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Geralmente, em toda parte,
No ângulo mais sombrio
Dos recantos desprezados,
Vem a aranha e tece o fio.

Escura, silenciosa,
Atendendo ao próprio instinto,
Seja dia, seja noite,
Vai fazendo o labirinto.

Por manter o enorme enredo,
Insiste e nunca esmorece,
Condenar-se por si mesma
É seu único interesse.

Desdobrando movimentos
Nos impulsos insensatos,
Pratica perseguições,
Multiplica assassinatos.

Insetos despreocupados,
Na ilusão cariciosa,
Transformam-se em prisioneiros
Da pequena criminosa.

Satisfeita, a aranha escura.
Prossegue na horrenda lida,
Nos venenos que segrega
Traz a morte e suga a vida.

Mas um dia, o espanador,
Na luta material,
Vem e arranca essa infeliz
Das teias de horror do mal.

A aranha, porém, não cede,
Com teimosia e com arte,
Foge ao bem que se lhe fez,
E vai tecer noutra parte.

Quem medita na conduta
Dessa aranha renitente,
Encontra a cópia fiel
Da vida de muita gente.

A muitos presos do engano,
Deus envia a dor e as provas;
Mas, depois de liberdade,
Vão prender-se em redes novas.

Se não estivesse fora de moda... Eu iria falar de Amor.
Daquele amor sincero, olhos nos olhos, frio no coração.
Aquela dorzinha gostosa, de ter muito medo de perder tudo.
Daqueles momentos que só quem já amou um dia, conhece bem.
Daquela vontade de repartir, de conquistar todas as coisas... Mas não para retê-las no egoísmo material da posse, mas doá-las, no sentimento nobre de amar.
Se não estivesse fora de moda... Eu iria falar de Sinceridade.
Sabe, aquele negócio antigo de fidelidade, respeito mútuo... e outras coisas mais.
Aquela sensação que embriaga mais que a bebida.
Que é ter, numa pessoa só, a soma de tudo que as vezes procuramos em muitas.
A admiração pelas virtudes, aceitação dos defeitos... E sobretudo, o respeito pela individualidade, que até julgamos nos pertencerem, sem o direito de possuir.
Se não estivesse tão fora de moda... Eu iria falar em Amizade.
O apoio, o interesse, a solidariedade de uns pelas coisas dos outros e vice-versa.
A união além dos sentimentos e a dedicação de compreender para depois gostar.
Se não estivesse tão fora de moda... Eu iria falar em Família.
Sim! Família!!! Pai, mãe, irmãos, irmãs, filhos, lar... O bem maior de ter uma comunidade unida pelos laços sanguíneos e protegidas pelas bênçãos divinas.
Um canto de paz no mundo, o aconchego da morada, a fonte de descanso e a renovação das energias.
Família... O ser humano cumprindo sua missão mais sublime de sequenciar a obra do criador.
E depois... Eu iria até, quem sabe, falar sobre algo como... a Felicidade.
Mas é pena que a felicidade, como tudo mais, há muito tempo já está fora de moda.
Sabe de uma coisa... Me sinto feliz por estar tão fora de moda.
E você? Também está fora de moda como eu? Espero que sim!

Queria de todas as maneiras consertar o "eu e você", para que quem sabe pudéssemos ser um casal de verdade, daqueles que a gente sonha quando estamos apaixonados. Tentei tanto consertar isso e acabei me esquecendo que certas coisas não têm conserto.

Certas coisas, pra falar a verdade, nunca deveriam ter acontecido, e se aconteceu foi porque o calor do momento fez com que a razão fosse simplesmente um nada naquela situação. Se eu me arrependi de ter te conhecido? Bom, acho que não. Não me arrependo de ter te conhecido, de ter me apaixonado por você... Me arrependo de ter sido tola, de ter fechado os olhos diante de coisas que poderiam me machucar, e machucaram.

Me arrependo de ter me entregado tanto a você. Me arrependo por ter ignorado o fato de que eu e você foi apenas um engano. Ignorei porque independentemente de qualquer coisa que estava acontecendo eu queria você, e esse negócio de querer mexer com a gente nos deixa tão frágil. Queria você de uma forma tão estranha que parei de pensar no que iria me fazer bem para pensar no quanto eu ficaria bem ao teu lado se tudo aquilo que eu imaginava se tornasse verdade.

Pois bem, eu me enganei. Me enganei tanto... E agora eu percebo o quanto fui ingênua por imaginar que seríamos um casal perfeito, desses de novela, que ignora todas as diferenças para pertencer um ao outro.

Beatriz Favato

Amor possessivo não é amor, como todo mundo sabe e estão cansados de ouvir que: "Ninguém é de ninguém neste mundo". Nem nossos filhos são nossos, o que dirá um homem ou uma mulher. As pessoas são livres; livres para amar e escolherem quem querem amar.

O amor que exige exclusão e posse não é amor. O amor possessivo amarra, impede o crescimento, enquanto que o amor verdadeiro é a força, é o impulso que faz o outro crescer. Amar alguém é comprometer-se.

O amor é uma soma para que cada um possa ser mais ele mesmo, ele não existe para aliviar a dor e nem tampouco para resolver necessidades, carências e interesses do outro.

O amor verdadeiro, maduro, é livre, é incondicional, sabe ceder e perder com serenidade para o bem da pessoa amada; sabe viver quando tem o bem e também quando não tem; sabe dialogar e chegar a conclusões maduras e sensatas.

O amor não nasce pronto, de uma vez. Tem que haver vibração, tem que ser harmônico. Como um amigo, companheiro nas horas felizes e tristes, é ser honesto, sincero, confiante, verdadeiro em palavras e atitudes.

O amor é como uma rosa, mas para que essa rosa exista, é preciso que existam também espinhos. Mas mesmo assim, o amor ainda é a maior força que existe em nós, e é só o amor que nos transforma, que nos amadurece.

Se não aceitarmos de coração aberto a dinâmica transformadora do amor estaremos definitivamente nos negando a crescer e para sempre permaneceremos num estado infantil.

Não importa quem você ama. Como diz Hermann Hesse: "Não é felicidade ser amado; todos amam a si mesmos, amar aos outros, sim, é que é felicidade!"

Uma noite, quando voltei do trabalho, minhas duas crianças estavam ocupadas na máquina de costura. Minha filha de onze anos, ajudava o irmão mais velho a fazer um pequena almofada. Tinha sido um dia difícil, minha saudação foi curta e então notei o material que minha filha tinha usado.
Tinha sido comprado para fazer uma manta de bebê, e agora estava em pedaços. Sem parar para escutar, eu explodi com as crianças.
Minha filha me escutou envergonhada, sem tentar se defender, mas a dor poderia ser vista escrita em seu rosto. Ela se retirou, quietamente, para o seu quarto e lá ficou por muito tempo, saindo só para dizer boa noite e uma vez mais se desculpar pelo erro.
Mais tarde, quando me preparava para ir deitar, lá na cama estava colocada uma bonita almofada feita com o tecido proibido, com as palavras "EU AMO A MAMÃE". Ao lado havia um bilhete se desculpando novamente.
Desde este dia, eu ainda tenho lágrimas em meus olhos quando me recordo de como eu reagi e ainda sinto a dor por minhas ações. Fui eu então quem ficou envergonhada e lhes pedi que desculpassem minhas ações.
E ainda hoje, eu exibo com grande orgulho a almofada em minha cama, e uso como uma eterna lembrança de que nada neste mundo é maior que o amor de uma criança.