Ando à procura de espaço...
para o desenho da vida.
Em números me embaraço e perco sempre a medida...
Se penso encontrar saída, em vez de abrir um compasso, projeto-me num abraço e gero uma despedida.
Se volto sobre o meu passo, é já distância perdida.
Meu coração, coisa de aço, começa a achar um cansaço, por esta procura de espaço para o desenho da vida.
Já por exausta e descrida não me animo a um breve traço: saudosa do que não faço, do que faço, arrependida...
Vou contar os dias para te ver, e sei que será perfeito. E se caso eu pudesse, pararia o tempo nesse dia, para ficarmos ali eternamente, entre sorrisos, carinhos e toda forma de amor que podemos compartilhar um com o outro. Afinal, quem ama, não mede esforços para que faça o outro feliz, e eu sei que posso, eu quero isso.
Saudades são águas passadas que se acumulam em nossos corações, inundam nossos pensamentos, transbordam por nossos olhos, deslizam em gotículas de lembranças que por fim, morrem na realidade de nossos lábios.
Com o tempo nós vemos realmente quem é quem... Seus amores, seus amigos, seus problemas... Aprendemos que muitas palavras são apenas palavras, muitos sorrisos não eram verdadeiros e muitas luzes na verdade eram a escuridão em disfarce.
Com o tempo, vemos virtudes indo ralo abaixo, vemos pessoas virando o que realmente são e não o que fingiam ser, máscaras caem, perfumes perdem a validade e com o tempo percebemos quem apenas fala e quem realmente age... Com o tempo se cresce...
E há quem diga que envelhecer não é bom... Já eu acho uma Dádiva, pois reflete a verdadeira imagem das pessoas, de suas atitudes e de suas palavras, de quem realmente são...
" O tempo é senhor da razão"
É fácil usar o estilingue. o difícil é ajudar quem errou. É fácil descer a lenha no casal irresponsável. o difícil é ir procurá-los e oferecer ajuda. É fácil falar do ladrão que incomoda a vila. o difícil é tentar mudá-lo com amizade e ajuda. É fácil falar da menina grávida que nem sabe quem é o pai.o difícil é ouvi-la e ajudá-la a enfrentar o drama de seu erro.
É fácil rir dos chifres do marido traído e falar da mulher dele com risos e piadinhas engraçadas. o difícil é ajudar os dois a se amarem de novo sem mágoas ou novas traições. É fácil falar do padre, do pastor, do papa, do bispo, do governante, do político, do rapaz e da menina que aparecem um pouco mais do que nós. Damos uma estilingada com a língua e pronto, está quebrada a sua luz. Pouquíssimos de nós podem dizer que não atirarão pedras em alguém que está por baixo. Jesus tinha razão ainda esta vez.
A mulher fora surpreendida em adultério e um monte de adúlteros a trouxeram para que Ele os ajudasse a apedrejá-la. Só haviam esquecido de trazer o companheiro de adultério, já que, também naquele tempo, era impossível uma mulher praticar o adultério sozinha. Trouxeram a adúltera e não trouxeram o adúltero. Jesus ameaçou desmascará-los. Foram todos embora com seus estilingues.
Ficou a mulher adúltera que Jesus perdoou, mas a quem pediu que nunca mais pecasse. Não atirou a primeira, nem a segunda, nem a centésima pedra. Ajudou-a, acolheu-a. Conversou com ela. Propôs mudança de vida. Não sei que lição vamos levar do Evangelho. O que sei é que eu, você e todos nós, de vez em quando, falamos mal da vida alheia. E julgamos e apedrejamos por nossa própria conta homens, mulheres, moças, rapazes, padres, freiras, pastores, políticos, vizinhos e até amigos.
A nossa pedra é sempre a primeira, mesmo quando não fomos os primeiros a atirar. Deixemos de imaginar o pior, o mais errado e o mais sujo dos outros. Seremos melhores e a vida será melhor. Queimemos nossos estilingues de moleques crescidos.