Meu amor, hoje comemoramos cinco anos de vida em conjunto, e apesar da alegria que isso representa, sinto também um pouco de tristeza por não podermos estar juntos. Mas mesmo de longe, espero que você sinta todo meu amor e gratidão por estes cinco anos maravilhosos de companheirismo e cumplicidade.
Sou muito feliz ao seu lado, e na verdade, tudo que quero é estar ao seu lado. E mesmo quando estamos longe um do outro, como hoje, sinto que você está sempre comigo, pois mora permanentemente em meu coração. Feliz aniversário de casamento, meu amor! Te amo!
Não sei o que o futuro nos reserva, mas aconteça o que acontecer espero que um dia você tenha a capacidade de perceber como em muitos momentos foi injusto no modo de me tratar, como agiu com descaso, como lhe faltou sensibilidade. E espero sinceramente que se arrependa, pois embora o seu arrependimento para mim não vá servir de nada, ao menos você reconhecerá os seus erros e poderá não repeti-los.
Confesso que ainda tenho um sentimento muito forte por você, mas não creio que seja capaz de ultrapassar tudo o que houve entre nós e conosco. Racionalmente, sei que o melhor é cada um seguir o seu caminho, mas não mandamos no coração. Vamos dar tempo ao tempo e esperar para ver o que acontece e como nos sentimos. Acredito no destino, e o que está reservado para nós certamente tem um porque de ser. Vamos esperar até termos tranquilidade suficiente para calar os rancores e ouvir a voz dos nossos corações.
Devemos sempre ver apenas o lado iluminado das coisas e dos fatos. É preciso que fechemos decisivamente os olhos mentais em relação ao lado escuro, desagradável e doentio de tudo.
A mente tem a tendência de ser atraída pelo lado negativo das coisas e dos fatos. E, por conseguinte, mantemos sempre na mente a infelicidade, a doença ou a desarmonia, de modo que a substância da nossa mente não para de fabricar esses fatos negativos.
É por isso que neste mundo existem muito mais pessoas infelizes do que felizes. Desenhar sempre, com essa substância da mente, apenas situações positivas e felizes é a maneira de fabricarmos a felicidade. Há o seguinte ditado japonês:
"Quando a mente não está presente, a pessoa olha mas não vê".
Por mais que você esteja envolto por uma atmosfera de infelicidade, se a sua mente deixar de reconhecê-la e passar a ver apenas o lado iluminado, nada que seja negativo poderá surgir em sua existência.
Por maior que seja a desarmonia em seu lar, o importante é não ver essa desarmonia com os olhos mentais.
O que existe de verdade é apenas o bem. O que parece desarmonia é um meio pelo qual você atingirá a harmonia. São nas horas mais escuras da noite que os raios da aurora estão se preparando para brilhar com beleza ainda maior.
Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados. Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos. Não participarei de conferências que estabelecem prazos fixos para reverter a miséria do mundo. Não quero que me convidem para eventos de um fim de semana com a proposta de abalar o milênio. Já não tenho tempo para reuniões intermináveis para Discutir estatutos, normas, procedimentos e regimentos internos...
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturas. Não quero ver os ponteiros do relógio avançando em reuniões de "confrontação", onde "tiramos fatos à limpo". Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário do coral. Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: "as pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos".
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos. Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana. que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita para a "última hora". não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja andar humildemente com Deus.
Caminhar perto delas nunca será perda de tempo.
Esta história me foi contada pela minha vó com o intuito de me fazer avaliar bem os meus atos e, principalmente meus hábitos.
"Numa pequena vila morava um garoto que se chamava Anicete. Por qualquer motivo ele chorava. O pessoal da vila o apelidou de Anicete chorão.
Quando ele estava chorando diziam:
- É apenas o Anicete chorão.
Um dia o Anicete caiu em uma vala. Impedido de sair sozinho, começou a a chorar.
Todos que por ali passavam, olhavam e exclamavam:
- É apenas o Anicete chorão.
Sem obter ajuda Anicete chorão morreu na vala.
De tanto chorar em vão, não foi acreditado na hora que realmente precisava.