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Rio de água limpa e fresca Que a todos pode saciar. Basta que todos nós saibamos Dele muito bem cuidar. E o rio, extenso, caudaloso, Toda floresta percorre. A quem irá servir, não escolhe. Seja homem, seja animal, Seja um pássaro, seja uma flor, A todos ele sacia a sede, Com todo o seu frescor. E segue sua caminhada Formando lagos, Formando lagoas, Até chegar ao mar E, ali, seu percurso terminar.

Antes, com o sentimento adormecido,
Sentia-me tranquila, porém, sozinha.
Ao te reencontrar, a paz mascarada, que em mim havia, caiu vazia.

Despertando saudades do pouco que tivemos e desejos de vivermos o que antes não vivemos.

É difícil admitir, mas o nosso reencontro
foi marcante, e muito especial pra mim.
Sei, que sem querer e sem perceber, deste me
um novo fôlego de vida,
uma pequena esperança até então perdida.

Ah!... Se ao menos soubesse se faço parte dos desejos do teu coração.
Tomaria com certeza uma decisão.

Agora depois que te reencontrei, difícil mesmo será prosseguir a vida,
da mesma forma que seguia, na mesma direção e vazia.

Se é verdade que tu és alegria contagia-me com teu riso...
Se é verdade que és aconchego toma a minha vida e me cuida...
Se é verdade que és ternura dize-me ao ouvido doces palavras...
Se é verdade que és sedução faz do teu corpo o meu abrigo...
Se é verdade que és carinho embala os sonhos meus...
Se é verdade que és luz ilumina os meus passos no caminho...
Se é verdade que és o presente elege o meu futuro como teu...
Se é verdade que és esperança deixa-me conhecer a tua paz...
Se é verdade que és amor nada mais tenho a desejar...

Responder a perguntas não respondo.
Perguntas impossíveis não pergunto.
Só do que sei de mim aos outros conto:
de mim, atravessada pelo mundo.

Toda a minha experiência, o meu estudo,
sou eu mesma que, em solidão paciente,
recolho do que em mim observo e escuto
muda lição, que ninguém mais entende.

O que sou vale mais do que o meu canto.
Apenas em linguagem vou dizendo
caminhos invisíveis por onde ando.

Tudo é secreto e de remoto exemplo.
Todos ouvimos, longe, o apelo do Anjo.
E todos somos pura flor de vento.

Cecília Meireles

Dois rapazes moravam na mesma fazenda quando o pai morreu.

O que era solteiro ficou morando na casa em que o pai morreu.

O casado morava na casa ao lado.

Eles tinham uma plantação imensa de arroz e um celeiro em comum, e combinaram de trabalhar juntos e dividir tudo.

Colheram dezenas de sacos de arroz, metade para um e metade para o outro, e assim fizeram dois celeiros.

Fizeram uma boa colheita, estavam com os depósitos cheios.

No final da tarde, o irmão solteiro começou a pensar que aquela divisão não estava certa.

Pensava: *“Eu sou solteiro e meu irmão é casado, tem mulher e filhos. Ele precisa de mais arroz que eu, pois sou sozinho.”*

À noite, ele se levantou, foi ao celeiro dele, pegou um saco de arroz, escondido, e colocou no celeiro do irmão.

O irmão acordou na manhã seguinte e começou a pensar:

*“Essa divisão não está justa, pois sou casado, tenho minha mulher e meus filhos. E eles vão crescer e poderão me ajudar. Mas meu irmão, coitado, ele é sozinho. E se ele não casar, não vai ter ninguém por ele. O certo é ele ganhar uma parte a mais que eu.”*

Levantou, foi ao seu celeiro, pegou um saco de arroz e colocou no celeiro do irmão.

E assim foram vivendo: a cada colheita, um levava uma parte a mais para o outro.

Só não entendiam como é que sempre ficava a mesma quantidade para cada um.

Uma bela noite, o relógio biológico se confundiu.

Horário de verão e os dois se levantaram na mesma hora e se encontram no meio do caminho.

Um olhou para o outro. Colocaram o arroz no chão, se abraçaram, e choraram.

A partir daquele dia, fizeram um único celeiro.

É preciso partilhar os dons, é preciso dinamizar.

Para quem pensa só em si resta somente a estagnação.

É preciso frutificar os dons.

Peça ao Senhor a graça de fazer a experiência do amor infinito, que divide, que cura e transforma sua história.

*Dá-me, Senhor, a graça de aprender partilhar.* Amém!