Eu te deixo livre pra ir, porém, não pense que vai poder voltar a hora que quiser. Se for pra ir, vá, mas nunca volte. Não estou sendo insensível, ou talvez esteja, mas de uma coisa eu tenho certeza: quem quer ficar, não vai.
Quando nos voltarmos a ver, mataremos todas as saudades. Tudo estará igual, pois nem a distância enfraquece uma verdadeira amizade. Na verdade, será como se você não tivesse ido embora. Eu simplesmente a agarrarei nos meus braços e direi com sinceridade que me fez muita falta.
Para já, temos de aprender a viver com o sabor amargo da ausência. E se há coisa que ela me tem ensinado, é que você é ainda mais importante do que aquilo que eu imaginava.
Você é bem mais importante do que imagina. E isso é natural de quem não tem confiança. Mas chegou a hora de mudar. Ninguém merece viver na auto-suspeição, na mediocridade.
Você é linda, amiga! É linda em todos os aspetos, mas parece ter medo do amor, da alegria, da felicidade. É do seu elogio que você precisa; do seu acreditar, da sua fé, da sua confiança! Você é linda – não esqueça!
Às vezes eu não queria ser a ovelha negra da família
Eu só queria o bem de todos
Posso ter errado em algumas atitudes.
Mais todas foram de coração abertos
Mesmos com medo de magoar as pessoas que eu amo
Eu tentei
Tentei mesmo sabendo que podia acabar sendo não entendido pelos outros
Mais um dia quem sabe eu possa ser entendido por alguém...
Alguém que mesmo distante
Possa compreender o que realmente senti
O que realmente quis para a minha família
O que realmente quis para o meu tempo.
Há longo, longo tempo, compareceram no Tribunal Divino dois homens recém-chegados da Terra. Um trazia o sinal da muleta em que se apoiara. Outro mostrava a marca da coroa que lhe havia adornado a cabeça.
Fariam prova de humildade para voltarem ao mundo ou seguirem além... Postos, um a um, na balança. O primeiro acusou enorme peso. Era ainda presa fácil de lutas inferiores, parecendo balão cativo.
O seguinte, no entanto, revelava grande leveza. Poderia viajar em demanda dos cimos. Inconformado, contudo, disse o primeiro: – Onde a justiça divina? Fui mendigo paupérrimo, enquanto ele...
E indicando o outro: – Enquanto ele era rei... Passei fome, ao passo que muita vez o vi no banquete lauto. Esmolava na rua, avistando-o na carruagem. Conheci a nudez, reparando-o sob o manto dourado, quando seguia em triunfo. Vivi entre os últimos, ao passo que ele sempre aparecia como o primeiro entre os primeiros.
O outro baixou a cabeça, humilhado, em silêncio.
Mas o amigo sereno, que representava o Senhor, falou persuasivo: – Viste-o na mesa farta, mas não lhe percebeste os sacrifícios ao comer por obrigação. Notaste-o de carro. entretanto, não lhe observaste o coração agoniado de dor, ante os problemas dos súditos a que devia assistência. Fitaste-o sob dourado manto, nos dias de júbilo popular. todavia, não lhe contemplaste as chagas de sofrimento moral, diante das questões insolúveis.
Conheceste-o entre os maiorais da Terra. entretanto, não sabes quantos punhais de hipocrisia e de ingratidão trazia cravados no peito, embora fosse obrigado a sorrir. Na situação de mendigo, não fostes lançado a semelhantes problemas da tentação. Diante do companheiro triste, o ex-monarca recebeu passaporte para a ascensão sublime.
Sozinho e em lágrimas, perguntou, então, o ex-mendigo: – E agora?
O ministro angélico abraço-o, sensibilizado, e informou: – Agora. Renascerás na Terra e serás também rei.