Não passam as dores, também não passam as alegrias. Tudo o que nos fez feliz ou infeliz serve pra montar o quebra-cabeça da nossa vida, um quebra-cabeça de cem mil peças. Aquela noite que você não conseguiu parar de chorar, aquele dia que você ficou caminhando sem saber para onde ir, aquele beijo cinematográfico que você recebeu, aquela visita surpresa que ela lhe fez, o parto do seu filho, a bronca do seu pai, a demissão injusta, o acidente que lhe deixou cicatrizes, tudo isso vai, aos pouquinhos, formando quem você é. Não há nenhuma peça que não se encaixe. Todas são aproveitáveis. Como são muitas, você pode esquecer de algumas, e a isso chamamos de "passou". Não passou. Está lá dentro, meio perdida, mas quando você menos esperar, ela será necessária para você completar o jogo e se enxergar por inteiro.
Meu dia pode ser agitado, minha agenda pode estar apertada, posso estar sem tempo. Mas eu nunca esqueço e nunca esquecerei ao final do dia de lhe desejar uma boa noite. Durma bem!
Que mulher nunca teve:
Um sutiã meio furado,
Um tio meio tarado
ou um amigo meio veado?
Que mulher nunca tomou
Um fora de querer sumir,
Um porre de cair
Ou um remédio pra dormir?
Que mulher nunca sonhou
Com a sogra morta, estendida,
Em ser muito feliz na vida
Ou com uma lipo na barriga?
Que mulher nunca pensou
Em zunir uma panela,
Jogar os filhos pela janela
Ou que a culpa era toda dela?
Que mulher nunca penou
Pra ter a perna depilada,
Pra aturar uma empregada
Ou pra trabalhar menstruada?
Que mulher nunca acordou
Com um desconhecido ao lado,
Com o cabelo desgrenhado
Ou com o travesseiro babado?
Que mulher nunca comeu uma caixa de bombons, pela mais pura ansiedade,
Uma alface, no almoço, por vaidade
Ou, um canalha por saudade?
Que mulher nunca apertou
O pé no sapato pra caber,
A barriga pra emagrecer
Ou um ursinho pra não enlouquecer?
Que mulher nunca jurou
Que não estava ao telefone,
Que não pensa em silicone
Ou que "dele" não lembra nem o nome?
Não tenha vergonha caso você se identifique com tudo, ou quase tudo!
Só mesmo as mulheres para entender o significado deste poema!
Chega. Cansei. Não dá mais.
Eu quero minha dignidade de volta. Eu quero voltar a embrulhar peixe na feira. Quero voltar a ser papel picado no Maracanã. Quero voltar a virar chapéu de soldado para criança brincar. Quero ser capacho de porta de pobre. Cortina de apartamento em reforma. Forro de chão de carro.
Mas pelo amor de Deus. Eu não quero mais cobrir o corpo de ninguém. Não quero mais sentir o frio do asfalto, muito menos o calor do sangue. Não quero não. Se eu que sou papel de jornal não aceito mais, imagina você, um semelhante ter um fim desse.
Então faz o seguinte: me arranca. Isso: arranca essa página. Não vou ficar chateado, é por uma boa causa. E me mostra para o amigo, para a mulher, para o chefe, para o gari, para o frentista, para o delegado, para a xepa da feira, para o rubro-negro, para o juiz, para a prostituta, para o político, para os seus filhos.
Mostra que você também está cansado.
É pouco, mas já seremos dois. Se formos cem, seremos um batalhão. Mil, um exército. Marcha soldado, cabeça de papel.
Juntos, a gente vira esse jogo contra a violência, que de virada é mais gostoso. Juro que dá. Juro por aquele sujeito lá no alto do Corcovado que, caso você não saiba, é o nosso general.
O amor tem destas coisas, Surge de repente, Na vida da gente, Para se assumir riscos...
Quando entra vem com tudo! Se torna ardente e profundo. No coração aberto.
Nada fica como antes, Tudo muda, se transforma!
O amor tem destas coisas... Enche a alma de alegrias, O coração transborda.
Para tudo se sorria, Para nada há tristezas!
Para o amor, não há fronteiras. Para o amor, não há barreiras!
Quem ama, sabe bem disto! Que amar é assumir riscos... E da gente nunca mais sai.
Penetra fundo em nosso interior, Para quem ama tudo é magia! Assumir riscos de amor...