Às vezes penso no meu íntimo, como poderia um dia pagar tudo o que vocês fazem por mim, meus queridos pais. Como poderia, de alguma forma, compensar todo o esforço que sempre demonstraram, toda a dedicação que nunca deixou de existir para comigo. Mas por mais contas que se façam, por vários fatores que se meçam e se pesem, sei que a resposta será sempre a mesma: impossível.
Vocês ultrapassam sempre os deveres essenciais de pais. Não olham a meios, nem se poupam de trabalho, quando a questão é o meu bem estar. O vosso carinho é extremamente agradável como um cobertor numa noite fria. E as palavras, os inúmeros conselhos da vossa parte, que sempre me guiam, são uma provisão amorosa inigualável.
Não há palavra que melhor se adeque do que um grande e sincero obrigado. Tudo o que vocês me dão é tanto, que eu nunca saberei o quanto. Vos amo muito!
Passo os dias olhando para um jardim que não é meu. Olho para a grama, sempre verde, mesmo quando as folhas vermelhas do outono começam a cair. Não importa as cores do jardim, a grama está verde. Na primavera, as flores enchem os olhos de quem passa de alegria, no verão a luz do sol deixa tudo mais claro e resplandecente e, mesmo no inverno, os dias gris não tomam conta de grama. Sempre que me sinto triste, vou até a janela e olho para aquele jardim. Indago-me se naquela casa não há tristeza. Será que não há um único dia em que não se esqueçam de regar a grama?
No jardim que não é meu, e onde a grama é sempre verde, há muitas borboletas. Elas estão sempre por lá. São de todas as cores, e às vezes fundem as suas asas com pétalas azuis das flores. Naquele jardim há também frutos, muitos frutos, verdes e maduros. Às vezes irrito-me porque alguns frutos caem das árvores, apodrecem e nunca são recolhidos. Mas depois, lembro-me dos pássaros bicando-os e vejo as cascas dos frutos desaparecem no solo.
Aquele jardim, tão vivo, não é meu. Naquele jardim há cor, há vida, há idas e vindas. E a grama é sempre verde. O meu jardim é um pequeno e inabitado jardim de inverno. Mas não cultivando a grama verde, nem as flores, nem as borboletas, à distância, assumo ser belo o canto dos pássaros.
A chuva está a cair e a molhar os meus cabelos. É o prenúncio do inverno que logo vai começar. É no frio que sinto saudades das pessoas queridas, que por um motivo ou por outro, deixamos ficar pelos caminhos da vida.
E agora me peguei lembrando de ti, cujo paradeiro havia me esquecido, perdido que foi na poeira do tempo. Sabes que um dia cheguei a considerar a tua presença imprescindível, pois quando estávamos apaixonados, vivíamos o nosso amor só na base do: só vou se tu fores.
Quando o tempo começa a esfriar, o inverno vem chegando e propicia o milagre. Nas noites frias solitárias, remexo no arquivo da memória lembrando os momentos felizes que vivi. E num estalo tu surgiste na minha mente.
Foram poucos os dias e noites do inverno que ficamos juntos, mas foram inesquecíveis. Passamos horas felizes como só acontece aos apaixonados. Embora passageiro, o nosso amor ficou gravado na mente e no coração. um filme que ainda é projetado na minha mente.
Seria tão bom se pudéssemos reviver aqueles dias neste próximo inverno. É certo que não vivemos nada sério, mas foi tudo muito bom. Recordo como tu és caliente e penso ter aquelas horas felizes de novo, no inverno que está chegando e promete ser muito frio. Que tal?
Chegou o momento que vocês tanto esperavam. De hoje para sempre vocês são uma só carne. De agora em diante vocês são marido e esposa, em uma linda união que hoje foi oficializada.
Sejam muito felizes, desfrutem do amor, da paixão e de uma vida mútua cheia de alegrias. Que o vosso caminho, que agora começou, faça com que vocês permaneçam juntos eternamente.
Assim que morreu, Juan encontrou-se num belíssimo lugar, rodeado pelo conforto e pela beleza que sonhava em toda a vida. Um sujeito vestido de branco aproximou-se:
-"Você tem direito ao que quiser. Qualquer alimento, prazer ou diversão." -disse ele.
"Encantado, Juan fez tudo o que sonhou fazer durante a vida. Depois de muitos anos de prazeres, procurou o sujeito de branco:
-"Já experimentei o que tinha vontade. Preciso agora de um trabalho para me sentir útil."
-"Sinto muito." -disse o sujeito de branco. - "Essa é a única coisa que não posso conseguir. Aqui não há trabalho."
-"Que terrível!" -irritou-se Juan. -"Passarei a eternidade morrendo de tédio. Prefiro mil vezes estar no inferno!"
Então o homem de branco aproximou-se e disse em voz baixa:
"E onde o senhor pensa que está?"