Meu querido filho, quando segurei você em meus braços pela primeira vez, senti de imediato que aquele seria o momento mais emocionante de minha vida. Meu coração vibrou de tanta alegria, que não cabia tanta emoção em mim. Dali em diante, eu seria uma nova pessoa que viveria para cuidar de alguém.
Agora que soube que você terá o privilégio de ser pai pela primeira vez, sinto uma felicidade indescritível. É um grande orgulho pensar que terá essa maravilhosa responsabilidade e sentirá a mesma linda sensação que eu tive, ao olhar para você assim que nasceu.
Como tudo passou tão rápido. Não faz muito tempo que tentava ainda dizer suas primeiras palavras e, de repente, você já fala em me dar um neto. Que grande tesouro será para nós, uma verdadeira dádiva que vou querer amar. Meu amado herdeiro, hoje, e mais do que nunca, eu sinto gratidão e prazer em nossa família.
Um homem idoso, arqueado sob a fadiga dos anos e gemendo sob o peso de um fardo de lenha que carregava, cansado e com os pés doloridos de caminhar pela longa estrada poeirenta, buscava chegar a sua cabana distante. Não suportando mais o peso da carga, deixou-a cair na beira da estrada, e lamentou seu destino cruel.
- Que prazer tive eu desde que pela primeira vez respirei neste triste mundo? Da alvorada ao crepúsculo tem sido trabalho duro e remuneração pequena. Em casa, tenho uma despensa vazia, uma esposa descontente e filhos desobedientes e preguiçosos. Ó Morte! Ó Morte! Venha livrar-me dos meus problemas.
De imediato, o fantasmagórico Rei dos Horrores se pôs diante dele. - O que desejas de mim?- indagou a Morte em tom cavernoso.
- Na-a-da- gaguejou o atemorizado camponês, nada a não ser a sua ajuda para repor nos meus ombros esse monte de gravetos que eu deixei cair!
Certo homem andava muito triste por não ter conseguido ajudar a um colega de muitos anos.
Começou a refletir que era ainda muito imperfeito: não era dinâmico como queria. portava-se egoisticamente em certos momentos. faltava-lhe coragem para realizar determinados planos. queria ser mais paciente e não conseguia. quando alguém lhe expunha um problema, não sabia o que fazer.
Enfim, descobriu que não era o super-homem...
Encontrando grande amigo, comenta-lhe de sua decepção por ser ele quem era...
O companheiro medita por instantes e serenamente lhe diz:
- Não permita que a decepção lhe tome o coração. Somos o que somos. o mais importante é o quanto já melhoramos e tanto bem que podemos fazer, mesmo com nossas imperfeições...
Hoje somos melhores do que ontem em conduta e caráter.
A árvore não cresce de um dia para o outro. Ela necessita de vários anos e estações. Faça o melhor a cada dia. Lembre-se de que, mesmo no pântano, nascem os lírios de rara beleza.
Mesmo imperfeitos, espalharemos o bem e a luz.
Existe uma grande diferença entre as pessoas que surgem na nossa vida em determinado momento e aquelas que permanecem nela para sempre. A esses que não desistem de estar ao nosso lado chamamos de verdadeiros amigos e, por tudo o que representam, devemos estimá-los e honrá-los, pois são um precioso tesouro que fazem nossos dias valerem a pena.
Um amigo de verdade não está presente apenas quando lhe é conveniente, mas sim em todas as ocasiões importantes. Quando nos sentimentos perdidos e com vontade de desistir de tudo, ele agarra nossa mão e nos diz as palavras certas para recuperarmos a motivação e continuarmos nosso caminho.
As maiores aventuras são vividas ao lado deles e também são eles que estão presentes nas nossas melhores recordações. Quem tem um verdadeiro amigo por perto nunca estará sozinho e terá todos os motivos para sentir gratidão.
O psiquiatra Paulo Rebelato, em entrevista para a revista gaúcha Red 32, disse que o máximo de liberdade que o ser humano pode aspirar é escolher a prisão na qual quer viver. Pode-se aceitar esta verdade com pessimismo ou otimismo, mas é impossível refutá-la. A liberdade é uma abstração.
Liberdade não é uma calça velha, azul e desbotada, e sim, nudez total, nenhum comportamento para vestir. No entanto, a sociedade não nos deixa sair à rua sem um crachá de identificação pendurado no pescoço. Diga-me qual é a sua tribo e eu lhe direi qual é a sua clausura.
São cativeiros bem mais agradáveis do que o Carandiru: podemos pegar sol, ler livros, receber amigos, comer bons pratos, ouvir música, ou seja, uma cadeia à moda Luis Estevão, só que temos que advogar em causa própria e habeas corpus, nem pensar.
O casamento pode ser uma prisão. E a maternidade, a pena máxima. Um emprego que rende um gordo salário trancafia você, o impede de chutar o balde e arriscar novos voos. O mesmo se pode dizer de um cargo de chefia. Tudo que lhe dá segurança ao mesmo tempo lhe escraviza. Viver sem laços igualmente pode nos reter.
Uma vida mundana, sem dependentes para sustentar, o céu como limite: prisão também. Você se condena a passar o resto da vida sem experimentar a delícia de uma vida amorosa estável, o conforto de um endereço certo e a imortalidade alcançada através de um filho. Se nem a estabilidade e a instabilidade nos tornam livres, aceitemos que poder escolher a própria prisão já é, em si, uma vitória. Nós é que decidimos quando seremos capturados e para onde seremos levados. É uma opção consciente.
Não nos obrigaram a nada, não nos trancafiaram num sanatório ou num presídio real, entre quatro paredes. Nosso crime é estar vivo e nossa sentença é branda, visto que outros, ao cometerem o mesmo crime que nós nascer foram trancafiados em lugares chamados analfabetismo, miséria e exclusão.
Brindemos: temos todos, cela especial.