Eu consigo perceber que esteja decepcionada comigo. Afinal, você sempre deu o seu melhor por nós dois e foi quem mais acreditou no nosso relacionamento. Sei que você olhe agora para mim, como alguém que fez tudo errado, que poderia ter sido um melhor namorado e não pense sequer em tentar de novo.
Não quero foçar você a estar comigo, até porque sei como a magoei em várias ocasiões. Ainda assim, se agora estou fazendo chegar estas palavras até você e colocando o meu sincero arrependimento em evidência, é porque acredito que merecemos uma segunda chance e eu estou disposto a lutar por ela.
A falta que você fez na minha vida, durante o tempo em que estivemos separados, me levou a sentir como eu não devo deixar fugir alguém tão especial. Eu quero que tudo seja diferente e prometo que cuidarei bem do seu coração. Volte para mim, porque as saudades estão apertando meu peito. Preciso de sentir que estamos juntos, para ser verdadeiramente feliz.
Um dia sonhei que tinha você nos meus braços – dormindo, e que depois acordava e no conforto do meu abraço pegava minha mão e sorria. Não foi um sonho isolado, ele se repetiu uma ou duas vezes e confesso que senti uma felicidade diferente no meu coração.
Fora do sonho passei a sentir sua falta. E foi aí que entendi que estava sonhando com os olhos abertos, e por isso me apaixonei por você! Aceita viver meu sonho de verdade?
Todos sabemos que aqueles a quem mais amamos, que aqueles que mais nos amam, são os que mais facilmente e com mais frequência feriremos, e os que com maior violência nos atingirão, mesmo não existindo intenção ou consciência disso.
Faz parte de amar e ser amado, faz parte de viver, assim como reconhecer o mal que se faz e se arrepender dele. É justamente isso que eu sinto, arrependimento pelo que fiz ao meu namorado, à pessoa que tanto amo, a você.
Me perdoe, por favor! A intenção nunca foi magoar você, e dói ainda mais pensar que o fiz. O castigo maior é a consciência do erro e o impacto dele na pessoa que amamos, é punição suficiente. Por isso me desculpe, pois já estou sofrendo por isso, e pelo muito que me arrependo de tudo!
Um homem orava com tanto fervor e com tanto carinho, toda noite. Certa vez o rico chefe da grande caravana chamou-o a sua presença e lhe perguntou:
– Por que oras com tanta fé? Como sabes que Deus existe, quando nem ao menos sabes ler? O crente fiel respondeu:
– Grande senhor, conheço a existência de nosso Pai Celeste pelos sinais Dele.
– Como assim? – indagou o chefe, admirado.
O servo humilde explicou-se:
– Quando o senhor recebe uma carta de pessoa ausente, como reconhece quem a escreveu?
– Pela letra.
– Quando o senhor recebe uma joia, como é que se informa quanto ao autor dela?
– Pela marca do ourives. O empregado sorriu e acrescentou:
– Quando ouve passos de animais, ao redor da tenda, como sabe, depois, se foi um carneiro, um cavalo um boi?
– Pelos rastros – respondeu o chefe, surpreendido. Então, o velho crente convidou-o para fora da barraca e, mostrando-lhe o céu, onde a Lua brilhava, cercada por multidões de estrelas, exclamou, respeitoso:
– Senhor, aqueles sinais, lá em cima, não pode ser dos homens! Nesse momento, o orgulhoso caravaneiro, de olhos lacrimosos, ajoelhou-se na areia e começou a orar também.
Acho que devo começar dando-lhe um pequeno pano de fundo. Eu era, na época deste relato, uma jovem e inexperiente mãe, com muito amor pelo meu pequeno Brian.
Vivíamos num povoado muito pequeno. Sabe, o tipo de povoado tão pequeno que todo o mundo conhece todo o mundo, e absolutamente todos conhecem os negócios de todos. Meu primo abriu uma pequena loja de roupas e me deu meu primeiro emprego. Eu abria a loja toda manhã, ficava ali o dia todo e fechava à noite.
Um dia, tive que levar Brian comigo porque minha mãe, que normalmente cuidava dele, naquele dia não podia tomar conta dele. Brian estava sentado no chão ao meu lado comendo biscoitos quando uma mulher de meia-idade – que eu nunca tinha visto antes – entrou na loja. Disse que não procurava por nada específico, apenas olhando.
Repentinamente, sem aviso, Brian engasgou violentamente. e posso lhe contar que ele estava realmente muito mau. Fiquei apavorada. Eu não sabia o que fazer. Aquele anjo de senhora pegou-o e "trabalhou" até que ele desengasgou. Ela então sorriu e me devolveu Brian, ele e eu chorando. Ela deixou a loja e nunca mais a vi.
Verifiquei em todo o povoado – que como mencionei antes, era o tipo de povoado pequeno onde todos se conhecem e todos sabem sobre a vida de todos – e ninguém na comunidade sabia de uma mulher com aquela descrição!
De alguma forma, seria o guardião de Brian?