Lembra quando todos eram mais felizes, sorriam por qualquer motivo e as coisas mais importantes eram ver o riso de uma criança, o pôr-do-sol, um grande amor e a paz de um domingo? Que será que fizemos para apagar o riso, porque será que as cores ficaram mais pálidas?
O que fizemos contra nós mesmos para esquecermos de caminhar na chuva e espiar ninhos de passarinhos? Morreu a fantasia, morreu a criança que vivia dentro de nós?
Deixamos tudo isso acontecer e nem nos apercebemos. Gastamos nosso tempo na televisão, no telefone, na Internet e deixamos para trás a nossa alma, as horas de papo com os amigos, o passeio de mãos dadas e o cafezinho no boteco...
Queria te convidar a sonhar. Não, não é para mais um sonho do que se vai comprar, adquirir e se entupir. Sonhar infantilmente, por nos olhos a candura pueril, os lábios quase falando a ânsia da alegria, navegar na fantasia!
Vá correr sem medo e, em todo o desapego, igual correr na estrada com poeira sem pensar na sujeira, brincar com o sentimento, ser novamente num momento apenas garoto, maroto, arteiro e eterno.
Pois não há inverno para quem corre no sol, não há inferno para quem tem nos olhos o brilho de um farol. Nunca haverá paz em qualquer rincão do universo se dentro de nós, frutos da criação, ela não habitar antes.
Como preencher o vazio da minha alma sem a sua
companhia...
Os pensamentos embaralham na minha cabeça
como um redemoinho...
Ficar perto de você desse jeito é muito dolorido...
Ir para longe me dá muito medo...
Ah ! como te amo...
Gostaria de me aninhar na sua pele, meu leito...
Sentir o calor do seu olhar, como era antes...
Meu peito está oco, que minha voz ecoa dentro
dele...
Minhas mãos anseiam por sua pele...
Meu corpo arrepia com sua presença...
Meus olhos brilham quando a vê...
Mas... meu coração sofre...
Sofre o sofrimento da dor de não senti-la junto dele...
Enfim... meu espírito flutua aleatoriamente tentando encontrar a sua alma...
Porém, ainda respiro... ainda posso lutar e sonhar...
Mesmo que o Sol se esconda e venham as maiores tribulações, eu prometo te fazer feliz todas as manhãs. Bom dia, meu amor!
Ainda que fosse assim,
ainda que continuassem a existir
prorrogações, anulações,
analistas e divãs,
gemidos como em campo de concentração:
Do teu canto,
de uma janela qualquer perdida no meio da cidade,
observarias subir a maré da loucura
aos olhos da noite.
Por algum tempo, talvez,
tenhas esquecido a melodia em dor maior,
tenhas sucumbido ao prazer de ser essência,
elemento, continente.
Ainda que fosse assim,
Sob o luar sonharíamos...
Dois loucos fazendo amor
como dois desconhecidos
e com paixão tamanha !
Ainda que fosse assim.
Ainda...
Mas nunca foi
Assim...
Não foi desejo. Nem vontade, nem curiosidade, nem nada disso. Foi um choque elétrico meio que de surpresa, desses que te deixa com o corpo arrepiado, coração batendo acelerado e cabelo em pé. Foi sentimento. Não foi planejado, nem premeditado. Foi só um querer estar perto e cuidar, tomar todas as dores e lágrimas como se fossem suas. A vontade e o desejo vieram depois, bem depois. Não foi um lance de corpo, foi um lance de alma. Não foram os olhos, nem os sorrisos, nem o jeito de andar ou de se vestir, foram as palavras. Uma saudade e uma urgência daquilo que nunca se teve, mas era como se já tivesse tido antes. Foi amor. É amor.