Sofrimento - Mensagens

Definitivo, como tudo o que é simples.

Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.

Por que sofremos tanto por amor?
O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável, um tempo feliz.

Sofremos por quê?
Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas.

Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um amigo, para nadar, para namorar.

Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os momentos em que
poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em nos compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.

Como aliviar a dor do que não foi vivido?
A resposta é simples como um verso: se iludindo menos e vivendo mais!!!
A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável. O sofrimento é opcional.

Tem coisas que a gente acha que só acontece em filme. Algumas maldades eu achava que só podiam existir na cabeça de escritores, autores de novela ou de cinema. Por exemplo, gente que mente por compulsão, que tem coragem de enganar e trair com a cara mais lavada do mundo, que faz isso e ainda acredita que está certo. Talvez eu tenha tido a sorte de não ter vivenciado sofrimentos terríveis durante praticamente a minha vida toda, só algumas situações difíceis que não fogem ao padrão. Tudo bem, já me disseram que eu fui muito protegida, por isso acredito que todo mundo é legal até prova em contrário. Deve ser isso mesmo.

Mas não é que esta semana descobri que gente maluca existe na vida real mesmo? Gente que sabe que está fazendo o outro sofrer e mesmo assim continua causando mal, de forma consciente? Insiste no erro? Impressionante! Gente capaz de achar que foi legal com uma pessoa que enganou de forma covarde, que fez sofrer além de qualquer limite? Gente que diz que não mentiu apesar de sempre ter inventado mil histórias para justificar todas as suas traições? Gente que afirma que vai continuar mentindo até o final, mesmo sabendo que essa é a causa do sofrimento da pessoa com quem divide o teto? Pois é...

Ainda assim, continuo dando o benefício da dúvida a essa criatura. Recuso-me a acreditar na existência da maldade pura e simples. Na minha opinião, só uma pessoa doente, mas muito doente mesmo, pode fazer tudo isso e achar que não está fazendo nada de errado. Mas há um lado bom nessa história sórdida: como não existe luz sem escuridão, as pessoas boas, de verdade, ganham ainda mais valor quando nos deparamos com esse tipo de gente louca. Otimista que sou, ver e sentir a loucura de tão perto me faz ser ainda mais grata pelas pessoas maravilhosas que tenho ao meu redor.

Pobres coitados não somos nós, os enganados e traídos. Pobre coitada é essa criatura louca, que vai continuar infeliz a vida toda, porque não sabe fazer outra coisa a não ser causar sofrimento justamente àquelas pessoas que se dispõem a dar a ela o melhor de si.

Carmen Nascimento