Quando eu era menino indagava e tentava entender: o bêbado. Por que alguém que, embora não tivesse labirintite, adorasse ficar tonto; que embora não fosse gago, adorasse gaguejar e, mesmo não tendo dislexia e nem disfonia, adorasse falar e escrever errado; que embora não fosse astigmático, preferisse tudo enxergar embaralhado; que embora tivesse moradia preferisse ficar dormindo ao relento na calçada da rua; que embora não tivesse gatismo, incontinência urinária e nem intestinal, preferisse na roupa urinar e defecar?! Seria uma simples escolha ou profunda loucura de alguns seres humanos?
Hoje, entendo trata-se do alcoolismo, uma doença perversa, degenerativa (se bem que nem todos que façam uso da bebida sejam alcoólatras) que precisa de um tratamento bem variado, com medicamentos apropriados, com auxilio de associações de autoajuda, com muita força de vontade da pessoa e principalmente de muito apoio e carinho familiar.
A distância que nos separa é grande, mas o carinho que nos une é maior. Todos os dias sinto sua ausência, querido neto, mas quando isso acontece recordo os momentos em que você era ainda um bebê e percebo que o tempo voa e nada podemos fazer para mudar o que tem que acontecer.
Gostaria de passar mais tempo do seu lado, mas isso não é possível. Por isso, apenas peço que você jamais se esqueça de mim.
Só sou feliz quando você está por perto,
Quando você me abraça, me beija...
Mas eu fico mais feliz quando você diz que me Ama!
A minha felicidade depende do seu amor, já que você me ama eu sou a pessoa mais feliz desse mundo!
Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.
Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.
A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por ver
que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas
as portas da vida.
Meu amor, nos momentos
mais escuros solta
o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.
À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera, amor,
quero teu riso como
a flor que esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.
Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro
rapaz que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.
Pablo Neruda
Hoje o dia vai sorrir para você. As nossas lutas nunca são eternas e eu acredito que você, que batalha contra essa doença, brevemente irá melhorar. Você tem de ter fé nisso também e nunca perder a motivação.
Antes que anoiteça, pense nas coisas positivas da vida. São as pessoas que estão sempre do nosso lado e os prazeres com os quais nos deleitamos que nos preenchem. E é sobretudo neles que podemos ir buscar nossas forças.
Tenha um bom dia!