Você não sabe o que quer comigo
se é minha cura ou meu vício
me desmonta, me desfaz, me dissolve de mais
não sei por que gosto tanto de você
não sei por que me prendo à você
e me arrasto a pedaço de mentiras e verdades
queria entender por que você oscila tanto no meu coração
mas mesmo assim permanece lá
não tem jeito, você tem seus defeitos, mas é perfeito pra mim
não é o que você diz, mas é como você diz
não é o que você faz, mas é como você faz
você é meu ponto alto
me leva sempre a onde eu não posso ir sozinha
não vou olhar pro lado
se é em você que eu penso quando fechos os olhos
se você pular eu pulo
suas frase feitas são linhas retas sem direção
suas respostas incompletas me satisfazem
e me fazem flutuar sobre tudo que não pode me atingir
porque eu estou com você.
Para que serve um amigo?
Para rachar a gasolina, emprestar a prancha, recomendar um disco, dar carona pra festa, passar cola, caminhar no shopping, segurar a barra...
Todas as alternativas estão corretas, porém isso não basta para guardar um amigo do lado esquerdo do peito.
Um amigo não racha apenas a gasolina: racha lembranças, crises de choro, experiências. Racha a culpa, racha segredos.
Um amigo não recomenda apenas um disco. Recomenda cautela, recomenda um emprego, recomenda um país.
Um amigo não dá carona apenas pra festa. Te leva para mundo dele, e topa conhecer o teu.
Um amigo não segura a barra, apenas. Segura a mão, a ausência, segura uma confissão, segura o tranco, o palavrão, segura o elevador.
Dúzias de amigos assim ninguém tem. Se tiver um (e às vezes ele pode ter até 4 patas), amém.
Andar nos caminhos de Deus é a melhor escolha que alguém pode fazer, pois Ele pode ser tudo que precisamos nas horas de tristeza, dor e aflição.
Aquele que nos criou sabe o que é melhor para nós e suas leis são as pisadas que devemos seguir. Escute as orientações divinas que o Criador deixou para nos guiar e sua vida será com certeza muito abençoada.
Despida de pudores,
visto-me de fantasias...
Faço do teu corpo o meu refúgio,
a minha mais pura alegria.
Necessito te sentir em mim...
dentro, fora, por cima, de lado,
de qualquer jeito.
Quero escalar teus cumes,
banhar-me em teu suor,
afogar-me na saliva de teus beijos,
sentir teu gosto,
saciar meu desejo.
Te quero meu homem.
Vem...
Me tome,
me sugue gostoso,
lambuze o meu corpo
com nossas seivas,
sussurre no meu ouvido,
me arrepie,
me faça gemer de prazer,
me faça mulher...
amada,
saciada,
despudorada!
Com a vida apressada, angustiada, tão absorta em pensamentos pequenos, sem entender a dor disfarçada em mal humor, pouso os olhos no menino, ali, dormindo. No meio da rua, entre carros, passantes, cachorros e passarinhos destoantes, com as mãozinhas sobre a cama de papelão, agarradinho, inocente, no corpo do irmão.
A mãe sofrida, sentada no sujo chão, tentando esconder a vergonha e a fome, tendo à frente o pai, derrotado enquanto homem. A dor oprimida no peito, sem conseguir engolir, ver assim alguém tão só, uma família – flores do pó. Ah, a cruz! Preguem-me na cruz.
Quero morrer por eles, morrer por mim, inerte, covarde, torpe! Nada a fazer, senão sofrer? Não tem remédio, senão chorar? Menino dormindo, como o meu, como os nossos, sonha sonhos de criança, com luzes e festa, com brinquedos e paz, sorvete, banho, banheiro. Alegria o ano inteiro.
Perdeu o endereço do céu, mas espera Papai Noel. Aquele pai e aquela mãe, sem teto ou dignidade, não sabem da missa a metade. Não choram, apenas pedem, que a sorte mude e os ventos tragam a esperança e o sorriso do menino, que dorme ali no chão, tranquilo, ao relento, desprotegido.
A leoa de dentes arrancados, o guerreiro sem escudo, sem lança, sem conseguir defender sua criança, olhar vazio, de alma apagada, sem ter mais nada. Nada a oferecer, senão seu corpo. Nada a pedir, senão o pão. E eu, e você, o que fazemos?
Vamos embora, com a consciência confortada de que nada podemos fazer, por não termos o poder. Qual nada! Eu posso. Você pode. Mas é difícil, é cômodo. Você tem lar. Eu tenho pão. Eles é que não.