não se arrepende de ter aberto a porta para que ele adentrasse.
Você foi capaz de nem deixar o verde da esperança brotar nos dias seguintes, para que eu não desejasse a sua volta.
Mas valeu, hoje, só sinto uma gostosa saudade de você.
Por ti vivo nessa solidão
que por vezes me anula os dias e noites.
Clausulo de amar,
até que és minha breve razão de existência.
Ignorar meu amor...
triste o que dizer?
Pois a lembrança de tua pele ainda que tatuada
sobre a minha,
sobrevive à morte,
viver portanto sem ti...
São dores mortificadas, lágrimas secas,
gritos ao vento...
Viver por sem a tua carne...
É um caminho sem volta...
Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados. Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos. Não participarei de conferências que estabelecem prazos fixos para reverter a miséria do mundo. Não quero que me convidem para eventos de um fim de semana com a proposta de abalar o milênio. Já não tenho tempo para reuniões intermináveis para Discutir estatutos, normas, procedimentos e regimentos internos...
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturas. Não quero ver os ponteiros do relógio avançando em reuniões de "confrontação", onde "tiramos fatos à limpo". Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário do coral. Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: "as pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos".
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos. Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana. que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita para a "última hora". não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja andar humildemente com Deus.
Caminhar perto delas nunca será perda de tempo.
Bonito é gostar da vida. Apreciar novas belezas, viver a simplicidade, agir com delicadeza e idealizar sonhos. Mover-se com esperança, manter o equilíbrio, agir com certezas, apostar no futuro e não ter medo de ser feliz.