De repente
Ao lembrar dos brinquedos queridos
Que ficaram esquecidos
Dentro do armário
Me bate uma saudade
Me bate uma vontade
De voltar no tempo
De voltar ao passado
Mas nada acontece
Nada parece acontecer
E eu choro
Choro como o bebê que fui
E a criança que quero voltar a ser
Não quero crescer!
Clarice Pacheco
Meu querido estás tão longe que tudo o que me resta é ficar aqui, quieta e triste, com o coração apertadinho de saudades!
Nem fazes ideia do quanto eu gostaria de ter-te por perto, do quanto eu gostaria de estar agora a ouvir música encostada ao teu ombro, de mãos dadas contigo. Parece palermice, mas são essas coisas simples que me deixam mais saudosa...
Sinto vontade de saber se estás acessível... e gostaria de ter a sensação de que era possível tocar-te a qualquer momento, chamar pelo teu nome e não ficar horas e horas, em vão, à espera de uma resposta. Sei que esta situação é transitória, sei que um dia vou poder abandonar em pleno esta saudade, sei que sentirei de novo o toque da tua pele e da tua boca, a força e o calor do teu abraço, mas mesmo assim sinto-me muito triste e sozinha enquanto estou longe de ti. Se soubesses a intensidade desta minha dor, a intensidade do meu desconforto, certamente arranjarias forma de chegar mais cedo, de estar perto de mim o mais depressa possível, pois eu amo-te mais cada dia e sinto-me triste por estar longe de ti!
Por enquanto só me resta ficar aqui, recostada no sofá, vendo velhos filmes românticos, aos quais nem sequer presto muita atenção, porque sei que o meu amor por ti é maior do que todos os que já passaram pelas salas de cinema! Mas, também sei que a saudade dói demais!
Amor virtual!
Você entrou em mim devagar, a murmurar palavras que entraram em minha alma, me deixou apaixonada, morrendo de saudades. Ah, como queria arrancar você do meu peito, para não sentir esse desejo que me consome todos os dias.
Meu amor virtual, será que deixei um pouquinho de saudades?
Meu querido, como te desejo, queria colar no seu peito, beijar sua boca e murmurar no seu ouvido como o desejo! Mas apenas sonhos e ilusão, mesmo assim não quero te esquecer.
Que o dia de hoje esteja trazendo o novo, a mudança e o grande voo!
Que o agora seja vibrante em nossos corações sem projeções futuras, sem memórias passadas.
Vamos experimentar o abandono dos pesos, vamos tentar ser como o pássaro que canta lá fora nesse exato momento, ser como a árvore que faz a sombra amena, como o sol que reflete vida a cada segundo.
Sintonizar o nosso eu nesse instante que está chegando, porque ele revela a única existência verdadeira e respira cheio de possibilidades reais.
O instante de agora traz nele a mais pura semente germinável, aquela que é capaz de transformar todos os nossos conceitos condicionados.
Sentir o contato, o toque suave desse dia, fechar nossos olhos e tentar absorver o agora o entendendo como o grande presente da energia, percebendo a grandiosidade que nos é oferecida quando abrimos realmente os braços para recebê-lo sem tensões, sem as interferências da mente, sem os pensamentos que o anulam.
Recebê-lo com as portas do coração abertas e renascer, mergulhar, conhecer a consciência de ser na exuberância desse instante.
Como borboletas que seguem em direção à luz, que cada um de nós saiba abandonar os antigos casulos e voe em direção ao brilho da vida que está começando agora.
Ao por do sol, sozinha, à beira mar
Deusa caminha em corpo de sereia
Seus pés deixam pegadas na areia
Onda revolta teima em apagar.
Oh! mulher, donde vens, para onde vais?
O que procuras? Qual o pensamento
Que te coloca acima dos mortais?
Por que não vês o meu deslumbramento?
O sol se pôs e veio a escuridão
Nada se vê à beira mar agora
Mas como o mar palpita o coração.
A lua cheia no horizonte aflora
Oh! que tristeza, que decepção!
O vulto angelical já foi embora!