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Meu primo-irmão, agradeço por tudo! Essa é a designação certa, primo-irmão. Somos mais que primos, somos muito mais que amigos: somos irmãos!

Crescemos juntos e compartilhamos toda nossa vida sem medo, sem receio, com vontade. Sinto uma grande admiração por você, um orgulho que nunca vai terminar e que sempre cresce a cada dia que passa. Com muito carinho, um forte abraço!

Quanto pode caber de mistério um cantinho de olho que contempla o horizonte num olhar sem rumo, ao léu que busca no céu a explicação para o tudo que não se vive que quer viver, mas não se vive, pela escolha incerta...
Quanto pode caber de sorriso, num cantinho de lábios, que pela angústia do momento faz-se febril, fazendo-se espera do beijo apaixonado, translúcido, inteiro!
Que quer fazer eterno, um único momento de amor!
Quanto pode caber de paixão, um cantinho de coração, que repleto do desejo insano, faz-se querência do ter mais! Que ilude a esperança numa fantasia lúdica, suave melodia que quer sofrer pelo amor do segundo, na metamorfose do tempo!
Quanto pode sofrer a alma do artista que espera a musa, que repleto de sonhos e de ilusões parte em sua conquista.
Que incansável faz dos seus versos trombetas que anunciam que quer ser feliz eternamente, mesmo que seja num só instante.
Quanto pode morrer e renascer este amor louco, insano! Que renuncia a tudo e a todos e se contorce dentro do templo, que como um plasma percorre todos os cantos do corpo, que acomoda-se no nada e manifesta-se no tudo, no poema!
Quanto pode ainda esperar a lua, que eternamente faz-se presente, testemunhando o ardor dos olhos do artista que a encarou na noite para poder ver à distância sua musa. Que fez-se consolo e permitiu-se amar como um totem idílico!

Eu sou o vento
Aquele que vem sem ser chamado
E canta nas janelas quebradas
Dos sanatórios

Nunca estou próximo
Nem distante
Seco as roupas nos varais
Desfaço as nuvens

Arranco as velas dos barcos
Brinco com aviões de papel
Levanto as pipas coloridas
E as saias das mocinhas

Lunáticas mãos
Faca na manteiga
Acredite em qualquer coisa
Espere por ninguém

Eu sou o vento
Com pouco não me contento
Venho e vou
Sem rota ou destino

Tantas viagens
tantos telhados
Tantas histórias
tantos moinhos
Tantas ondas
tantos cataventos
Tantas cartas
tantos caminhos

Faço dançar o abraço das flores
E o beijo das fadas
Rasgo cicatrizes nas serras
Deixo sorrisos nos campos

Carrego segredos
Sopro bandeiras desfiadas
Derrubo as árvores
Descolo cartazes

Eu sou o vento
Aquele que nem bem chega
E já parte de repente
Feito um suspiro

Carlos Assis

O melhor beijo é o beijo desejado,
o beijo que me completa,
o beijo da minha forma adequada,
o beijo com o sabor do desejo
na flor da minha pele,
o beijo da minha vontade,
o beijo que faz o meu pensamento,
o beijo que faz a minha boca e
meu corpo querer um novo beijo
outra vez e mais outra vez.
O melhor beijo é o beijo sem tempo,
o beijo de longa duração ou de
pouca duração,
um beijo de vinte segundos
ou de vinte minutos, isto não importa.
O tempo não conta,
enquanto se beija o tempo para,
o tempo freia.
E nesta inércia do tempo
só sinto a louca vontade do outro.
Sinto a outra língua que de encontro
com a minha faz um passeio suave e
excitante umedecendo minha alma.
Sinto a língua que viaja dos
dentes ao céu da boca.
Sinto a língua que acarinha os
meus lábios. A língua e a língua...
A língua que me roça, que me percorre,
que me navega e que me lambe...
O melhor beijo é o beijo em que a língua
faz o beijo e o beijo faz o sexo.

Ninguém poderá jamais amar outro alguém se primeiro não aprender a amar a si próprio. A opinião que os outros formaram sobre nós, não é mais do que a imagem que refletimos sobre eles, aquilo que nós pensamos sobre nós mesmos.

O primeiro e mais duradouro dos amores deve ser o amor de cada um por si próprio; então antes de mais nada, ame-se a si mesmo!