Não, Marquito não sentia inveja dos meninos que tinham violões de verdade porque ele vivia sonhando que tinha um também. Ele fazia vibrar suas cordas invisíveis, com o rosto iluminado e os olhinhos brilhando de emoção. Havia quem achasse que Marquito era meio lelé-da-cuca.
Claro, era gente que não tinha imaginação suficiente para saber que "aquele" violão só podia ser visto (e ouvido) por outros sonhadores, como Marquito. Essas pessoas ignoravam também que ele não se conformava com a realidade que havia, vivendo a sonhar com a realidade que devia haver. Tendo seu violão imaginário como bandeira, Marquito via um mundo novo.
Um mundo em que as coisas são das pessoas que as entendem. E não só das pessoas que podem comprá-las. Ah, quanta gente tem um violão na sala de visitas servindo de enfeite, sem tocá-lo nunca! E lá ia Marquito dedilhando seu violão de sonho, tirando as músicas lindas que seu coração compunha. Depois, limpava-o cuidadosamente com uma flanela bem macia feita de nuvens. Ele o guardava com carinho numa capa cor de céu todo estrelado. Daí, ele pegava seu violão mais que exclusivo e o escondia debaixo da escada secreta que usava para subir ao seu paraíso particular.
As pessoas que não entendiam Marquito, tadinha delas, até pensavam em levá-lo a um psicólogo para saber se ele tinha alguma coisa. Como resposta, ouviam: "Não, ele não tem uma coisa, mas sonha com ela, e assim, faz de conta que a tem". Um dia, os que só sonhavam quando dormiam resolveram dar um violão de verdade para o menino que sonhava acordado. Ao recebê-lo, Marquito abraçou-se ao violão, comovido, e disse: "Obrigado. Agora tenho dois".
Obrigado por ter me notado; obrigado por ter me dado um pouco da sua atenção; obrigado pelo bom dia, pelo tudo bem, pelo sorriso, pelo perdão a mim outorgado; obrigado por me fazer sentir bem; obrigado até pelas brigas, porque são elas que me ajudam e contribuem para o meu crescimento; obrigado por me ter feito dizer obrigado, e de tão agradecido eu sou obrigado a dizer: Valeu!!!
Uma boa tarde para todos vocês!
O sopro do vento esfria as noites,
mas as tardes continuam mornas,
e o mar espraia-se preguiçoso
nas pedras estendidas da praia.
Paisagem que reflete a vida,
encurta os dias, amplia as noites
e a vida como uma leve pluma,
com a brisa segue meio perdida.
Amarelecidas agora rolam as folhas
no chão de uma paisagem outonal,
as árvores nuas, sem mais flores,
são serenas sombras no madrigal.
Como uma réstia de sol no mar,
faz-se da vida um entardecer,
Folhas e flores vão descansar,
os sonhos serão um rio a correr.
Sônia Schmorantz
Estou aqui, mais uma vez, para lhe dizer que estou muito triste por ter me expressado mal, talvez, e com isso ter chateado você.
Mas dizem que a maior vitória de uma pessoa é reconhecer o seu erro, e eu sei que errei, e reconheço meu erro.
Por isso quero lhe dizer que me arrependo muito de tudo que lhe disse, foi um ato sem pensar. Peço desculpas pelo constrangimento que lhe causei!
Um ladrão veio à noite para assaltar uma casa. Ele trouxe consigo vários pedaços de carne, para que pudesse acalmar um feroz Cão de Guarda que vigiava o local. A carne serviria para distraí-lo, de modo que não chamasse a atenção do seu dono com latidos.
Assim que o ladrão jogou os pedaços de carne aos pés do cão, disse-lhe então o animal:
Se você estava querendo calar minha boca, cometeu um grande erro. Tão inesperada gentileza vinda de suas mãos, apenas serviram para me deixar ainda mais atento. Sei que por trás dessa cortesia sem motivo, você deve ter algum interesse oculto, de modo a beneficiar a si mesmo e prejudicar o meu dono.
Moral da História:
Gentilezas inesperadas é a principal característica de alguém com más, ou segundas intenções.