Era um daqueles dias de muito serviço em casa. E com 6 crianças e um à caminho, ficava ainda mais agitado. Neste dia em particular, eu estava com mais dificuldades para fazer as tarefas de rotina, por causa de um pequeno menino.
Len, que tinha cinco anos naquela época, estava em meus calcanhares, não importava onde eu ia. Sempre que eu parava para fazer alguma coisa e virava para voltar, eu tropeçava nele. Diversas vezes, eu pacientemente sugeri atividades divertidas para mantê-lo ocupado e afastado. - Você gosta de brincar no balanço, não gosta? Então vai brincar lá. Eu pedi outra vez.
Mas ele simplesmente me lançou um sorriso inocente e disse, - Eu gosto, mãe. Mas eu prefiro ficar aqui com você. E continuou a saltar feliz atrás de mim.
Após pisar em seu pé pela quinta vez, eu comecei a perder a paciência e insisti que fosse para fora brincar com as outras crianças. Quando eu lhe perguntei porque estava agindo daquela forma, ele me olhou com aqueles doces olhos verdes e disse, - Sabe o que é? Na aula de domingo o professor disse para a gente andar nos passos de Deus. Como não posso vê-lo, estou seguindo os seus.
Eu recolhi Len em meus braços e o apertei bastante. Lágrimas de amor e humildade derramaram sobre a oração que brotou em meu coração – uma oração de agradecimento pelo simples, contudo bonito ponto de vista de um menino de cinco anos.
Quem nunca sentiu uma alegria à toa, daquelas que vem sem hora marcada, sem plano, sem festa? Alegria boa é assim: ela vem meio que rasgando a boca, deixando um sorriso de não sei o que na cara da gente... Se alegria tivesse nome, seria surpresa. Se fosse uma casa, seria imensa. Se fosse um doce, que doce seria a tal da alegria? Doce gelado, confeitado, colorido... E se fosse uma música? Seria de flauta? De viola? Acho que de tudo... Alegria tem som de orquestra. Alegria à toa tem cor quente. Cor de sol que se põe bem tarde. Alegria que se preza, tem cheiro de chuva, de infância... E é claro que se alegria fosse gente, seria uma criança... E se fosse bicho, aposto que seria um beija-flor... Se eu pudesse vestir a tal da alegria, ela seria um vestido de linho, branco, bordado no peito, bem soltinho. Se fosse um caminho, seria de terra, no meio do nada, sem cerca e sem construção... Alegria deve ser isso... Qualquer coisa bonita, que nos tira do tédio. Essa coisa gostosa, misteriosa, bem vinda, que em dois segundos deixa tudo em paz. Alegria de verdade é aquela que vive aqui dentro... Que adormece, às vezes, mas que nunca deve morrer antes da gente.
Dois dias juntos parecem dois minutos e um dia longe parece um século. Ainda provarei cientificamente que o tempo passa mais rápido quando estou com você.
Ficamos sempre muito ocupados em procurar respostas às perguntas que consideramos importantes para compreender o sentido da vida. É muito mais importante viver plenamente, deixar que o próprio tempo se encarregue de nos revelar os segredos de nossa existência. Se nos ocupamos demais em encontrar um sentido, não deixamos a natureza atuar, e nos tornamos incapazes de ler os sinais de Deus.
Num remoto bar da Espanha, perto de uma cidade chamada Obite, existe um cartaz escrito pelo dono:
"Justamente quando consegui encontrar todas as respostas, todas as perguntas tinham mudado".
Paulo Coelho
Leve como uma pluma, suave como o veludo e gostosa como uma fresca brisa em um intenso dia de calor, assim se vive e se sente uma amizade que é colorida, meu amigo.
Sem laços que sufocam, sem restrições que oprimem, amizade colorida proporciona o melhor de um relacionamento mais sério, sem que este ultrapasse o rótulo da amizade e a liberdade que esta permite.
Amizade colorida é maravilhosa! Nela se inscrevem os mais lindos sentimentos pintados com as cores mais vivas, sem lugar a cobranças ou promessas quebradas.